Islã: Será que tem “sempre sido parte da América”?

Foto/Capa: John Adams – U.S. Presidents
Fonte/Source: Islam: Has It “Always Been Part of America”?

Islã: Será que tem “sempre sido parte da América”?

Por Joseph Klein

09 de fevereiro de 2016

O discurso do Obama na Mesquita versus a história.

O Presidente Barack Obama falou pela primeira vez como presidente numa Mesquita dos EUA no dia 03 de fevereiro de 2016. Sua escolha foi a Mesquita da Sociedade Islâmica de Baltimore, ligada à Irmandade Muçulmana, onde retratou o Islamismo como tendo “sempre sido parte da América”.

A Sociedade Islâmica de Baltimore foi criada em 1969. Se Obama quisesse falar da “mais antiga Mesquita, especialmente construída, e que ainda está em uso hoje em dia” dos Estados Unidos, para tentar demonstrar que o Islã tem “sempre sido parte da América”, teria considerado a de Cedar Rapids, Iowa. No entanto, não teria ajudado a sua causa. Essa Mesquita, conhecida como “a Mesquita Mãe da América,” remonta — rufem os tambores, por favor —  a 1934. A Mesquita mais antiga de os EUA foi construída em Dakota do Norte em 1929.

Para fornecer alguma perspectiva ao pouco tempo de existência das primeiras Mesquitas construídas nos Estados Unidos, a Sinagoga Touro, em Newport, Rhode Island, a mais antiga sinagoga Judaica sobrevivente construída na América do Norte, foi concluída em 1763.

No entanto, ao levantar a hipótese de que o Islã tem “sempre sido parte da América”, Obama observou que os Muçulmanos estavam chegando à costa já em tempos coloniais.

“Iniciando na época colonial, muitos dos escravos trazidos da África eram Muçulmanos”, declarou Obama.

Vale a pena recordar o Café da Manhã de Oração Nacional cerca de um ano atrás, quando Obama denunciou que “a escravidão… frequentemente foi justificada em nome de Cristo”. Ele, evidentemente, acredita que as primeiras ondas de Muçulmanos chegando a América como escravos foram totalmente vítimas do sistema Cristão escravagista. Ele não vai admitir a verdade: que seus irmãos Muçulmanos da África tinham vendido alguns dos “escravos trazidos da África” em primeiro lugar. Esses comerciantes de escravos Muçulmanos eram jihadistas operando em territórios do Oeste Africano que tinham sido violentamente dominados por guerreiros Muçulmanos e transformados em teocracias Islâmicas.

Muçulmanos trazidos para a América como escravos, cerca de 10 a 15 por cento do total da população escrava, trouxeram com eles a atitude da supremacia Islâmica, com a qual cresceram na África.

“Para viver como um Muçulmano nos séculos XVIII e XIX na África Ocidental era como viver numa sociedade cada vez mais intolerante”, escreveu Michael A. Gomez em seu artigo intitulado “Muslims in Early America” (Tradução: Muçulmanos nos Primórdios da América ) (Fonte: The Journal of Southern History). “Esse foi o período da jihad, do estabelecimento de teocracias Muçulmanas, de autopurificação e separação das práticas e crenças, vistas como contraditórias ao Islã”.

Alguns escravos Muçulmanos — “professores de religião Maometana”, como um dono de escravos os descreveu — foram colocados em posições de autoridade sobre os seus companheiros escravos e ajudaram a derrubar as insurreições de escravos. Um desses “professores de religião Maometana” se refere aos não escravos Muçulmanos como “cães Cristãos”.

Talvez essa repugnância, em geral, pela maioria da população colonial Cristã, explique por que apenas quatro ou mais Americanos, de nome com sonoridade Muçulmana, lutaram junto ao Exército Continental durante a Guerra Revolucionária. Por outro lado, mais de 100 Judeus serviram ao lado da América, 15 dos quais como oficiais.

Em todo caso, a primeira guerra da América contra estados estrangeiros, desde que alcançou a sua independência, foi contra potências Muçulmanas. Os potentados Muçulmanos do Estado da Barbária — Marrocos, Argélia, Tunes, e Tripolitânia — estavam saqueando navios comerciais Norte-Americanos e mantendo Americanos como reféns para pedir resgate, nos anos iniciais, logo após os Estados Unidos terem conquistado a independência da Grã-Bretanha. Eles foram à guerra contra os Estados Unidos quando a exigência por impostos foi recusada pelo presidente Thomas Jefferson. Foram necessárias duas guerras contra os Estado da Barbária para derrotar essa ameaça Muçulmana.

Ambos Jefferson e John Adams haviam confrontado a ideologia teocrática jihadista Islâmica anos antes, quando tentaram negociar um fim aos ataques de piratas Muçulmanos do Estado da Barbária e a captura de reféns Americanos para resgate. Enquanto Jefferson estava servindo como embaixador na França e Adams como embaixador na Grã-Bretanha, se encontraram em Londres com Sidi Haji Abdul Rahman Adja, o embaixador da Grã-Bretanha a partir de “Dey of Algiers.” Eles queriam saber por que os governantes Muçulmanos estavam sancionando os ataques a navios mercantes Norte-Americanos e fazendo reféns Americanos quando o jovem Estados Unidos tinha feito absolutamente nada para provocar qualquer um dos Estados Muçulmanos da Barbária.

Como descrito por Jefferson e Adams em carta a John Jay em 28 de Março de 1786, o embaixador Muçulmano explicou que a conduta dos piratas do Estado da Barbária “foi fundada a partir das Leis de seu Profeta, que isso estava escrito no Alcorão, que todas as nações que não reconhecessem sua autoridade seriam pecadores, que era seu direito e dever fazer guerra contra eles onde quer fossem encontrados, e escravizar todos que pudessem tomar como Prisioneiros, e que cada Musselman morto em batalha tenha a certeza de que irá para o Paraíso”.

Nota do tradutor: Etimologicamente, o arcaico “Musselman” é derivado do Turco Otomano (e do antigo Persa) “Mosalmun” [Mosælmɒn]; ambas significam “Muçulmano”.

Em suma, quando o recém-independente Estados Unidos estava em seu momento mais vulnerável, o nosso país enfrentou inimigos Muçulmanos animados pela jihad.

No entanto, em seu discurso na Mesquita da Sociedade Islâmica de Baltimore, o Presidente Obama tentou demonstrar a influência positiva do Islã sobre os Pais Fundadores. Fez alusão ao fato de que “Jefferson e John Adams tinham suas próprias cópias do Alcorão.” É verdade, mas isso é apenas uma parte da história.

Por exemplo, Obama negligenciou ao não compartilhar com sua audiência, um comentário nada elogioso sobre o Islã, que apareceu no prefácio da edição especial do Alcorão que John Adams escolheu para comprar:

“Este livro é uma longa conferência de Deus, de anjos, e Maomé, o qual esse falso profeta muito grosseiramente inventou… Hás de saber que tais absurdos infectaram a melhor parte do mundo, e reconhecerá, que o conhecimento do que está contido neste livro, vai tornar essa lei desprezível…”.

John Adams evidentemente acreditava no que o comentário do prefácio de seu Alcorão tinha concluído. Em numa carta que Adams escreveu a Thomas Jefferson em 16 de Julho de 1814, Adams aglomerou Napoleão, “Mahomet” e outros famosos guerreiros da história juntos sob o rótulo de “Fanático Militar”. Adams adicionou, como traduzido do Latim para o Inglês: “Ele nega que as leis foram feitas por ele, e reivindica tudo pela força das armas”.

O filho de John Adams, John Quincy Adams, foi ainda mais direto: “O preceito do Alcorão é, guerra perpétua contra todos os que negam que Maomé é o profeta de Deus”.

Quanto a Thomas Jefferson, estudou a sua cópia do Alcorão para compreender a sua jurisprudência. Rejeitou algumas das mais severas prescrições da Sharia, tais como o corte de membros, como punição por roubar. Tais punições são desproporcionais, disse ele, “apresentam espetáculos na execução cujo efeito moral seria questionável”.

Depois de um estudo mais aprofundado do Alcorão e de diversos materiais sobre o Islã, assim como aprendendo da sua experiência com o jihadista Embaixador Sidi Haji Abdul Rahman Adja, Jefferson concluiu que não poderia haver nenhuma negociação ou compromisso com os jihadistas. Como presidente, como já observado, lançou ataques contra as forças Muçulmanas. O acompanhamento dos ataques pelo Presidente Madison levou, finalmente, a derrota das potências Muçulmanas.

Em sua obra “Como Thomas Jefferson lê o Alcorão“, o professor Kevin J. Hayes escreveu: “O que Jefferson encontrou mais perturbador sobre o Alcorão foram as reivindicações Islâmicas à sua infalibilidade”.

Aparentemente, Obama não compartilha as preocupações de Jefferson sobre o rígido dogma Islâmico. Continua insistindo na sua afirmação de que o Islã tem “sempre sido parte da América.” No entanto, a primeira grande onda de imigração voluntária dos Muçulmanos aos Estados Unidos ocorreu entre 1880 e 1924, enquanto a primeira onda de Judeus Sefarditas chegou às colônias durante o século XVII.

Obama mencionou durante o decorrer de suas observações na Sociedade Islâmica de Baltimore que ” Muçulmanos Americanos trabalharam na linha de montagem de Henry Ford, dando partida nos carros.” Ofereceu isso como exemplo para mostrar como as “Gerações de Muçulmanos Americanos ajudaram a construir a nossa nação.” Imigrantes Judeus se uniram aos Muçulmanos Americanos na linha de montagem. Mas foi um arquiteto Judeu, um imigrante da Prússia chamado Albert Kahn, a quem Henry Ford contratou para projetar a primeira fábrica em que uma linha de montagem em movimento contínuo poderia ser usada para fabricar o Modelo T.

O Presidente Obama reivindicou que entre os Muçulmanos Americanos incluem “cientistas que ganham prêmios Nobel.” Só a partir de 2015, que apenas um dos três vencedores do Prêmio Nobel Muçulmano da ciência em todo o mundo foi para um Muçulmano Americano, que ganhou o prêmio em 1999.

O primeiro vencedor do Prémio Nobel Americano Judaico da ciência, Albert Abraham Michelson, era um imigrante da Prússia. Recebeu o prêmio em 1907. Pelo menos 80 Judeus que ganharam o Prêmio Nobel das ciências foram dos Estados Unidos.

No campo do direito, foi um longo caminho até 1981 para que o primeiro Muçulmano na história do país pudesse servir como juiz. Ou seja, quando Adam Shakoor, um Muçulmano Africano-Americano, foi nomeado juiz do Tribunal de Pequenas Causas para Wayne County, Michigan. O Conselho jihadista de Relações Islâmico-Americanas (CAIR) honrou o juiz Shakoor com um banquete em 2015. “Agradeço a Alá, e agradeço a Alá, e agradeço a Alá pelo serviço que tenho sido capaz de prestar”, disse Shakoor recebendo o prêmio da CAIR.

De acordo com uma pesquisa recente de Muçulmanos Americanos, encomendado pelo Centro de Política de Segurança, a maioria (51%) concordou que “Muçulmanos nos Estados Unidos devem ter a opção de ser governado de acordo com a Sharia”.

A primeira nomeação judicial, em toda historia Americana, de Adam Shakoor, ocorreu 71 anos após Robert Heberton Terrell, filho de escravos, se tornar o primeiro Africano-Americano a servir numa corte federal, em 1910. Terrell fez um discurso em 1903, intitulado “Um Olhar para o Passado e o Presente do Negro”, no qual mencionou que os descendentes de escravos vindo da África tinham “adquirido a língua e adotado a religião de um grande povo”. Ele se refere a Deus cinco vezes nesse discurso, e não menciona Alá. Referiu-se ao Cristianismo, e não ao Islamismo, como fonte de inspiração à libertação dos escravos.

Em suma, o destaque descarado de que o Islã é uma força positiva que tem “sempre sido parte da América” simplesmente não é apoiado pelo registro histórico. Nenhuma Mesquita foi construída nos Estados Unidos até o início do século XX. Comerciantes de escravos Muçulmanos permitiram que o mercado de escravos se desenvolvesse na América. A primeira guerra que o jovem Estados Unidos enfrentou contra potências estrangeiras foi contra estados Muçulmanos. Os fundadores citados por Obama, que possuíam exemplares do Alcorão, não se sentiam confortáveis ​​com a rigidez da doutrina Islâmica e sua mentalidade guerreira. As contribuições  Muçulmana Americana para áreas como a ciência e a jurisprudência, só começaram seriamente bem depois do meio do século XX.

Se Obama decidir falar de outra Mesquita nos EUA, enquanto for presidente, fará melhor concentrar suas observações sobre incentivo Muçulmano Americano para assimilar mais plenamente a cultura Americana. Isso inclui o respeito pela Constituição dos Estados Unidos da América como lei suprema do país.


Sobre Joseph KLEIN:

Joseph Klein é um advogado formado em Harvard e autor de Global Deception: The UN’s Stealth Assault on America’s Freedom and Lethal Engagement: Barack Hussein Obama, the United Nations & Radical Islam.


Traduzido por: Sebastian Cazeiro

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