Estupro no Egito: Irmandade Muçulmana

Fonte/Source: Rape Sprees in Egypt: The Muslim Brotherhood ‘Gets Even’ via Pamela Geller, Atlas Shrugs

Estupro no Egito:  A “Vingança” da Irmandade Muçulmana

Por Raymond Ibrahim

Junho 17, 2014

A Irmandade Muçulmana recentemente partiu para agressão sexual e estupro no Egito como “vingança”contra aquelas mulheres que se atreveram a celebrar a vitória presidencial de Abdel Fatteh al-Sisi, o ex-chefe do Exército que derrubou o regime da Irmandade Muçulmana no Egito .

Abdel Fatteh al-Sisi, em visita à jovem de 19 anos que foi estuprada durante a sua posse.

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Em 8 de junho, quando dezenas de milhares de egípcios se reuniram na Praça Tahrir para celebrar a posse de Sisi, dezenas de mulheres foram vítimas de violência sexual e outras mais assediadas. De acordo com uma declaração mais tarde divulgada pelo Ministério do Interior, sete homens com idades entre 15 e 49 anos foram presos por terem abusado sexualmente “um número de mulheres.”

Uma estudante de 19 anos de idade foi especialmente brutalizada  e filmada enquanto ela estava despida e abusada sexualmente por uma multidão de homens. (Eu vi o vídeo no YouTube, disse Raymond Ibrahim , embora já tenha sido removido; um clipe gráfico menos intenso, do ataque inicial, aparece aqui.) Um policial armado finalmente conseguiu resgatar a mulher de seu calvário, embora tenha ele mesmo sofrido ferimentos .

Assédio sexual ou violação daqueles favoráveis a Sisi como “retribuição” não é incomum no Egito. Mais cedo, um menino de seis anos foi estuprado por um membro da Irmandade Muçulmana, que estava “irritado” com a criança por cantar louvores a Sisi. Ele atraiu o menino para um galpão, trancou as portas, e começou a estuprá-lo, ao mesmo tempo, dizendo: “Você está sempre segurando fotos deste Sisi e cantando seus louvores. Venha, vou humilhar e quebrar você e seu Sisi“.

Embora a mídia ocidental nunca especifique quem está por trás desses ataques sexuais, muitas vezes citando “a plebe”, Hala Sarhan, uma apresentadora de TV popular do Egito aludiu à última fonte que legitima o assédio sexual e estupro no Egito, ou seja, os pregadores e líderes muçulmanos:

“O que foi dito a essas pessoas (estupradores) como lavagem cerebral, para induzi-los a pensar que tais violações sobre a pessoa e o corpo desta menina (a vítima do estupro) fossem permitidas?… Eu vou te dizer. Aquele parlamentar que disse isso, é o mesmo  homem que fez isso … E aquele que disse à menina que ela é uma infiel (ou descrente), é a mesma que no parlamento  disse que é permitido casar com uma menina de 9 anos (em referencia ao profeta Maomé, que se casou com uma menina-criança chamada Aisha).  Aqueles que nas mesquitas disseram a ele, ao parlamentar, que elas (as mulheres) estão nas profundezas do inferno e são iscas de Satanás, adúlteras, e que Satanás vive em seus corpos… Isto é o que eles dizem para elas nas mesquitas! E agora eles estão muito irritados (pregadores islâmicos), porque não podem mais continuar a pregar dessa forma nas mesquitas!

Agradecemos ao “ministro de doações religiosas” por parar esse escárnio! (O novo governo egípcio reprimiu os pregadores radicais).  Antes [no regime de Morsi], todo cara que gritou e pisou forte conseguiu um púlpito para pregar tais pensamentos na mente dos jovens, que em seguida, saíram pensando que estavam numa Jihad. Vejam, eles têm essa coisa na mente que diz: “Se amaldiçoarmos ou atacarmos um infiel, isso é Jihad”…  Em relação aos casos anteriores de assédio sexual, eles (as autoridades islâmicas) disseram às pessoas: “Por que ela (qualquer mulher violada) saiu de sua casa, em primeiro lugar? Ela merece o que ela tem”. Eles disseram: “Sua irmã precisa ser circuncidada!” Disseram: “Em casa, bata nela e dê disciplina, quebra-lhe os ossos; e se ela se recusar a fazer sexo com você, dizendo que ela está cansada ou doente, amaldiçoa ela com os anjos até o sol nascer.” Nós permitimos que essas pessoas enchessem suas mentes com essas idéias!

Essa honestidade é reminiscente de um Egito que surgiu depois que uma jovem copta foi assassinada por uma multidão pró-Irmandade Muçulmana porque a identificou como uma cristã:

Aqueles que mataram a jovem e vulnerável Mary Sameh George, por pendurar uma cruz em seu carro, não são criminosos, mas sim miseráveis que seguem aqueles que legalizaram, para eles, o homicídio, o linchamento, o desmembramento, e o desnudamento de jovens Cristãs – sem nem precisar dizer “mate.” Do [clérigo Islâmico] Yassir Burhami e seus colegas que anunciam seu ódio pelos Cristãos através de canais via satélite e nas mesquitas, alegando que o ódio dos cristãos é sinônimo de amor a Alá, — são os verdadeiros assassinos que precisam ser denunciados e processados.”

De qualquer forma, usando o assédio sexual e estupro para forçar as pessoas a cumprir agendas islâmicas tem uma longa história, especialmente no Egito. Em 2011, durante a “Primavera Árabe”, quando a Irmandade Muçulmana e outros muçulmanos foram libertados da prisão, legitimados e eventualmente ocupando o poder, o assédio sexual disparou como um gráfico mostrou. Além disso, a pesquisa da ONU realizada em 2013, quando Morsi era presidente, sugeriu que 99,3% das mulheres egípcias haviam sofrido assédio sexual.

De fato, em fevereiro de 2013, centenas de mulheres egípcias tomaram as ruas da Praça Tahrir para protestar contra esta perseguição sem fim. Elas mantiveram slogans como “O silêncio é inaceitável, minha raiva será ouvida“, e “Uma praça segura para todos; Abaixo o assédio sexual.” “Os manifestantes também gritaram cânticos contra o presidente Mohamed Morsi e o grupo Irmandade Muçulmana do qual ele vem”, escreveu o Al Ahram Online.

A resposta foi mais assédio sexual e estupros. Uma mulher foi estuprada por aproximadamente 20 minutos e quase morreu. E como Hala Sarhan acusou, elementos do governo de notório peso islâmico sob o comando de Morsi culpou as próprias mulheres, dizendo que:

“mulheres participando dos protestos devem arcar com a responsabilidade de serem assediadas sexualmente, (e) descrevendo o que acontece em tendas de alguns dos manifestantes como “prostituição”.  Major General Adel Afify, membro da comissão que representa o partido salafista Asala, criticou os manifestantes do sexo feminino, dizendo que elas “sabem que estão entre os bandidos. Elas devem proteger-se antes de solicitar que o Ministério do Interior o faça. Ao se envolverem em tais circunstâncias, a mulher tem 100 por cento de responsabilidade.”

Da mesma forma, o pregador popular salafista Abu Islam sarcasticamente culpou as vítimas:

“Eles dizem que as mulheres são a linha vermelha. Eles dizem que mulheres nuas [isto é, sem véus ou hijabs] —  que vão para a Praça Tahrir, porque elas querem ser estupradas, são a linha vermelha! E elas pedem a  Morsi e a Irmandade que deixem o poder!”Abu Islam acrescentou que estas mulheres ativistas estão indo para a Praça Tahrir não para protestar, mas para ser abusada sexualmente porque queriam ser estupradas. “Elas não têm vergonha, nem medo e nem feminismo. Pratiquem seu feminismo, Sheikha! É um direito legítimo para que você seja uma mulher”, disse ele. “E, a propósito, 90 por cento delas são cruzadas [ie Coptas Cristãs] e os 10 por cento restantes são de viúvas que não têm ninguém para controlá-las. Você vê mulheres falando como monstros”, acrescentou.

A única fresta de esperança nessa nuvem de estupro islâmico que paira sobre o Egito é que as diferenças entre Morsi e seu governo, a Irmandade Muçulmana, Sisi e o governo pós-Irmandade, já são aparentes.

Em resposta ao assédio sexual endêmico no Egito, o novo governo:

Aprovou uma lei que criminaliza todas as formas de assédio sexual … Um novo artigo, que foi emitido dentro do poder, adiciona uma punição severa para os culpados de contato sexual não desejado… Outras leis alteradas, nos termos do artigo 306, declaram que os culpados de assédio sexual verbal em local público ou privado serão condenados a um mínimo de seis meses de prisão e multa não inferior a EGP 3.000 ($ EUA 420).

Quando recentemente perguntei à alguns colegas analistas no Egito se Morsi alguma vez tomou qualquer medida contra o assédio sexual, a piada que recebi se alinhou com… “Tomar medidas? Foi ele quem encomendou o assédio sexual contra seus críticos do sexo feminino.”

Ainda assim, de acordo com o jornalismo da Western MSM, Sisi, que pelo menos parece estar introduzindo algumas medidas contra o assédio sexual, está sendo retratado pelo The Guardian de forma cínica. Enquanto Morsi, que nada fez, e cujos aliados muçulmannos foram responsáveis por incitar a violência contra as mulheres têm passe livre, da mesma forma que o The New York Times recentemente tentou culpar Sisi pela situação das minorias religiosas do Egito, sem mencionar que muitas vezes era Morsi e os muçulmanos que o colocaram lá em primeiro lugar.


Tradução: Sebastian Cazeiro

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