Sufismo Sem Camuflagem (Muito Além de Stephen Schwartz)

Photo/Capa: THE WHIRLING DERVISHES

Fonte/Source: Sufism Without Camouflage (Beyond Stephen Schwartz)

Sufismo Sem Camuflagem (Além de Stephen Schwartz)

6 de Fevereiro de 2005. 

Por Robert Spencer (Jihad Watch)

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Por conta de uma variedade de razões eu não tinha planejado publicar qualquer reposta ao artigo do Stephen Schwartz no Weekly Standard divulgando o Sufismo como pacífico e tolerante. No entanto, muitas pessoas me enviaram e-mails e ainda os vejo chegando, o que é um sinal de esperança. Eu sou pela esperança, mas não apoio a falsa esperança. Andrew G. Bostom reuniu este artigo, o qual lhe dará uma visão clara sobre os Sufis e o que os não-Muçulmanos podem esperar deles:

Stephen Schwartz, um convertido ao Sufismo Islâmico, que também já publicou sob o nome de Suleyman Ahmad Al-Kosovi, escreveu ao The Weekly Standard um novo discurso em louvor do Sufismo como um paradigma do pluralismo no seio do Islã. O qual foi reimpresso na revista FrontPage magazine com o subtítulo: “Existe uma tradição pluralista e tolerante no Islã. Não podemos nos dar ao luxo de ignorá-la.” No entanto, nesse artigo, ele não considerou como evidência o que apresentei a dois anos, na National Review Online, demonstrando que o Sufismo Islâmico, historicamente, tem sido tão intolerante quanto às outras tradições Islâmicas.

O Sufismo como praticado no subcontinente Hindu foi bastante intolerante com o Hinduísmo, como documentado pelo erudito Indiano K. S. Lal:

O Muçulmano Mushaikh [líderes espirituais Sufis] era tão interessado em conversões como o Ulemá, e ao contrário da crença geral, no lugar de serem gentis com os Hindus, como os santos deveriam ser, eles também desejavam que os Hindus fossem reconhecidos como cidadãos de segunda classe caso não se convertessem. Como exemplo, o Shaikh Abdul Quddus Gangoh precisa ser citado porque pertencia a Chishtia Silsila, considerada a mais tolerante de todos os grupos Sufis. Ele escreveu várias cartas ao Sultão Sikandar Lodi, Babur, e Humayun para revigorar a Shariat [Sharia] e reduzir os Hindus a meros pagadores de impostos territoriais e jizya.

Para Babur, ele escreveu, “Estenda um maior patrocínio e proteção aos teólogos e místicos… que devem ser mantidos e subsidiados pelo estado… A nenhum não-Muçulmano deve ser dado qualquer cargo ou emprego na Diwan do Islã. Além disso, em conformidade com os princípios da Shariat, devem ser submetidos a todos os tipos de indignações e humilhações. Eles devem ser obrigados a pagar a jizya… proibidos de vestir trajes Muçulmanos e forçados a manter seus Kufrs [infiéis] escondidos e não realizar as cerimônias dos seus Kufrs aberta e livremente… não devem estar autorizados a se considerar iguais aos Muçulmanos. (O Legado de domínio Muçulmano na Índia [1992], p. 237)

Desde aquela época, enquanto eu pesquisava meu próximo livro, The Legacy of Jihad, descobri que há muitos outros Sufis influentes que compartilharam e compartilham até hoje, essas mesmas visões fanáticas. A intolerância Sufi se apresenta claramente, sobretudo, nas traduções nunca antes publicadas do grande Sufi Al-Ghazali em pessoa (o qual apresentei no FrontPage magazine), bem como declarações de um importante ideólogo contemporâneo Xiita Sufi, Sultanhussein Tabandeh (também publicado no FrontPage magazine).

  1. Al-Ghazali
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Al-Ghazali

O eminente estudioso Islâmico W.M. Watt salienta a ortodoxia Muçulmana de Al-Ghazali. Ele diz que Al-Ghazali foi “aclamado tanto no Oriente e quanto no Ocidente como o maior Muçulmano depois de Muhammad (Maomé) e em hipótese alguma é desmerecedor de dignidade… Ele trouxe ortodoxia e misticismo ao contato mais próximo…; Os teólogos tornaram-se mais dispostos a aceitar os místicos como respeitáveis, enquanto os místicos estavam mais cuidadosos em permanecer dentro dos limites da ortodoxia.” [1]

Aqui está Al-Ghazali, evidentemente, sem intenção de partir ou do Sufismo ou da ortodoxia Muçulmana, escrevendo sobre a guerra (jihad) e o tratamento dos povos dhimmi não-Muçulmanos derrotados:

“Deve-se continuar a jihad (ou seja, ataques bélicos como razzias ou raids) ao menos uma vez ao ano… Pode-se usar uma catapulta contra eles [não-Muçulmanos] quando estão numa fortaleza, mesmo que mulheres e crianças estejam entre eles. Pode-se atear fogo neles e/ou afogá-los… Se uma pessoa da Ahl al-Kitab [Povo do Livro – principalmente Judeus e Cristãos] for escravizado, seu casamento é [automaticamente] revogado… Podem cortar suas árvores… É preciso destruir seus livros inúteis. Jihadistas podem tomar como espólio o que decidirem… Podem roubar tanto alimento quanto precisarem…”

“O dhimmi é obrigado a não mencionar Allah ou seu apóstolo… Judeus, Cristãos e Majians devem pagar a jizya [imposto de proteção para os não-Muçulmanos]… Em oferecendo a jizya, o dhimmi deve inclinar sua cabeça enquanto um Oficial de Coleta segura a sua barba e bate no [dhimmi] osso protuberante debaixo de sua orelha [isto é, a mandíbula]… Eles não estão autorizados a exibir ostensivamente seus vinhos ou os sinos da Igreja…

Suas casas não podem ser maiores que as dos Muçulmanos, e não importa o quão baixo isso seja. O dhimmi não pode montar num cavalo ou mula elegante; ele pode montar um burro apenas se a sela [de Trabalho] for de madeira. Ele não pode andar sobre a parte boa da estrada. Eles [os dhimmis] têm que usar [uma identificação] um remendo [em suas roupas], mesmo as mulheres, e até mesmo em banhos [públicos]… [dhimmis] devem segurar sua língua… [2] (Fonte: Wagjiz, escrito em 1101 AD. Ênfase adicionada).

  1. Tabandeh

Este líder moderno Sufi escreveu um tratado inteiro contra vários elementos da Declaração Universal dos Direitos Humanos que estão em desacordo com a Lei Islâmica: uma “Perspectiva Islâmica”, na Declaração Universal dos Direitos Humanos [3]. Segundo o Professor Eliz Sanasarian da Universidade de Southern California, que analisou a situação das minorias religiosas da República Islâmica, o panfleto de Tabandeh se tornou “o núcleo do trabalho ideológico sobre o qual o governo Iraniano… baseou a sua política aos não-Muçulmanos.” [4] Suas visões sobre os não-Muçulmanos, diz Sanasarian, foram postas em práticas “quase que literalmente na República Islâmica do Irã.” [5]

Tabandeh inicia sua discussão louvando o Shah Ismail I (1502-1524), o fanático, repressor e fundador [6] da dinastia Safavid, como um campeão “dos oprimidos.” [7] Ele reafirma a inferioridade tradicional dos não-Muçulmanos aos Muçulmanos como sacralizada pela Sharia:

Assim, se [um] muçulmano comete adultério, sua punição é: 100 chicotadas, raspar a cabeça, e um ano de exílio. Mas, se o homem não for Muçulmano e comete adultério com uma mulher Muçulmana à grande penalidade é a execução… Da mesma forma, se um Muçulmano deliberadamente assassinar outro Muçulmano ele cai sob a lei de retaliação e deve por lei ser condenado à morte pelo parente mais próximo. Mas, se um não-Muçulmano morrer nas mãos de um Muçulmano e que por hábito, ao longo da vida, foi um não-Muçulmano, a pena de morte não é válida. Em vez disso o assassino Muçulmano deve pagar uma multa e ser punido com o chicote. [8]

Como o Islã considera os não-Muçulmanos em um nível mais baixo de crença e convicção, se um Muçulmano matar um não-muçulmano…  Então sua punição não deve ser a morte de retaliação, uma vez que a fé e a convicção de que ele possui é mais elevada do que a do homem morto…  Mais uma vez, as punições ao culpado não-Muçulmano por adultério com uma mulher Muçulmana são aumentadas porque, além do crime contra a moral, o dever social e religião, ele cometeu um sacrilégio; ele desgraçou um Muçulmano e, assim, lançou desprezo sobre os Muçulmanos em geral, e por isso deve ser executado. [9]

O Islã e os seus seguidores devem estar acima dos infiéis, e nunca permitir que não-Muçulmanos adquiram domínio sobre eles. Desde o casamento de uma mulher Muçulmana com um marido infiel (de acordo com o versículo citado: ‘Os homens são os guardiões das mulheres’) significa que sua subordinação a um infiel, de fato, torna o casamento anulado, porque não obedece às condições previstas para fazer um contrato válido. Como na Sura (. ‘A Mulher para ser Examinada’, LX v 10), afirma: ‘Vire-as, mas não de costas para os infiéis: pois não são lícitas a infiéis nem são os infiéis lícitos a elas (ou seja, no casamento). [10]

Tabandeh não é uma aberração entre os Sufis. Ele segue a tradição dos Sufis Turcos dervixes cujo fanatismo violento contribuiu para a Islamização forçada dos Cristãos nativos da Ásia Menor (consulte a documentação abundante sobre isto no monumental trabalho de pesquisa do Professor Speros Vryonis intitulado The Decline of Medieval Hellenism in Asia Minor and the Process of Islamization from the Eleventh Through the Fifteenth Century”, Berkeley, 1971, pp. 340-43, e especialmente o capítulo 5, pp. 351-402).

Tabandeh deve também, sem dúvida, ter observado com aprovação os panfletos contra os não-Muçulmanos produzidos por proeminentes teólogos Sufis Indianos no séculos 17 e 18, incluindo professores Sufis, tratados como celebridades, como Sirhindi e Shah Walli Allah.

Algumas de suas declarações:

III. Sirhindi (d. 1624)

“Shariat pode ser fomentada através da espada.

Kufr (descrente) e Islã são opostos um ao outro. O progresso de um só é possível à custa do outro e co-existência entre estas duas crenças contraditórias é impensável.

A honra do Islã reside em insultar kufrs (descrentes) e kafirs (ateus). Aquele que respeita os kafirs desonra os Muçulmanos. Respeitá-los não significa apenas honrá-los, atribuindolhes um lugar de honra em qualquer assembléia, mas implica também estar na companhia deles ou demonstrar consideração. Devem ser mantidos à distância de um braço, como cães… Se alguns dos negócios no mundo não puderem ser realizados sem eles, neste caso, deve ser estabelecido apenas um mínimo de contato com eles, mas sem levá-los em confiança. O maior sentimento Islâmico afirma que é melhor renunciar qualquer negócio mundano e que não deva ser estabelecida uma relação com as kafirs.

O propósito real da cobrança da jizya sobre eles (os não-Muçulmanos) é para humilhá-los de tal forma que, por causa do medo da jizya, não serão capazes de se vestirem bem e nem viverem com grandiosidade. Eles devem permanecer constantemente aterrorizados e trêmulos. A intenção é mantê-los sob desprezo para defender a honra e poder do Islã.

O sacrifício de vacas na Índia é a mais nobre das práticas Islâmicas. Os kafirs provavelmente podem concordar em pagar jizya, mas eles nunca cederão ao sacrifício da vaca.

A execução do amaldiçoado kafir de Gobindwal [um Sikh que liderou uma revolta contra o domínio Muçulmano opressivo sobre a comunidade] é uma conquista importante e é a causa da grande derrota dos malditos Hindus… Qualquer motivo que possa estar por trás da execução, a desonra dos kafirs é um ato de benevolência para os Muçulmanos. Antes da execução dos kafirs tive a visão de que o Imperador tinha destruído a coroa da cabeça de Shirk. Na verdade ele era o chefe dos Mushriks e o líder dos kafirs.

Sempre que um judeu é morto, é para o benefício do Islã. [11]”

  1. Shah Wali-Allah (d. 1762)
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“Ficou claro na minha mente que o reino dos céus predestinou que os kafirs devem ser reduzidos ao estado de humilhação e tratados com total desprezo. Caso esse repositório de majestade e bravura indômita (Nizam al-Maluk) cinja os lombos e direcione sua atenção para tal tarefa, ele poderá conquistar o mundo. Assim, a fé se tornará mais popular e seu próprio poder reforçado; um pouco de esforço seria profundamente recompensado.

Ele não deveria fazer esforço, eles (o Marathas) seriam inevitavelmente enfraquecidos e aniquilados através das calamidades celestes e em tal caso ele não teria nenhum crédito… Como eu já aprendi isto de forma inequívoca (a partir do divino) eu escrevo espontaneamente para chamar a atenção para essa grande oportunidade colocada diante de você. Você não deve, portanto, ser negligente lutando a jihad.

Oh Reis! Mala a’la, exorta-o a tirar suas espadas e a não as colocá-las de volta em suas bainhas mais uma vez, até que Deus separe os Muçulmanos dos politeístas, os kafirs rebeldes, e os pecadores forem todos feitos absolutamente fracos e indefesos.”

Em seu testamento a ‘Umar, Abu Bakr o tinha informado que, se ele temia a Deus, o mundo inteiro teria medo dele (‘ Umar). Salva e declara que o mundo se assemelhava a uma sombra. Se um homem corresse atrás de sua sombra seria perseguido, e se ele tomasse o vôo da sombra ainda seria perseguido. Deus escolheu você como o protetor dos Sunitas porque não há mais ninguém para realizar este dever, e é fundamental que em todos os momentos você considere o seu papel como obrigatório. Ao tomar a espada para fazer o Islã supremo e subordinando a sua própria persona para a causa, você vai colher grandes benefícios.

Nós o rogamos (Durrani, um governante Muçulmano) em nome do Profeta a combater uma jihad contra os infiéis dessa região. Isso lhe dá direito a grandes recompensas diante de Deus Altíssimo e seu nome será incluído na lista daqueles que lutaram a jihad por Sua causa. No que diz respeito aos ganhos mundanos, um montante incalculável cairia nas mãos dos ghazis Islâmicos e os Muçulmanos seriam libertados dos seus títulos. A invasão de Nadir Shah, que destruiu os Muçulmanos deixou os Marathas e Jats seguros e prósperos. Isso resultou que os infiéis recuperaram a sua força e a redução dos líderes Muçulmanos de Nova Deli para meros fantoches.

Quando o exército conquistador chegar a uma área com população Muçulmana-Hindu mista, os guardas imperiais devem transferir os Muçulmanos de suas aldeias para as cidades e, ao mesmo tempo cuidar de sua propriedade. O apoio financeiro deve ser fornecido pelos governantes aos carentes e pobres, bem como aos Sayyids e os ulemás. A sua generosidade, então, se tornará famosa com orações rápidas para as suas vitórias. Cada cidade deve aguarda ansiosamente a chegada do exército Islâmico (‘aquele modelo ideal de generosidade’). Além disso, onde quer que haja até mesmo o menor medo de uma derrota Muçulmana, o exército Islâmico deveria estar lá para dispersar os infiéis a todos os cantos da terra. Jihad deve ser sua primeira prioridade, garantindo assim a segurança de todos os Muçulmanos. [12]

Conclusão

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Enquanto pintava o quadro sobre “as tradições iluminadas do Sufismo”, Stephen Schwartz não mencionou quaisquer destes dados. Poderia ter sido diferente se ele tivesse escrito simplesmente sobre alguns indivíduos, professores Sufis com visões iluminadas; mas quando afirma que as tradições do Sufismo em si “estressam… o respeito a todos os fiéis, sejam Muçulmanos, Cristãos, Judeus, Hindus, Budistas, entre outros”; bem como  “o compromisso com a civilidade mútua, interação e cooperação entre os crentes, independentemente da seita”, levanta questões que devem ser feitas à luz da sua recomendação de que países Ocidentais cultivam boas relações com Sufis por questão política.

Certamente Schwartz não pode sustentar que os ensinamentos dos Sufis proeminentes citados, de alguma forma refletem respeito aos não-Muçulmanos, ou a civilidade mútua. Ele não tem conhecimento desses ensinamentos, ou simplesmente é indiferente a eles?

E o mais importante, quais serão as consequências por ignorar ou encobrir estes elementos do Sufismo numa busca cada vez mais desesperada do indescritível Muçulmano moderado? Para as minorias não-Muçulmanas em apuros nos países Muçulmanos, que provavelmente sofrerão os efeitos mais diretos de qualquer envolvimento Ocidental em larga escala com o Sufismo, são perguntas para as quais uma resposta errada será onerosa ao extremo.

(O título deste artigo foi inspirado em um ensaio de 1919, “Mohammed Without Camouflage- Ecce Homo Arabicus”, pelo grande scholar Sufi Islam, W.H.T. Gairdner))

Tradução: Sebastian Cazeiro

NOTES
1. Watt, W.M. [Translator]. The Faith and Practice of Al-Ghazali, Oxford, England, 1953, p. 13.
2. Al-Ghazali (d. 1111). Kitab al-Wagiz fi fiqh madhab al-imam al-Safi’i, Beirut, 1979, pp. 186, 190-91; 199-200; 202-203. [English translation by Dr. Michael Schub.]
3. Tabandeh, Sultanhussein. A Muslim Commentary on the Universal Declaration of Human Rights, English translation by F. J. Goulding, London, 1970.
4. Sanasarian, Eliz. Religious Minorities in Iran, Cambridge University Press, 2000, p. 173, footnote 92.
5. Sanasarian, p. 25.
6. See earlier notes 10-12, and Seddon, C.N. (translator), A Chronicle of the Early Safawis [Being the Ahsanu’t-Tawarikh of Hasan-i-Rumlu], 1934, Vol. II, p. xiv.
7. Tabandeh, p. 4.
8. Tabandeh, p. 17.
9. Tabandeh, pp. 18-19.
10. Tabandeh, p. 37.
11. Saiyid Athar Abbas Rizvi, Muslim revivalist movements in northern India in the sixteenth and seventeenth centuries. Agra, Lucknow: Agra University, Balkrishna Book Co, 1965, pp. 247-50; Yohanan Friedmann, Shaykh Ahmad Sirhindi: an outline of his thought and a study of his image in the eyes of posterity. Montreal, McGill University, Institute of Islamic Studies, 1971, p.74.
12. Saiyid Athar Abbas Rizvi. Shah Wali-Allah and his times. Canberra, Australia, Ma’rifat Publishing House, 1980, pp. 294-296, 299, 301, 305.

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