“Será que o Papa atual será forçado a fugir de Roma?”

Foto/Cover: Alessandro Di Meo / EPA file 

Fonte/Source: Immigration, Reason, and Responsibility | Catholic World Report – Global Church news and views via RAYMOND IBRAHIM

Imigração, Razão e Responsabilidade

Por William Kilpatrick

25 de Março de 2016

Migrantes e refugiados aguardando numa longa fila para receber alimentos distribuídos por voluntários após a sua chegada em Atenas, Grécia, no 25 de Fevereiro. (CNS foto / Simela Pantzartzi, EPA)

Donald Trump levantou recentemente o espectro de um ataque do Estado Islâmico (ISIS) sobre o Vaticano. O Sr. Trump gosta de afirmar que é sempre o primeiro, a saber, o que o futuro pressagia, mas neste caso chegou atrasado. Em Janeiro deste ano, escrevi um artigo intitulado “Será que o futuro Papa será forçado a fugir de Roma?”. Daqui a um ano, talvez seja mais pertinente perguntar se o atual Papa será forçado a fugir.

Há um ano, a Europa vem gradualmente acelerando em direção à completa Islamização. Naquele tempo geralmente estimava-se que o processo levaria décadas ou mesmo a maior parte do século para chegar à conclusão. Mas o súbito influxo de migrantes Muçulmanos e refugiados em 2015 empurrou o acelerador para frente a toda a velocidade. Só a Alemanha arrecadou mais de um milhão de migrantes em 2015. E uma vez que muitos dos migrantes são homens jovens, estima-se que em menos de um ano haverá um grande número de homens Muçulmanos em idade de combate na Alemanha, como existem Alemães nativos da mesma faixa etária.

Migrantes tendem a não ficar na Itália, em grande parte, por conta dos escassos benefícios sociais, de forma que pode levar um tempo para o total efeito ser sentido em Roma.  Ainda assim, e não parece cedo demais, podemos contemplar a possibilidade do Papa Francisco ser forçado a fugir de Roma. Desde a queda de Constantinopla, conquistar Roma tem sido o maior objetivo dos Muçulmanos. Em Julho de 2014 Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico (ISIS) renovou a esperança de suas tropas com a promessa de que “vocês irão conquistar Roma e serão os donos do mundo”. Agora que o Estado Islâmico (ISIS) está inserido na Líbia, a rota para Roma é relativamente curta e direta.

Naturalmente, uma saída forçada não é a única alternativa. Dependendo de como o processo de Islamização desenrolar, o Papa pode ser autorizado a ficar em Roma. Mas a Igreja na Europa será uma Igreja muito diminuída e o Papa terá que respeitar as regras aplicadas aos dhimmis. Sua posição nesse caso seria semelhante a do Papa Copta do Egito: precária se um Muçulmano como Mohamed Morsi estiver no poder; suportável se um Muçulmano Iluminado, como Presidente El-Sisi estivesse no poder.

Mas, esse é o cenário otimista. No pior dos cenários, devemos contemplar não só a partida do Papa, mas também o fim do Cristianismo na Europa. Julgando pela contínua perseguição dos Cristãos no Oriente Médio, África e outras partes do mundo Muçulmano não se podem dar ao luxo de ser demasiado otimista diante do panorama Cristãos Europeu. Na verdade, a Europa Cristã enfrenta a maior ameaça à sua existência desde os exércitos do sultão Mehmed IV convergiram para Viena em 1683.

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Foto: Alessandro Di Meo / EPA file — Um raio atinge a cúpula da Basílica de São Pedro no Vaticano, durante uma tempestade em 11 de Fevereiro de 2013, no mesmo dia em que o Papa Bento XVI anunciou sua renúncia.

Só que desta vez as tropas avançadas já estão dentro dos portões. Além disso, as regras politicamente corretas de engajamento tornam a autodefesa uma proposição arriscada, como no caso de uma adolescente Dinamarquesa que foi multada por usar spray de pimenta para repelir um homem que a agredia sexualmente. A situação é muito pior do que qualquer um poderia ter imaginado há um ano. Migrantes Muçulmanos hospedados em Centros de asilo na Alemanha assaltam (estupram) Cristãos e abusam sexualmente mulheres e crianças. Um menino de dez anos foi estuprado por um migrante Muçulmano numa piscina pública em Viena. Gangues Muçulmanas armados com barras de ferro vagam pelas pequenas cidades da Europa à procura de vítimas para espancar. Um menino de uma escola na Suécia foi esfaqueado até a morte por defender uma menina contra o abuso sexual por parte de um colega de escola Muçulmano. Judeus temem usar o kipá. Mulheres solteiras têm medo de andar sozinhas. As mães têm medo de deixar seus filhos visitarem os parques infantis. Os próprios policiais muitas vezes têm medo e há inúmeros casos de policiais em retirada diante das gangues Muçulmanas. Em partes do norte da Inglaterra, policiais estão sendo orientados a não dirigir ao trabalho vestindo uniforme para não serem atacados.

Além do mais, temos uma situação susceptível de gerar graves consequências a cada onda sucessiva de migrantes Muçulmanos. Como os Europeus já perceberam que a polícia é incapaz de defendê-los ou não querem, irão resolver o assunto com as próprias mãos. Numerosos movimentos de resistência já se formaram em toda a Europa, juntamente com organizações de autodefesa locais e até mesmo grupos de vigilantes. Rifles já estão sendo vendidos em lugares como a Áustria e a Suécia. Cursos para manuseio de armas de fogo estão com excesso de inscrições. O confronto entre os habitantes locais e os migrantes eclodiu em cidades que eram pacíficas no passado. Muitos estão prevendo uma guerra étnica em grande escala com dezenas de milhares ou mesmo centenas de milhares de vítimas.

A ironia é que, se o caos se abater sobre a Europa, o Papa Francisco juntamente com outros da mesma hierarquia terão que arcar com parte da responsabilidade. Isto é, por estarem na vanguarda dos que pedem de braços abertos, pelo acolhimento de refugiados e migrantes Muçulmanos.

Papa Francisco abordou a situação dos refugiados em várias ocasiões. Geralmente falando sobre seu sofrimento, sua fuga da guerra e da opressão, e seu desejo de liberdade. Comparou a sua migração a jornada de Abraão a Terra Prometida, ao Êxodo do povo escolhido, e a fuga da Sagrada Família ao Egito. Falou também sobre as contribuições benéficas que os migrantes irão introduzir nas culturas anfitriãs.

Quanto às culturas anfitriãs? Nesse ponto, Francisco é um pouco menos generoso. Ele adverte às sociedades que os acolhem contra a “mente-fechada”, a “intransigência”, cedendo a temores, e adotando atitude de “fria indiferença”. Em sua mais recente observação sobre o assunto, afirmou que: “Uma pessoa que só pensa em construir muros… e não em construir pontes, não é Cristão”. Claramente sente que os cidadãos Ocidentais têm a obrigação moral de acolher os refugiados.

Mas, o Papa e os numerosos Bispos, que disseram a mesma coisa sobre a imigração, terão alguma responsabilidade moral, quando suas esperanças para um continente harmonioso são infundadas?

A vida é imprevisível. E não há nenhuma maneira de sabermos com certeza se suas ações bem intencionadas darão frutos. Ainda assim, é geralmente melhor errar do lado da caridade. Algumas coisas, no entanto, são mais previsíveis do que outras. Muito antes da onda de refugiados chegar em 2015, já era dolorosamente óbvio que algo estava terrivelmente errado com a imigração Muçulmana. Os Muçulmanos, em geral, não estavam assimilando a cultura Europeia. Muitos viviam em guetos auto-segregados e em zonas de exclusão. Muçulmanos tinham altas taxas desproporcionais de crime violento e dependência da assistência social. E tempos após tempo haviam tentado impor seus próprios códigos culturais e religiosos aos outros.

O problema com a postura, da hierarquia pró-Muçulmana de imigração, é o seu quase total desrespeito aos fatos. Ao ler as declarações episcopais sobre o assunto, tem-se a impressão de que todas as migrações são essencialmente benignas: a de que, para usar as palavras do Papa, todos os migrantes procuram a “dignidade e a igualdade de cada pessoa, o amor ao próximo… a liberdade de consciência e de solidariedade para com os nossos semelhantes homens e mulheres”. “A maioria dos Muçulmanos, no entanto, caso leve a sua fé a sério, não compartilha essa visão comum”. O Islã prescreve um conjunto de regras aos Muçulmanos e outros códigos muito mais duros aos não-Muçulmanos. Além disso, a teologia Islâmica contém o que equivale a uma doutrina do destino manifesto.

O Alcorão, juntamente com outras escrituras, comanda os Muçulmanos a lutar contra os infiéis até que toda a adoração seja somente por Alá. A atitude do Bispo em relação à imigração Muçulmana não só demonstra um desrespeito pela teologia Islâmica, mas também aos 1400 anos de história. Durante esses catorze séculos, a agressão Islâmica contra os não-Muçulmanos tem sido uma constante que atravessa culturas, geografia, raça e língua. Como documenta Raymond Ibrahim em  Crucified Again o padrão de perseguição carrega exatamente a mesma forma quer seja na África, Oriente Médio, Ásia Central, ou Sudeste Asiático.

Em seguida temos a história atual. Os Bispos devem estar cientes da enorme mudança populacional que já estava em andamento antes de 2015. Nos Países Baixos e na Bélgica, 50 por cento de todos os recém-nascidos são Muçulmanos. No Reino Unido, o nome mais popular para bebês é “Mohammed”. Em Viena, Birmingham, e Marselha há mais crianças Muçulmanas que crianças Cristãs. No sul da França, há mais Mesquitas que Igrejas. Os Bispos devem estar cientes da epidemia de estupro na Inglaterra e na Suécia. Devem estar cientes dos numerosos ataques terroristas em toda a Europa. Devem saber que Estado Islâmico (ISIS) tem afirmado a intenção de se infiltrar na população de refugiados. Devem estar cientes agora que, de 70 a 75 por cento dos refugiados de 2015 eram homens jovens, e não mulheres e crianças.

A vida é imprevisível, no entanto, não se pode dar ao luxo de ignorar as probabilidades da mesma. Tanto o padrão do passado, quanto o padrão do presente, sugere fortemente que a experiência da Europa em relação à imigração Muçulmana em massa vai acabar mal. Alguns Bispos estão tardiamente acordando para essa possibilidade. Cardeal Reinhard Marx, que preside a Conferência Episcopal Alemã, era até há pouco tempo, um dos mais fortes defensores da imigração Muçulmana e fez questão de cumprimentar os refugiados na estação de trem. Agora, talvez em resposta às agressões sexuais em massa, perto da Catedral de Colônia, o Cardeal tem uma mensagem diferente. Em uma entrevista recente ao Passauer Neue Presse, disse: “Como Igreja, dizemos que precisamos de uma redução do número de refugiados”. Ele acrescentou: “A Alemanha não pode absorver todos os necessitados do mundo”. A resposta da Igreja à crise dos migrantes, afirmou, não deve ser apenas uma questão de “caridade, mas também de razão”.

Muita miséria poderia ter sido evitada se líderes políticos e líderes da Igreja na Europa tivessem antes aplicado à regra da razão. Como o professor Stephen Krason observa:

Insistir que essa gama de questões relacionadas à imigração ilegal deva ser ignorada simplesmente porque a Escritura diz para “acolher o estrangeiro” não é apenas um literalismo impermeável ao contexto e a qualificação, mas pede para que as pessoas entreguem suas mentes. Catolicismo, no entanto, não é uma religião de “fé cega”, mas uma em que a fé e a razão trabalham em harmonia.

Assim como precisamos ser cautelosos com relação à fé cega, é preciso ter o cuidado com a caridade cega. Uma das razões pela qual o mundo Cristão não tem sido preparado para o ataque Islâmico é a prevalência do pensamento politicamente correto. Em certo sentido, o politicamente correto é uma forma de falsa caridade. No caso do Islã, é um acordo tácito para poupar os sentimentos dos Muçulmanos, fingindo que não há um lado repulsivo no Islã. Mas este silêncio caridoso sobre a ameaça do Islamismo teve o efeito de colocar os Cristãos em risco, negando-lhes o conhecimento crucial.

Durante uma recente entrevista com um repórter Francês, Jean-Clément Jeanbart, Católico Arcebispo Melquita de Aleppo, criticou os meios de comunicação Europeus e alguns de seus colegas Bispos por ignorarem a perseguição Muçulmana aos Cristãos do Oriente Médio: “Porque seus Bispos estão em silêncio, sobre uma ameaça que também é sua hoje em dia? Porque os Bispos são como você, criados no politicamente correto. Mas Jesus nunca foi politicamente correto, ele era politicamente justo!” Acrescentou:

“A responsabilidade de um Bispo é ensinar, e usar a sua influência para transmitir a verdade. Por que seus Bispos têm medo de falar? Claro que seriam criticados, mas isso lhes daria a chance de se defender e defender a verdade. Você deve lembrar que o silêncio muitas vezes significa consentimento”.

Quanto à celebração da imigração em massa da Europa, o Arcebispo disse isto:

O egoísmo e os interesses servilmente defendidos por seus governos, no final, também irão matá-lo. Abra seus olhos, você não viu o que aconteceu recentemente em Paris?

Em agosto de 2014, Emil Nona, o Cardeal Arcebispo exilado de Mosul emitiu um alerta semelhante sobre ingenuidade com relação à imigração Muçulmana. Vamos dar a ele a última palavra:

Os nossos sofrimentos são o prelúdio daquilo que você, os Europeus e os Cristãos Ocidentais, também sofrerão no futuro próximo… Você deve considerar novamente a nossa realidade no Oriente Médio, porque você está acolhendo em seus países um número crescente de Muçulmanos. Além disso, você está em perigo. Você deve tomar decisões fortes e corajosas, mesmo à custa de contradizer seus princípios. Você acha que todos os homens são iguais, mas isso não é verdade: O Islã não diz que todos os homens são iguais. Os seus valores não são os valores deles. Se você não entender isso, em breve irão se tornar vítimas do inimigo, aos quais vocês deram boas-vindas em sua casa.


Sobre o Autor:

William Kilpatrick lecionou por muitos anos no Boston College. Autor de vários livros sobre questões culturais e religiosas, incluindo Psychological Seduction, Why Johnny Can’t Tell Right from Wrong e, mais recentemente, Christianity, Islam, and Atheism: The Struggle for the Soul of the West. Os artigos do Professor Kilpatrick sobre temas culturais e educacionais têm aparecido no First Things; Policy Review; American Enterprise; American Educador; The Los Angeles Times, entre várias outras revistas acadêmicas. Seus artigos sobre o Islã têm aparecido em Aleteia; National Catholic Register; Investor’s Business Daily; FrontPage Magazine entre outras publicações. O trabalho do professor Kilpatrick é apoiado em parte pela Shillman Foundation. Para saber mais sobre o seu trabalho e escritos, visite o website: turningpointproject.com.


Tradução: Sebastian Cazeiro

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