A Dança Hipnótica da Morte

Fonte/Source: The hypnotic dance of death

A Dança Hipnótica da Morte

Por 

28 de Janeiro de 2016

O totalitarismo cultural da era pós-moderna fez o impossível: mudou a própria natureza do homem

dervish

Durante a minha correspondência relacionada aos eventos em Colônia, Alemanha, o editor de um jornal Russo fez uma pergunta natural, mas desanimadora. Perplexo, me perguntou: “Onde estavam os homens Alemães?”

Na verdade, para aqueles de nós que cresceu na Rússia Soviética, seria inconcebível que alguns jovens bêbados pudessem zombar ou molestar publicamente meninas em véspera de Ano Novo, no centro de Moscou ou São Petersburgo. Caso eles se atrevessem a fazê-lo, não sobreviveriam até o dia seguinte; se tornariam “mártires” e achariam em seu caminho as 72 virgens, num reino completamente diferente.

Códigos de ética, embutidos em nós em um nível genético, exigiriam que intervíssemos em favor das mulheres. Especialmente numa situação em que homens adultos normais eram mais numerosos do que os estupradores, e os próprios estupradores não eram terroristas, ciborgues ou alienígenas, mas meros punks de rua.

Como se viu, na Alemanha, Suécia, Áustria e em outros lugares, esses códigos foram fatalmente violados. Um grande número de homens fortes e saudáveis ouviram meninas gritando, chorando, e viram os crimes cometidos, mas não fizeram nada para salvar as vítimas. Em casos raros, as meninas foram defendidas por migrantes de países da Europa Oriental ou do Terceiro Mundo.

Mas essa é apenas a primeira pergunta de uma longa série de perguntas simples. Poderíamos esperar que as mulheres, informadas sobre o abuso de meninas no dia seguinte, estariam em fúria, uma vez que há um instinto inerente a cada mulher normal, de resgatar uma criança ou proteger uma menina de abuso, estupro ou assédio. Mais uma vez, os códigos genéticos não funcionaram. Ouvimos mulheres culpando as vítimas e defendendo os estupradores. Ouvimos Henriette Reker, prefeito de Colônia, afirmando que “há sempre a possibilidade de manter certa distância, maior do que o comprimento de um braço”; Claudia Roth, do Partido Verde acusou uma “multidão organizada” na Internet de “incitar as pessoas à caça de não brancos.” Aprendemos sobre dezenas de jornalistas do sexo feminino que ocultaram a verdade porque os estupradores são “refugiados”. Feministas? Nós não ouvimos a sua voz. Como não ouvimos a sua voz na Suécia, Noruega e Inglaterra, onde milhares de meninas há muito se transformaram em “carne branca”.

Ao contrário, tudo o que ouvimos foi um murmúrio sutil, como a da perita Irmgard Kopetzky, afirmando que “a violência sexual é um problema para pessoas de todas as origens étnicas.”, “Os números mostram que a maioria das pessoas perpetrando ataques sexuais na Alemanha não é de origem imigrante”, segundo ela. Andrea den Boer, da Universidade de Kent, vê as raízes do problema na medida em que “a alteração da proporção entre os sexos, na população adulta jovem, demonstra também ser anormal em cerca de 110 meninos dessa idade para cada 100 meninas.” [Sic] É mesmo? Há também muito mais meninos do que meninas na China, Arménia, Azerbaijão. Alguém já ouviu falar sobre algo semelhante em Pequim, Erevan ou Baku? Por que, durante as revoluções na Romênia, Ucrânia, Geórgia e Moldávia não havia casos de estupro de meninas durante as manifestações, como aconteceu em Tahrir Square?

Quanto mais se abre a Caixa de Pandora, mais perguntas surgem. E sobre os políticos? Algum deles, esquerda ou direita, classificou isso do jeito que viram? Não. “O assédio sexual não está automaticamente vinculado à migração e imigração”, disse o primeiro-ministro Sueco Stefan Löfven em Davos. Certo! De acordo com um relatório do Conselho Nacional Sueco para a Prevenção do Crime (BRA) 20 anos antes, em 1996, as maiores taxas de condenações por estupro eram de indivíduos nascidos no Norte de África e no Iraque. Eles foram condenados por estupro a taxas de 17.5 vezes maior do que a taxa de Sueco nativo.

Estamos falando sobre uma situação comum, típica do mundo Muçulmano patriarcal — para os Iraquianos, Afegãos ou Somalianos — onde uma mulher não-Muçulmana não passa de um objeto sexual, uma presa fácil e natural, uma prostituta. Mulheres Coptas no Egito estão constantemente sujeitas a perseguições, apenas por serem Cristãs. A guerra civil no Líbano ocorreu inclusive por causa do estupro em massa de mulheres Cristãs por Palestinos. Quanto mais às mulheres Europeias, que estão acostumadas ao seu próprio código de vestimenta livre e não protegido por suas famílias.

Se os “refugiados” se atrevessem a fazer o mesmo em casa — na Argélia, Iraque, Afeganistão e Somália — com meninas Muçulmanas, seriam enterrados vivos. Existem leis rigorosas e opressivas de vingança do clã, e ninguém se atreve a assediar uma mulher de outro clã ou tribo sem trazer para si um castigo inevitável e cruel. As mulheres Europeias não têm proteção de suas famílias ou até mesmo do estado, com este último se posicionando ao lado do agressor. É por isso que estão condenados.

Por que os políticos Ocidentais estão paralisados pelo medo? Por que só os líderes da Europa Oriental se atrevem a dizer a verdade, tal como Miloš Zeman e Bohuslav Sobotka, o Presidente e o Primeiro-Ministro da República Checa; O primeiro-ministro Eslovaco, Robert Fico; e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán? A questão não passa por ideologia de direita ou esquerda. Zeman, Sobotka e Fico são Socialistas. A questão é sobre uma percepção saudável, normal do mundo com base em valores Europeus genuínos.

Por que aconteceu deles serem os únicos líderes, que poderiam dar tanto uma resposta corajosa e adequada à realidade dessa situação? Esses pequenos países, por estarem espremidos entre o peso morto de grandes impérios antigos e ter sobrevivido ao despotismo Soviético, conhecem o valor da liberdade e da dignidade. Foram vacinados contra ideologias universalistas. No entanto, é curioso ver que tanto a República Checa quanto a Eslováquia,  são os únicos países que aceitam os verdadeiros refugiados, os quais enfrentam um terrível destino — Cristãos e Yazidis do Iraque — e não os amadurecidos e jovens agressivos indo para a Europa em busca de uma vida fácil e de “carne branca”.

O que aconteceu com o mundo, quando homens, mulheres, políticos, e a elite traem suas filhas e filhos, a fim de agradar os recém-chegados, com seus instintos mais baixos e culto ao poder masculino?

A resposta é triste: a cultura do pós-modernismo conseguiu fazer o que não poderia ser alcançado mesmo pela máquina de propaganda comunista. Ela degradou o instinto de autopreservação, uma reação natural incorporada aos seres humanos em um nível genético, a capacidade de sentir compaixão e proteger uma vítima — uma mulher, uma menina, uma criança. Uma ideologia abstrata suprimiu a mente e os sentidos. Saí da Rússia como um inimigo do totalitarismo Soviético. Agora percebo que o totalitarismo cultural do politicamente correto acabou por ser muito mais venenoso.

O regime Soviético ditou regras duras e estabeleceu a censura. No entanto, as pessoas permaneceram seres humanos normais. Eles riram das autoridades, fizeram piadas sobre Brezhnev, fizeram filmes satíricos apesar da censura, e aprenderam a ler os jornais nas entrelinhas.

O totalitarismo Cultural conseguiu muito mais. Afirmou a autocensura implacável, transformou as pessoas em zumbis estéreis, e exterminou os sentidos básicos de responsabilidade e dignidade. Isso mudou a própria natureza do homem, e de fato, foi um experimento único sobre a própria população.

Há um pequeno animal carnívoro na Sibéria — o arminho. Ele caça coelhos e lebres, que são significativamente mais pesados, mais rápidos e mais fortes que o próprio arminho. Ele não rasteja, não cai numa emboscada e não captura suas presas na corrida. Ele executa uma dança hipnótica de morte na frente deles — com contorcionismos, saltos acrobáticos e saltos mortais. O arminho deslumbra a presa e, gradualmente se aproximando, agarra a sua garganta. O coelho morre de choque. Por que a presa permite que o arminho a deslumbre e a mate sem resistir? Os biólogos são incapazes de resolver o enigma da dança hipnótica do arminho.

Elites Ocidentais têm predestinado o seu próprio povo por meio de cambalhotas e acrobacias, os condenando ao mesmo destino do coelho infeliz. A dança hipnótica da morte está ganhando força.

Alexander Maistrovoy é autor de Agony of Hercules or a Farewell to Democracy (Notes of a Stranger).


Tradução: Sebastian Cazeiro

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Uma opinião sobre “A Dança Hipnótica da Morte”

  1. Artigo muito inteligente. Ele estimula a ir mais longe e procurar definições mais precisas para conceitos que ele nomeia, como por exemplo “a cultura do pos modernismo”.
    Estimulado pela descrição da dança hipnótica da morte do arminho da Sibéria, feita pelo autor, e pelo meu gosto pela identificação e descrição do funcionamentos de sistemas complexos (em geral), acho que a cultura do pos-modernismo à qual o autor se refere consiste na forma como o sistema se organizou para continuar a drenar recursos para elites que não merecem ter em mãos tantos recursos. Exemplos de esquemas organizacionais: cultivar os seguintes traços culturais: (1) a cultura da guerra que implica no armamentismo, (2) o consumismo desenfreado que implica em alienação de todos os tipos, (3) o desenvolvimento de entretenimentos alienantes, ligados também ao consumismo, (4) o consumo de drogas para se manter no ritmo da vida moderna ou para se alienar dela, (5) as práticas religiosas alienantes que sustentam igrejas de muitos matizes que são máquinas de alienação.
    Para mudar alguma coisa nisso aí, tem que mexer em muitos parâmetros do tal sistema. Parece que a humanidade atual não tem essa capacidade, pois os lugares onde se devia refletir sobre o modelo de um novo sistema e a evolução do atual sistema para o novo sistema, não fazem seu trabalho de casa.

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