Conteúdo do Alcorão-Sem Datação Carbono-Lança Mais Dúvida Sobre Islã

Fonte/Source: Koran’s Contents—Not Carbon Dating—Cast More Doubt on Islam | Raymond Ibrahim

Conteúdo do Alcorão-Sem Datação Carbono-Lança Mais Dúvida Sobre Islã

Por Raymond Ibrahim

3 de Setembro de 2015

FrontPage Magazine

A mídia está agitada com a notícia de que uma parte do Alcorão, a qual os Muçulmanos acreditam ser a primeira recitada pelo profeta Muhammad, pode de fato anteceder o próprio Muhammad. Muitos parecem pensar que tal notícia terá grande impacto no mundo Muçulmano e fará com que os Muçulmanos repensem sobre a veracidade de sua fé.

Um ameaça para o Islã? Não é provável.

Assim, Tom Holland, um historiador Britânico, afirma, “Isso desestabiliza, para dizer o mínimo, a ideia que nós podemos conhecer qualquer coisa com certeza sobre como o Alcorão surgiu. E isso, por sua vez, tem implicações para a historicidade de Muhammad e seus seguidores.”

Um consultor de manuscritos Alcorânicos da Biblioteca de Bodleian em Oxford, Dr. Keith Small, foi mais enfático e “disse ao Times que se a datação for confirmada, como acreditava que iria acontecer, poderia levantar sérios problemas para o Islã”, pois “isso alteraria radicalmente o edifício da tradição Islâmica”. A história da ascensão do Islã no antigo Oriente Próximo teria de ser completamente revista.

Pura bobagem.  Essa recente descoberta, longe de ameaçar “o edifício da tradição Islâmica” ou “levantar problemas para o Islã” está sendo usado atualmente em todo o mundo Muçulmano em apoio ao Islã, por uma série de razões.

Em primeiro lugar, a datação por carbono não é radicalmente incongruente com a datação Islâmica. Ela indica que o texto foi escrito em algum momento entre 568 e 645. A tradição Islâmica afirma que Muhammad viveu entre 570 e 635, que o Alcorão foi reunido e finalizado por volta de 650.

Em outras palavras, se o texto foi escrito entre 610-645 — um intervalo de 35 anos completos, que se ajustam ao teste por carbono — não representa nenhum problema para o Islã. Principalmente, porque os Muçulmanos acreditam que Muhammad começou a receber as “revelações” ou ayat (presságio, milagre, sinal), as quais se tornaram versos do Alcorão, aos 40 anos. Tudo o que eu quero dizer é que, em vez de acreditar que o Alcorão foi reunido em 650, partes foram escritas poucos anos antes.

Coisa que dificilmente irá balançar a fé da maioria dos Muçulmanos.

Na verdade, existe pouca coisa que os estudiosos Ocidentais e cientistas podem fazer ou dizer sobre o Islã, que possa ter alguma influência sobre a mentalidade Islâmica. O fato é que ao longo dos séculos, muita coisa surgiu que pode por a veracidade do Islã e do Alcorão em teste — seja a sugestão plausível de que Muhammad nunca existiu, certamente não o Muhammad da tradição Islâmica; se de fato o Alcorão, o qual se diz escrito em “puro Árabe” (leia os versos 12:2; 13:37), tem várias palavras em Siro-Aramaico nele, ou por ventura, que o Alcorão diz, muito literalmente, que o sol se põe numa poça de lama escura (verso 18:86).

A ciência não sustenta muita carga de mentalidade Islâmica moderna — especialmente quando contradiz o Alcorão. A terra é redonda? Assim dizem os infiéis, respondeu o falecido grão-mufti Saudita, Bin Baz: se o Alcorão diz que a terra é plana (verso 88:20), a terra é plana!

Curiosamente, mesmo no Ocidente, se as pessoas passarem a acreditar que o Alcorão é anterior a Muhammad, não fará muita diferença: nós ainda seremos instruídos a respeitar o Islã já que os Muçulmanos acreditam nele. Se alguém rejeita ou não a profecia de Muhammad (Maomé) — definição de um não-Muçulmano — ou se rejeita uma cronologia Islâmica tradicional é a mesma conclusão: o Islã é uma religião falsa.

O problema aqui é que nós estamos lidando com projeção recíproca —a mentalidade Ocidental projetando o seu antigo apreço pela razão aos Muçulmanos e a mentalidade Muçulmana projetando seus próprios métodos subversivos sobre o Outro, o infiel, o inimigo jurado. Os Ocidentais podem pensar que isso terá um impacto sobre a fé Muçulmana, porque sabem que teria um impacto sobre a sua própria. Por outro lado, os Muçulmanos, que desde o início têm construído sua fé lançando dúvidas e calúnias sobre as crenças dos outros, estão convencidos de que qualquer reivindicação Ocidental cientifica ou não, que lançar dúvidas sobre as origens do Islã é apenas a mais recente conspiração infiel.

Afinal de contas, não foi o próprio Muhammad, que ensinou que os textos do judaísmo e do cristianismo — a Bíblia — são corruptos e fraudulentos. Não é óbvio, Muçulmanos pensarem, que os infiéis irão jogar esse argumento em nós dizendo que o Alcorão é de autenticidade duvidosa?

Se a razão fosse uma pedra angular do pensamento Islâmico — ela foi colocada em seu túmulo pelo ulemá no século 10 — Muçulmanos teriam perdido a fé no Islã há muito tempo (muitos têm e nada fazem a não ser permanecer como Muçulmano nominal, com medo da penalidade por apostasia).

Enquanto isso, não é a idade do Alcorão, mas o seu conteúdo que fala contra a sua veracidade.

Um livro que pede para que matem selvagemente todos aqueles que não se submeterem a sua autoridade; que apela para decapitações, crucificações, e mutilações; que justifica o roubo, extorsão e escravidão sexual de “mulheres e crianças infiéis; um livro que apela à todos os ímpios, mas alega ter sido escrito por Deus, é falso por princípio. A datação por carbono é irrelevante.

Mas, claro, enquanto os acadêmicos Ocidentais, políticos e os meios de comunicação podem discutir abertamente o problema da datação por carbono do Alcorão, — afinal de contas, é “científico” — criticar o Alcorão do ponto de vista moral, o qual precisa ser feito nesse caso, continua a ser impensável (lembre que: a moralidade é relativa no Ocidente).

E assim, quando tudo for dito e feito, o mantra de que “o Islã é paz” continuará a ser entoado sem pensar no Ocidente.


Tradução: Sebastian Cazeiro

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