O Lado Sinistro do Sufismo

Fonte/Source: The sinister side of Sufism | IndiaFacts

 O Lado Sinistro do Sufismo

Por Ram Ohri – IndiaFacts (Truth Be Told)
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Dervixes Dançantes

Durante séculos o credo e a música Sufi vêm repercutindo como grandes símbolos de espiritualismo, promoção de paz e harmonia entre os Hindus e os Muçulmanos. O conceito inteligentemente marketeado da  espiritualidade Sufi tem sido inquestionavelmente aceito como marca da unidade Hindu-Muçulmana. Mas como acontece com a maioria dos mitos, a história se torna a primeira vítima.

Por esse motivo, estudamos a história dos Sufis, rastreamos a narrativa de sua vinda à Índia e analisamos o seu explícito papel missionário em promover conversões ao Islamismo. Mais ainda importante, é preciso avaliar: Como os Sufis se comportaram diante dos assassinatos e saqueamentos irresponsáveis por parte dos invasores Muçulmanos? Será que se opuseram aos assassinatos em massa sem sentido e tentaram impedir os incessantes saqueamentos de templos Hindus e das multidões inocentes? Será que os Sufis se opuseram contra a captura de homens indefesos e de mulheres como escravas e o uso delas como objeto de prazer carnal? Estas são algumas das questões que precisam ser encontradas por todos os genuínos estudantes de História Indiana.

Os Sufis Proeminentes na Índia

A maioria dos Sufis que chegaram à Índia vieram acompanhando os exércitos invasores e saqueadores Islâmicos ou seguiram na esteira das extensas conquistas feitas pelos soldados do Islã. Pelo menos os quatro seguintes Sufis famosos acompanharam os exércitos Muçulmanos, que repetidamente invadiram a Índia para atacar os governantes Hindus, capturar seus reinos e suas riquezas recorrendo aos extensos massacres de cidadãos comuns.

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Dervixes Dançantes

Quase todos os mestres Sufis agiam como espectadores silenciosos diante do caos assassino e das espoliações irresponsáveis dos templos e cidades pelas hordas de saqueadores através do subcontinente. Aproveitando o fato de que a população Hindu é profundamente impregnada de tradição espiritual e misticismo, os Sufis usaram de seu paradigma místico de cura aplicando um tipo de bálsamo nos cidadãos comuns derrotados, enlameados e traumatizados com o intuito de convertê-los à religião dos vitoriosos.

Os famosos Mestres Sufis a seguir, chegaram á Índia junto com os exércitos invasores Muçulmanos:

  1. Khwaja Moinuddin Chishti de Ajmer acompanhando o exército de Shihabuddin Ghori finalmente se instalou em Ajmer no ano de 1233 d.C.
  2. Khawaja Qutubuddin chegou a Delhi no ano de 1236 no comboio de Shihabuddin Ghori e daí por diante se instalou para promover a causa do Islã.
  3. Sheikh Faridudin chegou a Pattan (Paquistão) no ano de 1265.
  4. Sheikh Nizamuddin Auliya de Dargah Hazrat Nizamuddin chegou a Delhi no ano de 1335 acompanhando o contingente de invasores Muçulmanos.

Adicionalmente, o famoso Sufi Shihabuddin Suhrawardy de Baghdad foi trazido à Índia para conduzir o trabalho missionário de conversões pelo Bahauddin Zakariya de Multan muitas décadas depois do soberano Hindu ter sido derrotado e seu reino jogado ao lixo depois dos saques e da carnificina em grande escala.

Igual a todos os mestres Sufis, a sua maior função era aplicar o bálsamo da harmonia espiritual na população Hindu traumatizada e daí por diante, gradualmente, persuadir todos a se converterem ao Islã. Nem um único Sufi, os tão chamados místicos santos, se opôs a insana carnificina e as espoliações irresponsáveis, ou a destruição dos templos, aliás, nem à escravidão vampiresca dos tão chamados ‘infiéis’, homens e mulheres à venda nos bazares de Ghazni e Baghdad. Operando nas linhas secundárias do espiritualismo, inclusive com participação nos detalhes relativos à praticidade da governança, ajudaram os soberanos Muçulmanos a consolidarem a autoridade no país arrasado. E, de forma significativa, a participação deles nos assuntos de Estado não dependia se os soberanos Muçulmanos  atuavam de forma justa ou inclusive de maneira imparcial. Ao contrário, os Sufis invariavelmente tentavam ajudar os Sultões a seguirem os caminhos mostrados pelo Profeta e a Sharia.

Os Sufis eram praticantes Muçulmanos e não Seculares

images (22)Outro importante objetivo da pregação espiritual e mística dos Mestres Sufis foi o de aparar as arestas da resistência Hindu para impedi-los de se armarem para defender seus lares, sua terra natal e sua fé. Os Sufis fizeram isso através de uma fachada de paz e harmonia religiosa. Os Sufis Nagashbandi tiveram uma relação muito próxima com Jahangir e Aurangzeb. O famoso Santo Sufi de Punjab, Ahmad Sirhindi (Mujadid) da ordem Naqashbandi (1564-1634) considerou que a execução do líder Sikh Guru Arjun Dev pelo Jehangir foi uma grande vitória Islâmica. Ele acreditava e abertamente proclamava que o Islã e o Hinduísmo eram incompatíveis um com o outro e, portanto não podiam coexistir. Mesmo o Chishti Sufi, Miyan Mir, que foi amigo do Guru Arjun Dev mais tarde virou as costas ao Sikh Guru quando o último foi prezo pelo Jahangir e enviado à execução.

É preciso lembrar que o grande mestre Sufi do século XI, Al Qushairi (1072 d.C.) tinha claramente declarado que não havia discórdia entre os objetivos do Sufi ‘hagiga’ e os objetivos da Sharia. A definição dada pelo Al Hujwiri deveria ser suficiente para reprimir qualquer dúvida sobre o comprometimento dos Sufis quanto à defesa da supremacia da fé Islâmica sobre todas as religiões.

quranEste dogma tem sido a componente chave da filosofia do Sufismo não somente na Índia, mas através do mundo – da Índia a Hispania (i.e., Espanha). Al Hujwiri estabeleceu a Regra de Ouro a fim de que as palavras “não existe Deus salve Alá” seja a Verdade definitiva e as palavras “Muhammad é o Apóstolo de Alá” seja a Lei indisputável para todos os Sufis. Em outras palavras, Sufismo e Ulemá representam dois mesmíssimos aspectos da fé Islâmica, os quais são universalmente aceitos e obedecidos por todos os Muçulmanos.

O renomado mestre Sufi do século IX, Al Junaid, também conhecido como “O Sheik do Caminho”, e muito reverenciado como ancestral espiritual da fé Sufi, tinha proclamado categoricamente que para os Sufis “Todos os caminhos místicos estão proibidos, exceto aquele que segue as pegadas do Mensageiro (i.e., Profeta Muhammad (Maomé) [Fonte: Martin Lings, What is Sufism, George Allen & Unwin Ltd, London, 1975, p.101].

Sufis e a Lei Muçulmana

Recomendado por Reynold A. Nicholson no Prefácio do famoso tomo, ‘Kashaf al Mahjub’ (Taj & Co, Delhi, 1982). “Nenhum Sufi, mesmo aquele que obteve o grau máximo de santidade, está isento da obrigação de obedecer à lei religiosa”.

De fato, o famoso tomo, ‘Kashaf al Mahjub’ escrito por Ali bin Al-Hujwiri, que também era conhecido como  Data Ganj Baksh, era muito considerado como a gramática do pensamento e prática Sufi. A maioria dos Sufis tem invariavelmente esboçado o conteúdo desse tratado para a pregação do pensamento Sufi (também conhecido como Sufi sisals). Como já relatado, a página 140 do Kashaf al Mahjub Al Hujwiri espalhafatosamente proclama as palavras “não existe deus salve Alá para que seja a Verdade definitiva e as palavras Muhammad é o Apóstolo de Alá

A visão Sufi do Hinduismo
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Lord Ganesha – O Senhor dos Bons Inícios

K.A. Nizami no seu celebrado livro,  Life and Times of Shaikh Nizamuddin Auliya (Idarah-I Adabiyat-i-Delhi, Delhi) declarou que Aluliya abertamente costumava dizer que “o que o ulemá procura alcançar através do discurso, nós alcançamos com o nosso comportamento”.

Auliya era um fiel firme que buscava a obediência inquestionável de todo Muçulmano, de todo Sufi, às ordens do ulemá. De acordo com K.A. Nizami, outro santo Sufi Jamal Qiwamu`d-din escreveu que apesar de ter se associado com o Shaikh Nizamuddin Auliya durante anos, “nunca o vi faltar uma única sunnat…”.

A autoridade muito conhecida no Sufismo, S.A.A. Rizvi registrou em seu livro, ‘A History of Sufism in India’ que Nizamuddin Auliya costuma, sem hesitar, aceitar presentes enormes dado a ele pelo Khusraw Barwar o qual implicava que Auliya não se preocupava com a origem do presente, portanto que fosse pago em dinheiro. Ainda, Auliya costumava pregar que o infiel é o habitante fadado ao Inferno. No seu Khutba, não deixava ninguém ter duvidas que Allah tinha criado o Paraíso para os Crentes e o Inferno para os infiéis “a fim de reembolsar os ímpios por aquilo que fizeram”.

Isso foi categoricamente apresentado na página 161 do famoso tratado, Fawaid al-Fuad, traduzido por Bruce B. Lawrence (Paulist Press, New York, 1992); que Auliya confirmou à autoridade do grande jurista Islâmico, Imã Abu Hanifa, que a perdição dos infiéis é certa e o Inferno a única morada, mesmo que reconheçam e confessem total lealdade à Alá no Dia do Julgamento.

Sufis contra Hindus
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Lord Ganesha – Deus primordial cujo mantra Om (ॐ) é o mais importante do hinduísmo

No tratado mencionado acima sobre a filosofia Sufi, Fuwaid al-Fuad, foi citado um caso muito interessante de escravatura de Kaffir Hindus para ganhos monetários,  o qual mostra outro Sufi, Shayakh Ali Sijzi, fornecendo assistência financeira a um dos dervishes para que pudesse participar de um lucrativo mercado de escravos. Ele aconselhou ao dervixe que levasse “os escravos para Ghazni, onde o potencial de lucro ainda continua grande”. E isso foi confirmado pelo Nizamuddin Auliya que “o Dervixe obedecia”. Obviamente que, daí por diante, nem a ética espiritual ou a  justiça para todos, incluindo os infiéis, será o ponto forte dos santos Sufis.

Se a pregação com base nas narrativas e atos de Khwaja Moinuddin Chishti em Ajmer for considerada como indicação de sua filosofia religiosa e feito, ele emerge como um mestre Sufi que nutriu um profundo ódio contra os infiéis Hindus e demonstrou extremo desprezo pelas suas crenças religiosas.

Como elaborado por S.S.A. Rizvi em ‘A History of Sufism in India, Vol. 1 (Munshiram Manoharlal, 1978, p. 117); existe uma referencia no livro, Jawahar-i- Faridi, sobre o fato de que, quando Moinuddin Chishti chegou próximo do Lago Annasagar em Ajmer , onde foi localizado um número de santuários Hindus , ele matou uma vaca e cozinhou um kebab na sagrada praça rodeada por vários templos.

Além disso, reivindicou no Jawahar-i-Faridi que Khwaja havia secado dois lagos sagrados, Annasagar e Pansela, com o calor mágico do poder espiritual Islâmico. Ele inclusive afirmou ter feito a imagem  de um templo Hindu próximo a Annasagar recitar o Kalma.  Khwaja tinha um desejo ardente de destruir o Estado do bravo Rajput Kind, Prithiviraj Chauhan, tanto assim que atribui a vitoria de Muhammad Ghori na batalha de Taraint inteiramente a sua própria proeza espiritual e declarou que “Nós capturamos Pithaura viva e o entregamos ao exercito do Islã.” [Fonte: Siyar`l Auliya, citado por Rizvi na página 116 de ‘A History of Sufism in India’].

Os Sufis e o Patrocínio de Soberanos Muçulmanos

Durante todo o prolongado domínio Muçulmano na Índia, todos os Sufis apreciaram a confiança completa, os favores da Realeza e o patrocino dos cruéis soberanos Muçulmanos. Embora estupidamente aceito como “secular” pela maioria dos Hindus que buscava consolo espiritual depois de terem sido combatidos, machucados e marginalizados, quase todos os santos Sufis dogmaticamente seguiram os mandamentos contidos no Quran, no Hadith e na Sharia.

Historiadores registraram que muitos Sufis acompanhavam os exércitos Muçulmanos invasores para usarem seus poderes espirituais em prol das conquistas do Islã. Nenhum deles levantou sequer um único dedo; nenhum santo Sufi se levantou para proibir o assassinato de inocentes; nem questionaram a imposição da Jizya (imposto de “proteção”) pelos soberanos Muçulmanos. De fato, a maioria deles guiou os soberanos Muçulmanos para que levassem adiante suas conquistas missionárias e conversões, avançando as campanhas de saqueamentos de riquezas sobre os Hindus, das quais muitos Sufis voluntariamente tomaram parte.

Sufis não eram pro-Hindu

Isso foi quase um tabu para os Sufis, os tão chamados santos, aceitar um Hindu ascendendo ao trono de qualquer reinado durante os tempos áureos dos soberanos Muçulmanos. Em um exemplo narrado por S.A.A. Rizvi página 37, do seu bem pesquisado livro, The Wonder That Was India (Vol.II, Rupa & Co, 1993, New Delhi); menciona que quando o poderoso guerreiro Benali, King Ganesha, conquistou o poder em Bengali durante o ano de 1415 A.D., Ibrahim Shah Sharqi atacou o seu reino a pedido do indignado ulemá e de inúmeros Sufis de Bengal. Durante a luta que se seguiu, o líder Sufi de Bengal, Nur Qutb-i-Alam, intercedeu e garantiu um acordo político para beneficiar a comunidade Muçulmana e satisfazer os Sufis.

Sob terrível ameaça, king Gabesha foi forçado a abdicar de seu trono em favor do seu filho de 12 anos, Jadu, que tinha se convertido ao Islã e proclamado como Sultão Jalaluddin – para satisfação dos mestres Sufis. Similarmente, o Sultão Ahmed Shah de Gujarat (1411-42), embora praticante da filosofia Sufi, foi um iconoclasta duro de matar e que tinha prazer em destruir templos, como registrado no mesmo tomo, por S.A.A. Rizvi. O Sultão também costumava forçar os chefes Rajput a casar suas filhas com ele para que assim pudessem se tornar párias em sua própria comunidade. E no jogo final do Sultão poderia muito bem ser que, talvez, alguns dos párias pudessem então optar por se tornarem Muçulmanos.

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Lord Shiva: Deus da Renovação, Artes e Danças…

Lamentavelmente, devido à incansável colonização da mente Hindu durante 1.000 anos de longo e opressivo domínio Muçulmano, a população Hindu até os dias de hoje falha ao reconhecer que a tão chamada filosofia Sufi de harmonia religiosa é uma rua de mão única.  A tendência dos Hindus de orar em túmulos e dargahs foi alimentada pela forte corrente subterrânea de crença no espiritualismo entre a população Hindu, mesmo nas classes educadas. Este é o ponto crucial da questão. Profundamente mergulhados nas crenças tradicionais da espiritualidade e do misticismo, os Hindus desenvolveram o costume de visitar darghs e continuam rezando nas tumbas dos Sufis. Contudo, nenhum Muçulmano ou Sufi, alguma vez concordou em cultuar um templo Hindu, nem mesmo fazer uma reverencia perante as imagens dos Deuses ou Deusas Hindus. Para ele, seria um sacrilégio grosseiro, além de uma inaceitável violação dos dogmas do Sufismo.

Essa é a verdade sobre os santos Sufis 
e sua “filosofia” de harmonia inter-religiosa.

 


Tradução: Sebastian Cazeiro 

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