Genocídio Islâmico de Cristãos: Passado e Presente

Fonte/Source: The Islamic Genocide of Christians: Past and Present | Raymond Ibrahim http://buff.ly/1bfDdJZ


O Genocídio Islâmico de Cristãos: Passado e Presente

Por Raymond Ibrahim

 26 de abril de 2015

PJ Media

E em ambos os casos, as atrocidades foram e estão sendo cometidas em nome do Islã.

Em Novembro de 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, o califado Otomano emitiu uma fatwa, ou decreto Islâmico, proclamando que era um “Dever Sagrado” para todo Muçulmano de “massacrar” os infiéis – especificamente os “homens Cristãos” das forças da Tríplice Entente, nomeando-os “inimigos do Islã” — com promessas de grandes recompensas post mortem.

Os mesmos versos do Alcorão, que o Estado Islâmico (ISIS) equipa os jihadistas, através de citações regulares, permeiam a fatwa Otomana, incluindo: “matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os…” Verso (9: 5) e “Ó vós que credes não tome os Judeus e os Cristãos como amigos! Eles são amigos uns dos outros, e quem entre vós levá-los como amigo, então certamente ele é um deles” Verso (05:51) — e vários outros versos que formam a doutrina Islâmica de Lealdade e de Inimizade.

Muitos Muçulmanos ainda invocam essa doutrina; ela comanda o Muçulmano a proteger e ajudar outros Muçulmanos, enquanto tem inimizade por todos os não-Muçulmanos (um clérigo Islâmico inclusive ensina que os maridos Muçulmanos devem odiar as mulheres não-Muçulmanas, enquanto as apreciam sexualmente).

Como acontece hoje em dia, os Muçulmanos do califado Otomano, impossibilitados de atingir ou derrotar o infiel mais forte — os “homens Cristãos” da Grã-Bretanha, França e Rússia — saciaram sua sede de sangue nos súditos Cristãos. E justificaram o genocídio, projetando a doutrina Islâmica de Lealdade e Inimizade sobre os Cristãos alegando que: por serem Cristãos, os Armênios, os Assírios e os Gregos estavam naturalmente ajudando outros “homens Cristãos” do Ocidente.

Como acontece até hoje no âmbito do novo califado — o Estado Islâmico (ISIS) — o califado Otomano crucificou, decapitou, torturou, mutilou, violou, escravizou e massacrou incontáveis “infiéis” Cristãos. O número oficial de Armênios mortos no genocídio é de 1,5 milhões; centenas de milhares de Gregos e Assírios foram sistematicamente também abatidos. (veja este documento de estatísticas)

(Apesar de muitas pessoas falarem do “Genocídio Armênio”, os Assírios e os Gregos foram muitas vezes esquecidos apesar de também terem sido alvo da limpeza religiosa protagonizada pelo califado Otomano. O fato de Assírios, Gregos e Armênios serem Cristãos representou o único motivo que os distinguiu dos assuntos do califado Turco. Como um professor de estudos Armênios questiona: “Se ele [o Genocídio Armênio] fosse uma rixa entre Turcos e Armênios, o que explicaria o interesse Turco de levar a cabo o genocídio de Assírios Cristãos, ao mesmo tempo?”)

Henry Morgenthau, Embaixador dos EUA para o Império Otomano e testemunho pessoal das atrocidades, atestou que “Estou confiante de que toda a história da raça humana não contém um episódio tão terrível como esse”. E ainda acrescentou que os Turcos estavam fazendo um “Cuidadoso e bem planejado esquema para extinguir completamente a raça Armênia”. Em 1918, Morgenthau escreveu na Red Cross Magazine:

“Será que o terror ultrajante, a cruel tortura, a condução de mulheres aos haréns, o deboche para com meninas inocentes, a venda de muitas delas por oitenta centavos cada [hoje o Estado Islâmico (ISIS) vende escravas Cristãs e Yazidis por qualquer 43 dólares]. O assassinato de centenas de milhares, a deportação para os, e inanição nos, desertos de outras centenas de milhares, as centenas de aldeias e cidades destruídas; será que a execução intencional de todo esse esquema diabólico visando aniquilar Cristãos Armênios, Gregos e Sírios [ou Assírios] da Turquia —que tudo isso acabará em impunidade?”

Isto ocorre porque o genocídio de Cristãos é geralmente articulado através de um paradigma singularmente secular — que reconhece apenas fatores considerados inteligíveis a partir do ponto de vista Ocidental moderno; o qual nunca usa palavras como “Cristão” e “Muçulmano”, mas sim “Armênio” e “Turco” — e que poucos conseguem conectar esses eventos desde o século passado até hoje.

A guerra, é claro, é um outro fator que obscurece a verdadeira face do genocídio. Por ter acontecido durante a Primeira Guerra Mundial, o argumento, portanto, é em última análise uma reflexão sobre este ponto — guerra é nada mais que caos e destruição. Esta tem sido a postura de todos os governos Turcos sucessivamente. O presidente Turco Erdogan, nega de modo categórico que seus antecessores tenham cometido genocídio contra os Cristãos, argumentando que eram apenas vítimas de um período de guerra, e absurdamente também acusa a China de ter cometido “genocídio” em 2009, quando menos de 100 Muçulmanos Uigures foram mortos em confrontos com a segurança Chinesa.

A guerra era — e, como se verá, ainda é — um pretexto para saciar a barbárie jihadista. Winston Churchill, que descreveu o genocídio como um “holocausto administrativo”, corretamente observou que “a oportunidade [da Primeira Guerra Mundial] apresentou-se para limpar o solo Turco da raça Cristã”. Talaat Pasha, um dos “dictatorial triumvirate” do Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial, destacou que “a Turquia está se aproveitando da guerra para liquidar completamente os inimigos internos, ou seja, os Cristãos nativos, sem serem assim perturbados por uma intervenção estrangeira.”

Um século mais tarde, considere como as minorias Cristãs estão, ainda hoje, sendo sistematicamente decapitadas, crucificadas, torturadas, estupradas e escravizadas  e — sob o mesmo pretexto — a guerra. Em cada nação Árabe, os EUA têm ajudado a derrubar os regimes (seculares) autocratas — Iraque, Líbia, Síria — enquanto minorias Cristãs nativas têm sido massacradas por elementos jihadistas que uma vez foram contidos por Saddam Hussein, Muammar Gaddafi e Bashar Assad (leia aqui para mais informações).

O recente massacre de cerca de 30 Cristãos Etíopes executados pelo Estado Islâmico (ISIS) na Líbia — e há dois meses os 21 Egípcios Cristãos — são apenas o mais recentes serviços de perseguição aos Cristãos da “Pós-Primavera Árabe” na Líbia.

E não está limitado apenas ao mundo Árabe. No Norte da Nigéria, de maioria Muçulmana, os Muçulmanos liderados pela organização Islâmica Boko Haram, travam uma jihad selvagem contra as minorias Cristãs na região. O objetivo declarado do Boko Haram é purificar o Norte da Nigéria de todos os Cristãos — uma meta, que faz lembrar o passado.

Mas, mesmo em nações não-devastadas pela guerra, da Indonésia ao leste até o Marrocos ao oeste, da Ásia Central ao norte até a África subsaariana — em terras de diferentes raças, cores, línguas, política e economia; em terras que se divide apenas por maioria Muçulmana — os Cristãos estão sendo erradicados em diferentes graus. Na verdade, hoje em dia na Turquia, mesmo os Turcos nativos convertidos ao Cristianismo são regularmente perseguidos e às vezes assassinados em nome do Islã. Leia o meu livro, Crucified Again: Exposing Islam’s New War on Christians, para um relato abrangente do que pode, eventualmente, culminar no genocídio do século 21.

Não há como negar que a religião — ou neste contexto, o espectro milenar de perseguição Muçulmana contra as minorias Cristãs — foi crucial para o genocídio dos Armênios, Gregos e Assírios. Mesmo o fator mais citado, o conflito de identidade étnica, enquanto legítimo, deve ser entendido à luz do fato de que, historicamente, às vezes a religião contabiliza mais a identidade de uma pessoa do que linguagem ou herança — e certamente o fez com os Muçulmanos, no contexto de Lealdade e Inimizade. Isto é hoje em dia, demonstrado diariamente em todo mundo Islâmico ; onde governos Muçulmanos, máfias e jihadistas perseguem as minorias Cristãs – minorias que compartilham a mesma etnia, língua e cultura Muçulmana, mas não a religião — muitas vezes em represália ao Ocidente (assim como os Otomanos, como visto, estavam também “retaliando” as forças Aliadas ou Tríplice Entente).

Finalmente, para entender como o Genocídio de Cristãos Otomanos é representativo da situação contemporânea dos Cristãos sob o Islã em geral, do Estado Islâmico (ISIS) em particular, basta ler as seguintes palavras escritas em 1918 pelo Presidente Theodore Roosevelt — basta ler “Armênio” como “Cristão” e “Turco” como “Islâmico”:

“O massacre Armênio [Cristão] foi o maior crime de guerra, e o fracasso de agir contra a Turquia [o mundo Islâmico] é o de tolerá-lo… A incapacidade de lidar radicalmente com o horror Turco [o mundo Islâmico] significa que toda a conversa para garantir a paz no mundo e um futuro, não passa de perversidade sem sentido.”

De fato, se “falharmos em lidar radicalmente” com o “horror” que atualmente atingi milhões de Cristãos em todo mundo Islâmico — e que, em algumas áreas já atingiu proporções genocídicas, segundo as Nações Unidas — é porque nós “toleramos” e nesse caso seria  melhor parar com a “perversidade sem sentido” com relação a um mundo utópico de paz e tolerância.

Dito de outro modo, o silêncio é sempre um aliado de quem pode cometer genocídio. Em 1939, a véspera da Segunda Guerra Mundial, Hitler racionalizou seus planos genocidas contra os Judeus, de acordo com relatos, quando perguntou: “Quem, afinal de contas, fala hoje da aniquilação dos Armênios?”.

E quem fala hoje do contínuo extermínio de Cristãos pelo Islã?


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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