Islã 101 — A Guerra do Islã Contra o Mundo

Fonte/Source: Islam 101 — Robert Spencer -JIhad Watch

Photo Cover (Capa) Credit: Alcorão – Uma das cópias mais antigas

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 Islã 101 

A Guerra do Islã Contra o Mundo

Por Gregory M. Davis

Autor:  Religion of Peace? Islam’s War Against the World Produtor/Diretor:  Islam: What the West Needs to Know — An Examination of Islam, Violence, and the Fate of the Non-Muslim World Disponível em PDF (Inglês)http://www.jihadwatch.org/islam101.pdf

Islã 101 disponível em PDF:  Islã 101 em PDF (Português)

Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis


O Islã 101 tem como objetivo, educar as pessoas sobre os fundamentos do Islã,  ajudar aos inteirados sobre o assunto a transmitirem a história e os fatos recentes com precisão. Da mesma forma, o livro e o documentário são destinados a servir como explicações concisas dos principais acontecimentos relativos ao Islã e suas implicações para a sociedade ocidental.  Islã 101 expõe a inadequação dos pontos de vista predominantes. Todos devem sentir-se livres para distribuir e/ou reproduzir este trabalho.

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Sumário:

1) O Básico

a) Os Cincos Pilares do Islã

b) O Alcorão — O livro de Alá

c) Suna — O “Caminho” do Profeta Muhammad

1-A Batalha de Badr
2-A Batalha de Uhud
3-A Batalha de Medina
4-A Conquista de Meca

d) A Lei Sharia

2) Jihad e Dhimmitude

a) O que significa “Jihad”?

b) Muçulmano e Acadêmico:  Hasan Al-Banna na jihad

c) Dar al-Islã e Dar al-harb: a Casa do Islã e a Casa de Guerra

i) Taqiyya — Falsidade Religiosa

d) Jihad através da História

i)   A primeira grande onda da Jihad: Árabes, 622-750 d.C.
II) A segunda grande onda da Jihad: Turcos, 1071-1683 d.C.

e)  A Dhimma
f) A Jihad na Era Moderna

3) Conclusão

4) Perguntas frequentes

a) E sobre as cruzadas?
b) Se o Islã é violento, por que tantos Muçulmanos pacíficos?
c) E sobre as passagens violentas na Bíblia?
d) Uma “reforma” Islâmica poderia pacificar o Islã?
e) E sobre a história do colonialismo Ocidental no mundo Islâmico?
f) Como é possível uma ideologia política violenta tornar-se a segunda maior religião e com o mais rápido crescimento do planeta?
g) É justo caracterizar todas as escolas do pensamento Islâmico como violentas?
h) E sobre as grandes conquistas da civilização Islâmica?

5) Glossário de termos

6) Outras fontes


1 – O Básico

a – Os Cinco Pilares do Islã

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Os Cinco Pilares do Islã constituem os princípios mais básicos da religião. Eles são:

1- Fé (Imã) na unicidade de Alá e na finalidade da missão profética de Muhammad (Maomé) indicado pela declaração [Shahadah] que, “não há nenhum Deus, mas Alá e Muhammad(Maomé) é o Mensageiro de Alá

2- Manutenção das cinco orações diárias regulares (salah).

3- A esmola (zakat).

4- Jejum (sawm).

5- Peregrinação (hajj) a Meca para aqueles que são capazes.

Os Cinco Pilares não nos dizem muito sobre a fé ou o que se espera que um Muçulmano acredite ou como ele deve agir. Do segundo ao quinto Pilar — oração, esmola, jejum, peregrinação — vemos apenas aspectos compartilhados por muitas religiões. A finalidade da missão profética de Muhammad, no entanto, é exclusiva do Islã. Para entender o Islã e o que significa ser um Muçulmano, precisamos entender Muhammad, bem como as revelações dadas através dele por Alá, que compõem o Alcorão.

 b – O Alcorão — o Livro de Alá

De acordo com o ensinamento Islâmico, o Alcorão surgiu de uma série de revelações de Alá, através do Arcanjo Gabriel, ao Profeta Muhammad, que em seguida prescreveu aos seus seguidores. Os companheiros de Muhammad memorizaram os fragmentos do Alcorão e os registraram sobre que estava em mãos, os quais mais tarde foram compilados em forma de livro sob a supervisão do terceiro Califa Uthman, alguns anos depois da morte de Muhammad (Maomé).

O Alcorão é tão grande como o novo testamento Cristão. É composto de 114 Suras (não deve ser confundido com o Sira, que remete à vida do Profeta) de diferentes comprimentos, que podem ser consideradas como capítulos. De acordo com a doutrina Islâmica, foi por volta de 610 d.C. , numa caverna perto da cidade de Meca (atualmente sudoeste da Arábia Saudita), que Muhammad recebeu a primeira revelação de Alá por meio do Arcanjo Gabriel.

A revelação meramente ordenou Muhammad a “recitar” ou “ler” (Sura 96); Ele foi instruído a proferir palavras que não eram suas, mas de Alá.   Ao longo dos próximos doze anos ou mais, em Meca, outras revelações chegaram a Muhammad, constituídas de mensagens aos habitantes da cidade, para que abandonassem seus costumes pagãos e e se devotassem somente a Alá, o Único.

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Enquanto em Meca, embora tenha condenado o paganismo (na maior parte), Muhammad mostrou grande respeito ao monoteísmo dos habitantes Judeus e Cristãos.

Na verdade, o Alá do Alcorão afirmou ser o mesmo Deus adorado pelos Judeus e Cristãos, e que agora havia se revelado ao povo Árabe através de seu mensageiro escolhido, o Profeta Muhammad. São os versículos corânicos que surgiram mais tarde na carreira de Muhammad, depois que ele e os primeiros Muçulmanos haviam trocado Meca pela cidade de Medina, que transformou o Islã, de uma forma relativamente benigna de monoteísmo para uma ideologia expansionista, político-militar que persiste até hoje.

O Islã ortodoxo rejeita que a tradução do Alcorão para outro idioma seja da forma como a Bíblia de King James é para a tradução original das Escrituras Grego-Hebraicas. A questão muitas vezes levantada por apologistas Islâmicos, para distorcer a crítica, é que apenas os leitores Árabes podem entender o Alcorão. Mas o Árabe é uma língua como qualquer outra e plenamente capaz de tradução. Na verdade, a maioria dos Muçulmanos não são leitores Árabes. Na análise a seguir, usamos uma tradução do Alcorão por dois estudiosos Muçulmanos. Todas as explicações e:ntre pa:rênteses no texto são de responsabilidade dos tradutores; minhas interjeições estão entre chaves, {}.

Aqueles Ocidentais que conseguem ler uma tradução do Alcorão, ficam muitas vezes desnorteados quanto ao seu significado, graças a ignorância sobre um princípio extremamente importante ou vital para a compreensão e interpretação do Alcorão, conhecido como “revogação” ou “abrogation” na língua Inglesa. O princípio da revogação — al-naskh wa al-mansukh (o que revoga ou é revogado) — determina que os versículos revelados mais tarde na carreira de Muhammad “revogam” — isto é, cancelam e substituem — aqueles versículos anteriores cujas instruções estão em contradição.  Assim, passagens reveladas mais tarde na carreira de Muhammad, em Medina, ignoram as passagens reveladas anteriormente, em Meca. O próprio Alcorão estabelece o princípio de revogação:

maome

Verso 2:106.  
Qualquer (revelação) que um verso traga, 
Nós {Alá} revogamos ou fazemos esquecer, 
e Trazemos um verso melhor ou semelhante a ele. 
Você não sabe que Alá é capaz de fazer qualquer coisa?

Parece que o verso 2:106 foi revelado em resposta ao ceticismo dirigida a Muhammad que as revelações de Alá não eram inteiramente consistentes ao longo do tempo. A refutação de Muhammad foi que “Alá é capaz de fazer qualquer coisa” — até mesmo mudar de ideia. Para confundir mais ainda a coisa toda, embora o Alcorão tenha sido revelado a Muhammad sequencialmente ao longo vinte anos, não foi compilado em ordem cronológica. Quando o Alcorão finalmente foi agrupado em forma de livro, sob a supervisão do Califa Uthman, as Suras foram ordenadas do maior ao menor texto, sem conexão com a ordem em que foram reveladas e o conteúdo temático.

Para que possamos descobrir o que o Alcorão diz sobre um determinado tema, é necessário examinar outras fontes Islâmicas, que dão pistas sobre quando na vida de Muhammad ocorreram as revelações. Após o exame, descobre-se que as Suras de Meca, reveladas no tempo em que os Muçulmanos estavam vulneráveis, são geralmente benignas; e as Suras de Medina, posteriores, reveladas depois que Muhammad tornou-se um chefe de exército, belicosas.

Vamos ver, por exemplo, 50:45 e Sura 109, ambas reveladas em Meca:

“50:45. Nós sabemos bem o que eles dizem; e ti (Ó Muhammad) não é um tirano sobre eles (para forçá-los à crença). Mas avisa pelo Alcorão, àquele que teme a minha Ameaça.   109:1. Diz (Ó Muhammad para estes Mushrikun e Kafirun): “O Al-Kafirun (os incrédulos em Alá, em sua unidade, em seus anjos, em seus livros, em seus mensageiros, no Dia da Ressurreição) e em  Al-Qadar {por ordem divina e sustentador de todas as coisas}, etc.”

 109:1  “Diz Ó Incrédulos
109:2. “Não adoro o que você adorais.
109:3. “Nem vós adorais o que adoro.
109:4. “E jamais adorarei o que adorais.
109:5. “Nem vós adorareis o que adoro.
109:6. “Vós tendes a vossa religião e eu tenho a minha. (Monoteísmo Islâmico).”

Essa passagem revela, após os Muçulmanos terem chegado a Medina, que ainda estavam vulneráveis:

“Verso 2:256. Não há imposição quanto à religião, porque já se destacou a verdade do erro. Quem renegar o sedutor (Taghut {idolatria}) e crer em Alá, Ter-se-á apegado a um firme e inquebrantável sustentáculo, porque Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo.”

Em contraste, veja o verso 9:5, comumente referido como o “Verso da Espada”, revelado próximo ao final da vida de Muhammad:

“Verso 9:5 Mas quanto os meses sagrados (os meses 1, 7, 11 e 12 do Calendário Islâmico) houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, e observem a oração  —As-Salat (Iqamat-as-Salat {as orações rituais Islâmicas}) — e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Alá é Indulgente, Misericordiosíssimo.”

Tendo sido revelado mais tarde na vida de Muhammad do que os versos 50:45, 109 e 256, o Verso da Espada revoga as injunções pacíficas em conformidade com o verso 2:106. Sura 8, revelados pouco antes da Sura 9, que revela  um tema semelhante:

“Verso 8:39. E lute com eles até que não haja mais nenhuma Fitnah (descrença e politeísmo: ou seja, adorar outros além de Alá) e a religião (adoração) estará por Alá Solitário [em todo o mundo]. Mas se eles pararem ( de adorar outros além de Alta), então certamente, Alta é todo-observador do que eles fazem.”

“Verso 8:67 Não é dado a profeta algum fazer prisioneiros (e libertá-los com resgate) antes de lhes haver subjugado inteiramente a região. Vós (fiéis), ambicionais o fútil da vida (ou seja, o dinheiro do resgate para libertar os cativos) terrena; em troca, Alá quer para vós a bem-aventurança do outro mundo, porque Alá é Poderoso, Prudentíssimo.”

“Verso 9:29. Combatei aqueles que não creem em Alá e no Dia do Juízo Final, nem abstêm do que Deus e Seu Mensageiro proibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro, até que, submissos, paguem o Jizya.”

“Verso 9:33. Ele {Alá} foi Quem enviou Seu Mensageiro (Muhammad) com a Orientação e a verdadeira religião, para fazê-la prevalecer sobre todas as outras, embora isso desgostasse os idólatras (politeístas, pagãos, idólatras, descrentes na unicidade de Alá).”

Os Mandamentos do Alcorão para que Muçulmanos façam guerra em nome de Alá contra não-Muçulmanos são inconfundíveis. São, além de tudo, absolutamente autênticos — e foram revelados no final de carreira do Profeta — e devem cancelar e substituir as instruções anteriores, as de agir pacificamente. Sem o conhecimento do princípio de revogação, os ocidentais continuarão a descaracterizar o Alcorão e a diagnosticar o Islã como uma “religião da paz”.

C – A Suna — o “Caminho” do Profeta Muhammad

Gods_Preservation_of_the_Sunnah_(part_6_of_7)_001No Islã, Muhammad é considerado al-insan al-kamil (o “Homem Ideal”). Muhammad de forma alguma é considerado Divino, nem é adorado (nenhuma imagem de Muhammad (Maomé) é permitida para não incentivar a idolatria), mas ele é o modelo por excelência para todos os Muçulmanos de como devem conduzir-se. É através de ensinamentos pessoais e ações de Muhammad — que compõem o “Caminho do Profeta,” Suna — que os Muçulmanos distinguem o que é uma vida boa e sagrada. Detalhes sobre o profeta — como ele viveu o que ele fez seus enunciados não-Corânicos, seus hábitos pessoais — são conhecimentos indispensáveis para todos os fiéis Muçulmanos.

O conhecimento da Suna vem principalmente dos Ahadith— (plural de Hadith) — (“relatos”) sobre a vida de Muhammad, que foram transmitidos oralmente até serem codificadas no século VIII d.C., algumas centenas de anos após a morte de Muhammad. Os Hadiths constituem o mais importante livro de textos Islâmicos depois do Alcorão; São basicamente uma coleção de episódios sobre a vida de Muhammad, que acredita-se ter originado através dos que o conheceram pessoalmente. Existem milhares e milhares de Ahadith, alguns através de várias páginas, alguns apenas através de algumas linhas. Quando os Ahadith foram compilados pela primeira vez no Século VIII d.C., ficou óbvio que muitos eram autênticos. Os primeiros estudiosos Muçulmanos do Hadith tiveram muito trabalho tentando determinar quais Ahadith eram autênticos e quais eram suspeitos.

hadith-textOs Ahadith aqui expostos são da mais alta confiança e autenticidade e exclusivos da coleção Sahih Al-Bukhari, reconhecida como fonte para todas as escolas de Estudos Islâmicos, traduzido por um estudioso Muçulmano e que podem ser encontra aqui. Diferentes traduções do Hadith podem variar para cada volume, livro e número, mas o conteúdo é o mesmo. Para cada Hadith, as informações classificadas são primeiramente listadas, depois seguem o nome do criador do Hadith (geralmente alguém que conhecia Muhammad pessoalmente) e o conteúdo propriamente dito. Enquanto a absoluta autenticidade, até do som de um Hadith, é dificilmente assegurada, no entanto, são aceitos como autênticos dentro do contexto Islâmico.

Dado que  Muhammad, ele mesmo, é o instrumento de medição da moralidade, suas ações não são julgadas de acordo com um padrão moral independente, mas ao invés disso, estabelece o padrão que acha correto para os Muçulmanos.

“Volume 7, livro 62, número 88; Narrador Ursa: O Profeta escreveu o (contrato de casamento) com Aisha quando ela tinha seis anos de idade. Consumou o seu casamento quando ela tinha nove anos que permaneceu com ele ainda por nove anos (ou seja, até sua morte).Volume 8, livro 82, número 795; Narrador Anas: O Profeta cortou as mãos e os pés dos homens pertencentes à tribo de Uraina e não os cauterizou (seus membros sangrentos ) até a morte.”

“Volume 2, livro 23, número 413; Narrador Abdullah bin Umar: os Judeus {de Medina}  trouxeram para o Profeta um homem e uma mulher, dentre eles, que cometeram(adultério) relações sexuais ilegais. Ordenou que os dois fossem apedrejados até a morte, perto do local onde se oferecem orações á funerais ao lado da Mesquita.”

“Volume 9, livro 84, número 57; Narrador Ikrima:  Alguns Zanadiqa (ateístas) foram trazidos para Ali {o quarto Califa} que os queimou. A notícia desse evento chegou a Ibn ‘ Abbas, que disse  “Se eu estivesse no lugar dele, não teria queimado, como o Apóstolo de Alá proibiu, e mais”, não puniria alguém com a punição de Alá (fogo).” Eu os mataria de acordo com as instruções do Apóstolo de Alá, “Qualquer um que abandonar a religião Islâmica, deve morrer .”

“Volume 1, livro 2, número 25; Narrador Abu Huraira: O Apóstolo de Alá foi perguntado, “Qual a melhor ação?”  Ele então respondeu: “Acreditar em Alá e seu apóstolo (Muhammad). O interrogador então perguntou: “Qual é a próxima (por bondade)?” Ele respondeu: “Participar de uma Jihad (guerra religiosa) pela causa de Alá.”

No Islã, não há nenhum sentido “natural” de moralidade ou justiça que transcenda os exemplos específicos ou regras descritas no Alcorão e na Suna, porque Muhammad é considerado o último Profeta de Alá e o Alcorão “o Eterno”, palavras inalteráveis de Alá, e por isso não contém nenhuma moralidade em evolução que permita a modificação ou integração da moralidade Islâmica com outras fontes. Todo o universo moral Islâmico está ancorado na vida e nos ensinamentos de Muhammad (Maomé).

Junto  com os confiáveis Ahadith, uma outra fonte de conhecimento aceita sobre Muhammad vem da Sira (vida) do Profeta, composto por um dos grandes estudiosos e acadêmicos do Islã, Muhammad bin Ishaq, do Século VIII d.C.

A carreira profética de Muhammad é dividida em dois segmentos: o primeiro em Meca, onde ele trabalhou por quatorze anos convertendo pessoas ao Islã e mais tarde na cidade de Medina (a cidade do Apóstolo de Alá), onde se tornou um poderoso líder político e militar. Em Meca, vemos uma figura quase bíblica, pregando o arrependimento e a caridade, assediado, rejeitado por aqueles ao redor dele. Mais tarde, em Medina, vemos um comandante capaz e estrategista que sistematicamente conquistou e matou aqueles que se opunham a ele.

São nos anos posteriores da vida de Muhammad, de 622 d.C. até sua morte em 632 d.C., que raramente articula-se uma discussão em boa companhia. Foi em 622 d.C., — quando o Profeta já tinha mais de 50 anos de idade, — que ele e seus seguidores fizeram a Hijra (emigração), de Meca para o oásis de Yathrib — mais tarde renomeado Medina — uns 200 km ao Norte. O novo monoteísmo de Muhammad enfureceu os líderes pagãos de Meca, e a ida para Medina foi precipitada por um provável atentado à vida de Muhammad. Ele enviou emissários para Medina para garantir que seria bem vindo. Foi aceito pelas tribos de Medina como o líder dos Muçulmanos e como árbitro das disputas entre as tribos.

Pouco antes de Muhammad fugir da hostilidade de Meca, um novo lote de convertidos Muçulmanos prometeu lealdade numa colina fora de Meca, chamada de Aqaba.

Ishaq revela aqui na Sira, o significado do evento:

“Sira, p.208: Quando Alá deu permissão ao seu apóstolo para lutar, a segunda Aqaba {juramento de fidelidade } continha condições envolvendo guerras que não estavam no primeiro ato da “lealdade”.  Agora eles {seguidores de Muhammad} se uniam para lutar contra tudo e todos por Alá e seu apóstolo, enquanto prometia aos guerreiros fiéis pelo serviço prestado, a recompensa no paraíso.”

Que a religião nascente de Muhammad tinha sofrido uma mudança significativa naquele momento é fato. O acadêmico Ishaq pretendia demonstrar claramente aos seus leitores (Muçulmanos), que enquanto nos primeiros anos, o Islã era um credo relativamente tolerante e que podia “suportar insultos e perdoar os ignorantes,” Alá em breve convocaria os  Muçulmanos “para a guerra contra tudo e todos por Alá e seu apóstolo.

“O Calendário Islâmico atesta a importância da Hijra, definindo o primeiro ano a contar da data de sua ocorrência. O ano da Hijra, em 622 d.C.., é considerado mais significativo que o ano do nascimento ou morte de Muhammad, ou do que a primeira revelação corânica porque o Islã é primeiramente um empreendimento político-militar.

Foi só quando Muhammad deixou Meca com sua “banda” paramilitar que o Islã alcançou uma adequada articulação político-militar. Os anos do calendário Islâmico (que emprega meses lunares) são designados em inglês “AH” ou “After Hijra”. Em Português, “DH” ou “Depois da Hégira”.

i – A Batalha de Badr

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A batalha de Badr foi o primeiro compromisso significativo enfrentado pelo profeta. Após estabelecer-se em Medina seguindo a  Hijra, Muhammad começou uma série de “razzias” (ataques) sobre as caravanas da tribo de Meca Quraishem em direção a Síria.

“Volume 5, livro 59, número 287; Narrador Kab bin Malik : O apóstolo tinha saído para encontrar as caravanas dos Quraish, mas Alá os deparou (ou seja, os Muçulmanos) com seu inimigo inesperadamente (sem intensão prévia). Volume 5, livro 59, número 289; Narrador Ibn Abbas Narrado : No dia da batalha de Badr, o profeta disse: “Ó Alá! Apelo à Você (para cumprir) sua Aliança e Promessa.  Ó Alá! Se sua Vontade é que ninguém deva adorar você (então dê a vitória aos pagãos).” Então Abu Bakr agarrou-o pela mão e disse: “Isso é suficiente para você”. O profeta saiu dizendo: “a multidão será derrotada e logo irão mostrar as costas.” (54:45)”

Tendo retornado para Medina, depois da batalha, Muhammad admoestou a tribo Judaica residente de Qaynuqa para aceitar o Islã, ou enfrentar um destino similar como os Quraish (03:12-13). A tribo de Qaynuqa concordou em deixar Medina se pudessem reter suas propriedades, e Muhammad concedeu. Após o exílio da tribo de Qaynuqa em Bani, Muhammad virou-se para os indivíduos de Medina, que achava que agiam perigosamente. O profeta parece particularmente não ter gostado dos muitos poetas que ridicularizaram sua nova religião e sua reivindicação de Muhammad como profeta — um tema hoje evidente nas reações violentas dos Muçulmanos a qualquer zombaria percebida ao Islã. Agindo contra seus adversários, “o Homem Ideal” imprimiu precedentes para sempre sobre como os Muçulmanos devem lidar com os detratores de sua religião.

“Sira, p.367: Então, ele  {Kab bin al-Ashraf} compôs versos amorosos de caráter insultuoso sobre as mulheres muçulmanas. O Apóstolo disse: “Quem me livrará de  Ibnul-Ashraf?” Muhammad bin Maslama, irmão da Bani Abdu’l-Ashhal, disse, “Eu lidarei com ele para você, Ó apóstolo de Alá, eu vou matá-lo.” Ele disse, “faça-o se você puder.” “Tudo que é incumbido a você é o que você deve tentar” {disse o Profeta para Muhammad bin Maslama}. Ele disse, “O apóstolo de Alá, teremos de dizer mentiras.” {O Profeta} respondeu, “Diz o que você gosta, pois deve se sentir livre nesse assunto.”. Volume 4, livro 52, número 270; Narrador bin Jabir ‘ Abdullah: O Profeta disse: “Quem está pronto para matar Kab bin Al-Ashraf que realmente prejudicou Alá e seu apóstolo?” Muhammad bin Maslama disse: “Ó Apóstolo! Você gosta de mim para matá-lo?” Ele respondeu de forma afirmativa. Então, Muhammad bin Maslama foi até ele (ou seja, Kab) e disse, “essa pessoa (ou seja, o Profeta) nos incumbiu da tarefa e pediu-nos para fazer a caridade”. Kab respondeu: “Por Alá, vai se cansar dele.” Muhammad bin Maslama disse-lhe, “seguimos ele, assim não gostamos de o abandonar até vermos o fim desse caso.” Muhammad bin Maslama continuou falando desta forma até que teve a chance de matá-lo.”

Uma parcela significativa da Sira dedica-se à poesia composta por seguidores de Muhammad e seus inimigos em duelos de retórica que se espelham no campo. Parece uma competição informal para engrandecer a si mesmo, a tribo e Alá, enquanto ridicularizam o adversário de maneira eloquente e memorável. Malik bin Kab, um dos assassinos de seu irmão, Kab bin al-Ashraf, compôs o verso a seguir:

“Sira, p.368: Narrador Kab bin Malik disse: Entre eles,  Kab foi deixado ali prostrado e (depois de sua queda {a tribo Judaica de} al-Nadir foi posta à baixo). Com a espada em mãos o cortamos até a morte por ordem de Muhammad, quando enviou secretamente durante a noite o irmão de Kab. Ele o enganou e o derrubou com esperteza,  Mahmud foi verdadeiramente corajoso.”

ii – Batalha de Uhud

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A tribo Quraish de Meca se uniram para atacar os Muçulmanos de Medina. Muhammad foi informado de que as forças de Meca viriam para atacá-lo e assim acampou suas forças em uma pequena colina ao norte de Medina chamada de Uhud, onde ocorreu a batalha que se seguiu.

“Volume 5, livro 59, número 377; Narrador  Abdullah bin Jabir:  No dia da batalha de Uhud, um homem veio ao Profeta e disse: “Poderia me dizer onde eu estarei caso seja martirizado?” O Profeta respondeu: “No paraíso.” Assim, o homem jogou fora algumas coisas que carregava em sua mão e lutou até ser martirizado.   Volume 5, livro 59, número 375; Narrador  Al-Bara: Assim que nos defrontamos com o inimigo, fugiram as pressas, até que vi as mulheres deles correndo em direção a montanha, levantando suas roupas de suas pernas, revelando suas pulseiras na perna. Os Muçulmanos começaram a dizer: “A recompensa! A recompensa!” Abdullah bin Jubair disse, “O profeta me fez prometer que não deixarei este lugar.” Mas seus companheiros recusam-se (a ficar). Então quando se recusaram (a permanecer ali), (Alá) confundiu-os para que não pudessem saber para onde ir, e assim sofreram setenta baixas.”

Embora privado da vitória em Uhud, Muhammad não foi vencido. Ele continuou fazendo incursões, que não somente o fez um Muçulmano vitorioso aos olhos de Alá, mas tão lucrativo quanto. Na visão Islâmica do mundo, não há nenhuma incompatibilidade entre riqueza, poder e santidade. Com efeito, como um membro da verdadeira fé, é lógico que se deve também desfrutar a recompensa material de Alá — mesmo que isso signifique saquear os infiéis.

Como Muhammad tinha neutralizado a tribo Judaica de Bani Qaynuqa depois de Badr,  virou-se agora para Bani Nadir após Uhud. De acordo com a Sira,  Alá advertiu Muhammad sobre uma armadilha para assassiná-lo, e o profeta ordenou aos Muçulmanos que se preparassem para guerra contra o Bani Nadir. Bani Nadir concordou em ir para o exílio se Muhammad permitisse que eles mantivessem seus bens móveis. Muhammad concordou com estes termos, com a condição de que deixassem para trás suas armaduras.

iii –  Batalha de Medina

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Em 627 d.C.., Muhammad enfrentou o maior desafio para a sua nova comunidade. Naquele ano, os Quraish de Meca fizeram o seu mais determinado ataque aos Muçulmanos de Medina. Muhammad não achou aconselhável engajá-los numa batalha campal como em Uhud, mas abrigou-se em Medina, protegido por fluxos de lava dos três lados. Os guerreiros de Meca teriam que atacar ao noroeste por um vale entre os fluxos, e foi lá que Muhammad ordenou uma trincheira e cavou a defesa da cidade.

“Volume 4, livro 52, número 208; Narrador Anas : No dia (da batalha) da trincheira, o Ansar {novos convertidos ao Islã} estavam dizendo, “nós somos aqueles que juraram lealdade a Muhammad para a Jihad (para sempre), enquanto vivermos.” O Profeta respondeu-lhes: “Ó Alá! Não existe vida exceto a vida do outro. Então honra o Ansar e os emigrantes {de Meca} com sua generosidade”. Narrador  Mujashi: Eu e o meu irmão viemos ao Profeta para pedi-lhe que  aceite o nosso juramento de lealdade para com a migração. Ele disse, “Migração faleceu com seu povo.” Eu perguntei, “Por que então você exige o juramento de lealdade de nós?” Ele disse, “Vou levar (a promessa) para o Islã e à Jihad.”

Os guerreiros de Meca foram derrotados pela trincheira e apenas foram capazes de enviar pequenos ataques através delas. Após vários dias, voltaram para Mecca. Depois da Vitória, Muhammad virou-se para a terceira tribo Judaica em Medina, Bani Quraiza. Enquanto a tribo de Bani Qaynuqa e Bani Nadir sofriam o exílio, o destino da Bani Quraiza seria consideravelmente mais terrível.

“Sira, p. 463-4: Em seguida, renderam {a tribo de Quraiza}, e o Apóstolo os aprisionou em Medina, na região de d. al-Harith, uma mulher de Bani al-Najar. Depois disso, o Apóstolo foi até o mercado de Medina, onde cavou trincheiras. E assim os enviou e decapitou suas cabeças nas trincheiras, que foram trazidas para fora diante dele, em lotes. Entre eles estavam o inimigo de Alá, Huyayy bin Akhtab e Kab bin Asad, chefe deles. Havia 600 ou 700 ao todo, embora alguns registrem de 800 a 900. Como eles estavam sendo levados para fora em lotes, para o Apóstolo, perguntaram a Kab o que pensou que seria feito com eles. Kab respondeu: “Você não percebe? Não vê que a soma nunca para e aqueles que são levados jamais retornam? Por Alá isso é a morte!” E continuou até o Apóstolo ter dado um fim a todos eles.”

Assim, encontramos um precedente claro que explica a propensão peculiar dos terroristas Islâmicos para decapitar suas vítimas: é apenas mais um precedente agraciado pelo seu profeta.

Continuando, ainda com outras incursões Muçulmanas, desta vez num lugar chamado Khaibar, “as mulheres de Khaibar foram distribuídas entre os Muçulmanos”, como era prática usual. (Sira, p. 511) O ataque em Khaibar tinha sido contra Bani Nadir, o qual Muhammad anteriormente tinha exilado de Medina.

“Sira, p.515: Kinana bin al-Rabi, que tinha a custódia do tesouro de Bani al-Nadir, foi trazido para o apóstolo que lhe perguntou sobre isso. Ele negou que sabia onde estava. Um Judeu veio até o Apóstolo e disse que tinha visto Kinana rondando uma ruína todas às manhãs bem cedo. Quando o Apóstolo disse para Kinana, “você sabe que se nós o encontrarmos vamos matá-lo?”, ele disse, sim. O Apóstolo deu ordens para que a ruína fosse escavada e alguns tesouros foram encontrados. Quando lhe perguntou sobre o resto, ele recusou-se a dizer e então o Apóstolo ordenou a al-Zubayr bin al-Awwam, “Torture-o até extrair o que ele tem”. Então, ele acendeu um fogo com pedra e aço em seu peito até que ele estivesse quase morto.  Em seguida o Apóstolo o entregou para Muhammad bin Maslama que o decapitou, vingando o seu irmão Mahmud.”

iv – A Conquista de Meca

A maior vitória de Muhammad veio em 632 d.C., dez anos depois que eles e seus seguidores foram forçados a fugir para Medina. Naquele ano, ele reuniu uma força de algumas dezenas de milhares de Muçulmanos e tribos aliadas e desceu à Meca. O Apóstolo havia instruído seus comandantes para que quando entrassem em Meca, só lutassem contra aqueles que resistissem, com exceção de um pequeno grupo que estava para ser exterminado, mesmo que estivessem escondidos sob as cortinas de Kaba. (Sira, p.550)

“Volume 3, livro 29, n º 72; Narrado por Malik bin Anas:  O apóstolo de Alá entrou em Meca, no ano da sua conquista, usando um capacete Árabe na cabeça e quando o Profeta o retirou, uma pessoa veio e disse, “Ibn Khatal está controlando a cobertura de Kaba (refugiando-se em Kaba).” O profeta disse: “Mate-o.””

Após a conquista de Meca, Muhammad delineou o futuro de sua religião.

“Volume 4, livro 52, número 177; Narrador Abu Huraira:

O Apóstolo de Alá disse, “A Hora {do último julgamento} não será estabelecida até lutem contra os Judeus e a pedra atrás da qual um Judeu se esconder dirá.” “Ó Muçulmanos! Há um judeu escondido atrás de mim para matá-lo.” Volume 1, livro 2, número 24; Narrador Ibn Umar: O Apóstolo de Alá disse: “Tenho sido ordenado (por Alá) para lutar contra as pessoas, até que elas testemunhem que ninguém têm o direito de ser adorado, exceto Alá, e que Muhammad é o Apóstolo de Alá, e que se oferecerem as orações com perfeição e fizerem a caridade obrigatória, e caso isto tenha sido feito, salvarão suas vidas e suas propriedades de mim exceto pelas leis Islâmicas, onde seus acertos de contas serão feitos por Alá.””

É a partir de pronunciamentos bélicos como esses, que a erudição Islâmica divide o mundo em Dar al-Islã (a Casa do Islã, ou seja, nações que se submeteram a Alá) e Dar al-Harb (Casa da Guerra, ou seja, nações que ainda não se submeteram a Alá). Esse é exatamente o contexto ou sistema que o mundo viveu no tempo de Muhammad e ainda vive nos dias de hoje. Consequentemente, como nos dias de hoje, a mensagem do Islã para o mundo descrente ou incrédulo é a mesma: Se submeta ou será conquistado.”

d – A Lei Sharia

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Tradução: (Londres) – “Precisamos da lei de Alá, e não da lei feita pelo homem”.

Ao contrário de muitas religiões, o Islã inclui um plano jurídico e político altamente específico, obrigatório para a sociedade, chamado de Sharia, que se traduz aproximadamente como “caminho” ou ” passagem”. Os preceitos da Sharia são derivados dos mandamentos do Alcorão e a Suna (os ensinamentos e precedentes de Muhammad como encontrado nos confiáveis Ahadith  e Sira). Juntos, o Alcorão e a Suna estabelecem os ditames da Sharia, que é o modelo para a sociedade Islâmica, porque a Sharia se origina com o Alcorão e a Suna não é opcional.  Sharia é o Código de leis ordenado por Alá para toda a humanidade. Violar a Sharia ou não aceitar a  sua autoridade significa se rebelar contra Alá, e nesse caso todos os fiéis de Alá são requisitados à combater.

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Tradução: “Sharia, o futuro de Londres”, “Governo Inglês -Governo Terrorista”.

Não há nenhuma separação entre o religioso e o político no Islã; por conseguinte o Islã e a Sharia constituem um meio abrangente de ordenação da sociedade em todos os níveis. Embora seja teoricamente possível para uma sociedade Islâmica ter diferentes formas exteriores — um sistema eletivo de governo, uma monarquia hereditária, etc. — qualquer que seja a estrutura externa do governo, a Sharia é o conteúdo prescrito. É esse fato que coloca a Sharia em conflito com as formas de governo baseadas em algo que não seja o Alcorão e a Suna.

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Zona Controlada Pela Sharia

Os preceitos da Sharia podem ser divididos em duas partes:

1- Os atos de culto (al-ibadat), que incluem:

Ritual de purificação (Wudu)
Orações (Salah)
Jejuns (Sawm e Ramadã)
Caridade (Zakat)
Peregrinação a Meca (Hajj)

2- Interação Humana (al-muamalat), que inclui:

Transações financeiras
Doações
Leis sobre Herança
Casamento, divórcio e cuidado infantil
Alimentos e bebidas (incluindo o abate ritual e caça)
Punições penais
Guerra e paz
Questões judiciais (incluindo formulários de provas e testemunhas)

Como se pode ver, existem alguns aspectos da vida que não são regulados especificamente pela Sharia. Tudo, desde lavar as mãos, educação infantil, tributação, política militar etc. caem sob seus ditames, porque a Sharia é derivada do Alcorão e da Suna, e, portanto oferece espaço para interpretação. Mas após um exame detalhado das fontes islâmicas é evidente que qualquer aplicação significativa da Sharia será muito diferente de qualquer coisa parecida com uma sociedade livre ou aberta no sentido Ocidental. O apedrejamento de adúlteros, execução de apóstatas e blasfemos, repressão a outras religiões e uma hostilidade obrigatória contra Nações não-Islâmicas, pontuada pela guerra regular, será a norma. Parece-me justo classificar o Islã e seu código de Lei, a Sharia, como uma forma de totalitarismo.

2 – Jihad e Dhimmitude

a – O que significa “Jihad”?

A Jihad literalmente se traduz como “empenho”, “esforço” ou “struggle”, na língua Inglesa. Estritamente falando, Jihad não significa “Guerra Santa”, como os apologistas Muçulmanos muitas vezes apontam. No entanto, a pergunta permanece sobre que tipo de “luta” significa: uma luta interna, espiritual contra as paixões, o ego ou uma luta física com o exterior.

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Seja lá como for a  tentativa de determinar o ensinamento Islâmico sobre um assunto particular, deve-se olhar para o Alcorão e a Suna. A partir dessas fontes (descrito acima) é evidente que um Muçulmano é submetido à luta contra uma variedade de coisas: preguiça na oração, negligência com a Dar zakat (caridade), etc. Mas é simples também que um Muçulmano seja comandado a lutar, combate físico, contra os infiéis. A impressionante carreira militar de Muhammad atesta o papel central que a ação militar expressa no Islã.

b – Hasan Al-Banna Na Jihad

Hassan al Banna

Trechos do Tratado de Hasan Al-Banna, sobre a Jihad. Em 1928, Al-Banna fundou a Irmandade Muçulmana, que hoje é a mais poderosa organização no Egito depois do próprio governo. Neste Tratado, Al-Banna argumenta que os Muçulmanos devem pegar em armas contra os incrédulos. Como ele próprio diz, “Os versos do Alcorão e da Suna convocam as pessoas em geral (com a expressão mais eloquente e a exposição mais clara) à jihad, à guerra, às forças armadas e todos os meios de combate terrestre e marítimo. “E assim ele diz, “os versículos do Alcorão e da Suna convocam as pessoas em geral (com a expressão mais eloquente e a exposição mais clara) para a Jihad, para a guerra, para as forças armadas, e todos os meios, terra e mar, para a luta.”

“Todos os Muçulmanos devem fazer a “Jihad”, é uma obrigação ordenada por Alá, para todos os Muçulmanos e não podem ser ignoradas, nem contornadas. Alá tem atribuído grande importância à Jihad e têm dado a recompensa aos mártires e aos lutadores em seu caminho esplêndido. Somente aqueles que agirem da mesma forma, e que tem se modelado nos mártires, e em seu desempenho na Jihad podem unir-se em recompensa. Além disso, Alá honrou especificamente os Mujahideen {aqueles que  lutam e levantam a Jihad} com certas qualidades excepcionais, espirituais e práticas, para beneficiá-los neste mundo e no próximo. Seu sangue puro é um símbolo da vitória neste mundo e a marca do sucesso e felicidade do mundo que há por vir.

Aqueles que só encontram desculpas, no entanto, foram avisados das extremas e terríveis punições, e Alá descreveu-os com o mais infeliz dos nomes. Ele os repreendeu pela sua covardia e falta de espírito, e serão castigados por sua fraqueza e evasão escolar. Neste mundo, serão cercados pela desonra e na próxima serão cercados pelo fogo, do qual não escaparão , embora possam possuir muita riqueza.  A fraqueza da abstenção e a evasão da Jihad, são consideradas por Alá como um dos grandes pecados e um dos sete pecados que garantem o fracasso.

O Islã está preocupado com a questão da Jihad, da elaboração e a mobilização da “Umma” {comunidade Muçulmana global} como uma unidade para defender a causa certa, com toda sua força, mais que qualquer outro sistema antigo ou moderno de vida, não importando se religioso ou civil. Os versículos do Alcorão e da Suna de Muhammad (PBUH {que a paz esteja com ele}) transbordam todos esses nobres ideais e convocam as pessoas em geral (com a expressão mais eloquente e a exposição mais clara) para a Jihad, para a guerra, para as forças armadas, e todos os meios por terra e mar à luta.”

Paris…

Aqui, Al-Banna oferece citações do Corão e dos Ahadith confiáveis que demonstram a necessidade de combate aos Muçulmanos. As citações são comparáveis as incluídas no Islã 101 seção 1.b e que aqui foram omitidas:

“Os estudiosos sobre Jihad acabaram de apresentar à você alguns versos do Alcorão e dos Ahadith sobre a importância da Jihad. Agora eu gostaria de apresentar a você algumas das opiniões da jurisprudência, do pensamento Islâmico acadêmico, incluindo algumas autoridades sobre as regras da Jihad e a necessidade de preparação. A partir daí vamos perceber o quão longe a Ummah desviou-se da sua prática como pode ser visto a partir do consenso de seus estudiosos sobre a questão da Jihad.

O autor de ‘Majma’ al-Anhar fi Sharh Multaqal-Abhar’, descrevendo as regras da Jihad, de acordo com a escola Hanafi,  disse: “A Jihad linguisticamente significa exercer o máximo esforço na palavra e na ação; no Sharee’ah {Sharia — lei Islâmica} é a luta dos incrédulos e envolve todos os esforços necessários para desmantelar o poder dos inimigos do Islã incluindo batendo, saqueando suas riquezas, destruindo seus lugares de culto e esmagando seus ídolos. Isso significa que a Jihad deve se esforçar ao máximo para garantir a força do Islã, por meios como a  luta contra aqueles que lutam contra você, incluindo os dhimmis {não-Muçulmanos, vivendo sob o domínio Islâmico} — caso violem qualquer dos termos do Tratado) — e os apóstatas que são o piores dos incrédulos, porque desacreditaram depois que afirmaram a sua crença.

É “fard” (obrigatório) para nós, lutarmos contra os inimigos. O Imã deve enviar uma expedição militar para o Dar-al-Harb {Casa de Guerra — o mundo não-Muçulmano} anualmente, pelo menos uma ou duas vezes, e o povo deve apoiá-lo imediatamente. Se algumas pessoas cumprirem a obrigação, o restante será liberado da obrigação. Se este “fard” kifayah (obrigação comum) não puder ser realizado por esse grupo, então a responsabilidade recai sobre o grupo adjacente mais próximo e então o mais próximo depois que etc., e se o”fard” kifayah  não puder ser realizado então torna-se um “fard”´ayn (obrigação individual), com oração à todo o nosso povo.

Os acadêmicos deram um parecer sobre esse assunto, da forma como esperávamos, os quais independentemente de serem Mujtahideen ou Muqalideen, e de independentemente serem salaf (cedo) ou khalaf (tarde), todos concordaram por unanimidade que a Jihad é uma “fard” kifayah (guerra) imposta pela Ummah (nação Islâmica) para difundir o Da’wah do Islã  e a Jihad um “fard’ ayn se um inimigo atacar terras Muçulmanas. Hoje, meu irmão, o Muçulmano, como você sabe, é forçado a ser subserviente perante os outros e são governados por incrédulos. Nossas terras têm sido sitiadas e violam o nosso hurruma’at (posse pessoal, respeito, honra dignidade e privacidade). Nossos inimigos estão negligenciando os nossos assuntos, e os ritos de nosso din estão sob a sua jurisdição. Ainda assim os Muçulmanos não conseguem cumprir a responsabilidade da Da’wah que está sobre seus ombros. Portanto, nesta situação torna-se o dever de cada Muçulmano promover a Jihad. Ele deve preparar-se mentalmente e fisicamente de tal forma que quando vier a decisão de Alá, ele estará pronto.

Não posso terminar essa discussão sem mencionar a você que os Muçulmanos, ao longo de cada período de sua história (antes do presente período de opressão em que sua dignidade foi perdida) nunca abandonaram a Jihad… Muito menos se tornaram negligentes em seu desempenho, nem mesmo suas autoridades religiosas, místicos, artesãos, etc. Todos estão sempre prontos e preparados. Por exemplo, Abdullah ibn al Mubarak, um homem muito sábio e piedoso, foi voluntário da Jihad na maior parte de sua vida, e Abdulwahid bin Zayd, um Sufi e um homem devoto, fez o mesmo. E em seu tempo, Shaqiq al Balkhi, o Sheik dos Sufis incentivou seus alunos à Jihad.”

Questôes associadas com relação a Jihad

“Muitos Muçulmanos acreditam atualmente,  erroneamente, que lutar contra o inimigo é Jihad Asghar (uma Jihad menor) e que a luta do ego é Jihad akbar (uma Jihad maior). A narração seguinte [athar] é citada como prova: “Voltamos da Jihad menor para embarcar na Jihad maior”. Foi dito: “O que é a Jihad maior”? Ele disse: “a Jihad do coração, ou o Jihad contra o ego.

Essa narração é usada por alguns para diminuir a importância de lutar, para desencorajar qualquer preparação para o combate e para dissuadir qualquer oportunidade de Jihad no caminho de Alá. Essa narração não é uma tradição do saheeh (som): O muhaddith proeminente Al Hafiz ibn Hajar al-Asqalani disse à Tasdid al-Qaws:

‘É bem conhecida e muitas vezes repetida e foi uma frase de Ibrahim ibn’ Abla.’

Al Hafiz Al Iraq  disse à  Takhrij Ahadith al-Ahya’:

‘Al Bayhaqi  transmitiu sua história numa fraca corrente de narradores, na autoridade de Jabir Al Bayhaqi e Al Khatib  sobre a autoridade de Jabir.’

De qualquer forma,  mesmo que  fosse uma tradição sonora, nunca justificaria abandonar a Jihad ou se preparar para resgatar os territórios dos Muçulmanos e repelir os ataques dos descrentes. Que se entenda que essa narração simplesmente sublinha a importância de lutar contra o ego, para que Alá seja o único propósito de cada um de nossas ações.

Outras questões associadas a Jihad incluem comandando o bem e proibindo o mal. É dito no Hadith: “uma das maiores formas de Jihad é proferir uma palavra de verdade na presença de um governante tirânico.”

Mas nada se compara com a honra de kubra shahada (o Martírio Supremo) ou a recompensa que os Mujahideen esperam.

Hoje em Paris, amanhã na Alemanha…

Epílogo

Meus irmãos! A Ummah sabe que  a morte nobre e ilustre é garantia de uma vida exaltada neste mundo e felicidade eterna na próxima. Degradação e desonra são o resultado do amor deste mundo, além do medo da morte. Portanto, preparem-se para a Jihad e sejam amantes da morte. A própria vida virá em busca de você.

Meus irmãos!Vocês devem saber que um dia irão enfrentar a morte, e esse evento sinistro irá ocorrer apenas uma vez. Se você sofrer nessa ocasião, a caminho de Deus, será para seu benefício neste mundo e sua recompensa no próximo. Lembrem-se que nada pode acontecer sem o  Desejo de Alá: Pondere bem o que Alá, o Abençoado, o Todo-Poderoso, disse:

“Em seguida, após o sofrimento, Ele enviou uma proteção para você. Uma sonolência tomou parte de você, enquanto a outra parte estava pensando sobre eles mesmos (como poderiam se salvar, ignorando os outros e o Profeta) e pensando indevidamente sobre Alá — um pensamento ignorante,  Eles disseram, “Temos alguma coisa a ver com isso?” Diz você (Ó Muhammad): “Realmente, o caso pertence inteiramente a Alá.” Eles escondem dentro de si o que não ousam revelar a você, dizendo: “Se tivéssemos alguma coisa a ver com o caso, nenhum de nós teria morrido aqui.” Diz: “mesmo que vocês tivessem permanecido em suas casas, aqueles para quem a morte foi decretada, certamente seguirão adiante até o local de sua morte: mas, com certeza Alá pode testar o que vive em seus corações; e purificar o que está em seus corações (pecados). Deus é onisciente e reside em (seus) corações.”‘ {Sura 3:154}

c- Dar al-Islam e dar al-harb: a Casa do Islã e a Casa da Guerra

As imposições violentas do Alcorão e os violentos precedentes definidos por Muhammad, deu o tom à visão islâmica da política e da história do mundo.  A Escola Islâmica divide o mundo em duas esferas de influência, a Casa do Islã (dar al-Islã) e a Casa da Guerra (dar al-harb). Islã significa submissão, por conseguinte a Casa do Islã inclui aquelas nações que se submeteram a regra Islâmica que significam nações governadas pela lei Sharia. O resto do mundo, que não aceitou a Lei Sharia, e não está em um estado de submissão, existe em um estado de rebelião ou guerra contra a vontade de Alá. É incumbência da Dar al-Islã  fazer guerra contra o Dar al-harb, até que todas as Nações se submetam à vontade de Deus e aceitem a Lei Sharia. A mensagem do Islã ao mundo não-Muçulmano é a mesma desde o tempo de Muhammad (Maomé) e ao longo da história:   submeter ou ser conquistado. As únicas vezes, desde Muhammad, em que Dar al-Islã não esteve ativamente em guerra com o Dar al-harb, foram quando o mundo Muçulmano estava muito fraco ou dividido para guerrear eficazmente.

Apesar da calmaria na guerra em curso e a Casa do Islã ter se declarado contra a Casa da Guerra, não indica o abandono da Jihad como princípio, mas reflete uma mudança de vetores estratégicos. É compreensível que as nações Muçulmanas declarem Hudna ou trégua às vezes, quando as Nações infiéis estão muito poderosas na guerra aberta, o que faz sentido. A Jihad não é um pacto de suicídio coletivo, mesmo quando “matando e sendo mortos” (Sura 9:111) são incentivados individualmente. Há algumas centenas de anos, o mundo Muçulmano tem sido também politicamente fragmentado e tecnologicamente inferior para representar uma grande ameaça ao Ocidente.  Mas isso está mudando

 i. Taqiyya — Falsidade Religiosa

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Devido ao estado de guerra entre Dar al-Islã e Dar al-harb, — reuses de guerre, ou seja, mentir sistematicamente ao infiel,—  deve ser considerado parte integrante das táticas Islâmicas.  O discurso das organizações Muçulmanas em todo o Dar al-harb de que “O Islã é uma religião de paz”, — ou que as origens da violência Muçulmana residem nas psiques desequilibradas do indivíduos particularmente “fanáticos”, — deve ser considerado como desinformação proposital para induzir o mundo infiel a baixar a guarda. Claro, os Muçulmanos individuais, genuinamente, podem considerar a sua religião como “pacífica”, — mas na  medida em que ignoram seus ensinamentos verdadeiros ou no sentido do teórico Egípcio Sayyid Qutb, que postulou que — a verdadeira paz Universal iria prevalecer no mundo assim que Islã a conquistasse.

Um ponto revelador,  é que enquanto os Muçulmanos apresentam a sua religião como pacífica em todo Dar al-harb (Casa de Guerra), são quase inexistentes no Dar al-Islam (Casa do Islã). Uma Muçulmana apóstata sugeriu uma prova decisiva para os Ocidentais que acreditam que o Islã é uma religião de “paz” e “tolerância”:

Testa essa ideia na esquina de uma rua em 
Ramallah, Riade, Islamabad 
ou em qualquer outro lugar do mundo Muçulmano. 
Certamente que você não viverá 
mais de cinco minutos.

“{Um} problema relativo à lei e a ordem {com relação a Muçulmanos no Dar al-harb} decorre de um princípio legal Islâmico antigo — o da taqiyya, uma palavra ou significado ou raiz que significa “permanecer fiel”, mas que na verdade significa “dissimulação”. Ela, a palavra, tem plena autoridade no Alcorão (03:28 e 16:106) permitindo que o Muçulmano se apresente de acordo com os requisitos Islâmicos ou diante de um governo não-Islâmico, permanecendo interiormente ”fiel” para tudo que perceber adequado ao Islã, enquanto espera a virada da maré. (Hiskett, Alguns viram para  Meca para rezar, 101).Volume 4, livro 52, número 269; Narrador bin Jabir ‘ Abdullah: O Profeta disse: “A guerra é dissimulada.”

Historicamente, exemplos da taqiyya incluem, permissão para renunciar ao Islã em si, a fim de salvar o pescoço ou agradar a um inimigo. Não é difícil ver que as implicações da taqiyya são insidiosas ao extremo: elas essencialmente dissimulam os acordos negociados — e, de fato, tornam essencialmente todas as comunicações verídicas entre dar al-Islã e dar al-harb — impossíveis.  No entanto, não nos surpreende que uma parte da guerra deva procurar enganar o outro sobre seus meios e intenções. A Jihad Watch,  de  Hugh Fitzgerald, resume a  taqiyya e kitman, como uma forma de falsidade.

“Taqiyya” é uma doutrina religiosa sancionada, com suas origens na Shi’a Islã, mas agora praticada também pelos não-Shi’a, como  dissimulação deliberada sobre questões religiosas que podem ser empreendidas para proteger o Islã e os crentes. Um termo relacionado, aplicado e mais amplo, é o “kitman”, que é definido como “reserva mental”. Um exemplo de “Taqiyya” seria a insistência de um apologista Muçulmano que “naturalmente” tem liberdade de consciência no Islã, mas em seguida cita o versículo do Alcorão — “Não deve haver compulsão na religião.” {256}, mas a impressão dada será falsa, pois não há nenhuma menção da doutrina Muçulmana de revogação, ou naskh, segundo o qual um verso como esse “não há compulsão na religião” foi anulado pelos versos posteriores, muito mais intolerantes e malévolos. Em qualquer caso, a história mostra que dentro do Islã existe e sempre existiu “compulsão na religião” para os Muçulmanos e não-Muçulmanos. “Kitman” aproxima-se de “Taqiyya”, mas ao invés de uma dissimulação definitiva, consiste em contar apenas uma parte da verdade, com “reserva mental”, que justifique a omissão do resto. Um exemplo pode ser suficiente. Quando um Muçulmano sustenta que  a Jihad realmente significa “luta espiritual” e não consegue adicionar que essa definição é recente no Islã (pouco mais de um século de idade), engana se esquivando e praticando a “kitman.” Quando justifica, em apoio a sua própria preposição duvidosa, —o Hadith em que Muhammad, voltando para casa de uma de suas muitas batalhas, é relatado por ter dito (como é conhecido de uma cadeia de emissores, ou Isnad), que ele havia retornado da “Jihad menor para a Jihad maior”,— e não adiciona o que também sabe que é verdade, que esse é um “fraco” hadith, considerado pelos mais respeitados Muhaddithin de duvidosa autenticidade, está simplesmente praticando a “kitman.”

Em épocas em que a força maior do Dar al-harb exige que a Jihad tenha uma abordagem indireta, a atitude natural de um Muçulmano ao mundo infiel deve ser de falsidade e omissão. Revelar francamente o objetivo final de Dar al-Islã para conquistar e saquear o Dar al-harb, quando o inimigo detém os trunfos militares é uma idiotice estratégica. Felizmente para os Jihadistas, a maioria dos infiéis não entende como alguém pode ler o Alcorão, nem se preocupam em descobrir o que Muhammad realmente fez e ensinou, o que deixa tudo mais fácil para dar a impressão através de citações seletivas e omissões que “o Islã é uma religião de paz”. Qualquer infiel que acreditar em tal ficção persistirá no erro quando citar um punhado de versos de Meca que diz que Muhammad era um homem piedoso e caridoso. Um mergulho um pouco mais profundo será suficiente para dissipar a falsidade.

d. Jihad através da História

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Em 622 d.C. (ano do Calendário Islâmico, DH 1), Muhammad abandonou Meca pela cidade de Medina (Yathrib), situada a 200 km ao norte da Península Arábica. Em Medina, Muhammad estabeleceu uma organização paramilitar que iria espalhar sua influência e o de sua religião por toda a Arábia. Por nunca ter havido uma separação entre o político-militar e o religioso no Islã, esse desenvolvimento foi inteiramente natural para os princípios Islâmicos. Na época de sua morte em 632 d.C., Muhammad havia expandido seu controle através de uma série de ataques e batalhas na maior parte do Sul da Arábia. As populações conquistadas dessas áreas tiveram que se submeter aos Muçulmanos, pagando uma taxa de proteção (jizya) ou convertendo-se ao Islã.

i – A Primeira grande onda da Jihad: Os Árabes, 622-750 d.C.

Pouco antes de morrer, Muhammad enviou várias cartas aos grandes impérios do Oriente Médio exigindo submissão a sua autoridade. Isso afasta qualquer noção de que o Profeta pretendia expandir o Islã com o objetivo de parar a Arábia.

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Na verdade, é lógico que a única religião verdadeira, revelada pelo último e máximo profeta, deveria ter influência universal. E assim, da mesma forma como Muhammad lutou e subjugou os povos da Península Arábica, os Califas Abu Bakr, Umar, Uthman e Ali (conhecidos como “os quatro Califas corretamente guiados”) entre outros Califas, lutaram e subjugaram os povos do Oriente Médio, África, Ásia e Europa em nome de Alá.

“Volume 4, livro 53, número 386; Narrador Jubair bin Haiya: Umar {o Segundo Califa} enviou os Muçulmanos aos grandes países para lutar contra os pagãos. Quando chegamos na terra do inimigo, o representante de Khosrau {Pérsia}  saiu com 40 mil guerreiros, e um intérprete levantou-se dizendo: “Deixe que um de vocês fale comigo!” Al-Mughira respondeu “Nosso profeta,  o Mensageiro de nosso Senhor, nos ordenou a combater você, até você venerar unicamente a Alá, ou pagar a Jizya (ou seja, taxa de proteção); e o nosso profeta também nos informou que o nosso Senhor disse: “quem entre nós for morto (ou seja, martirizado), irá para o paraíso, onde terá uma vida luxuosa como nunca visto antes, e quem entre nós ainda continuar vivo, passará a ser seu mestre.”

Deflagrando sobre o mundo, a “blitzkrieg” da época, o Islã rapidamente espalhou-se pelos territórios Byzantino, Pérsa e Europa Ocidental nas décadas após a morte de Muhammad (Maomé). O som áspero dos exércitos Bizantinos e Persas, que haviam  lutado um contra o outro num declínio mútuo, ofereceram pouca resistência ao ataque inesperado. Os exércitos Árabes Muçulmanos invadiram a Terra Santa conquistando o que agora é o Iraque e o Irã, avançando mais tarde para Oeste até o Norte da África, Espanha e finalmente França. A ofensiva Muçulmana foi finalmente interrompida no Oeste, na batalha de Poitiers/Tours, próximo a Paris, em 732 a.C.. No Oriente, a Jihad penetrou profundamente na Ásia Central.

Como Muhammad tinha saqueado seus inimigos, por conseguinte seus sucessores também despojaram as áreas conquistadas — incomparavelmente mais ricas materialmente  e culturalmente do que as areias desoladas da Arábia — e suas riquezas e recursos humanos. Quase da noite para o dia, as mais avançadas civilizações do Oriente Médio, Norte da África, Pérsia e Ibéria viram sua agricultura, religiões nativas e populações destruídas ou saqueadas. Exceto um punhado de cidades muradas que conseguiram negociar rendições condicionadas, pois a catástrofe que aquelas terras sofreram foi quase completa.

Bat Ye’or, — pseudônimo de Gisèle Littman,— a grande estudiosa da expansão do Islã e a forma de como tratam os não-Muçulmanos, tem prestado um serviço inestimável através da compilação e tradução de numerosos documentos de fonte primária, descrevendo séculos de conquistas Islâmicas. Esses documentos foram inseridos nos trabalhos sobre a História Islâmica e a situação dos não-Muçulmanos sob domínio Islâmico. Na história da Jihad, o massacre de civis, a profanação de igrejas e os saques em zona rural são comuns. Eis aqui o Sírio Michael, relatando a invasão Muçulmana da Capadócia (Sul da Turquia) em 650 d.C.  sob o Califa Umar:

“…quando chegou Muawiya {o comandante Muçulmano} {em Euchaita, na Armênia} ordenou que todos os habitantes fossem postos ao fio da espada; Colocou guardas para que ninguém escapasse. Após reunir toda a riqueza da cidade, decidiu torturar os líderes para que mostram-se as coisas [tesouros] que tinham sido escondidos. O Taiyaye {Árabes Muçulmanos} conduziu todos a escravidão — homens e mulheres, meninos e meninas — e debocharam muito daquela cidade infeliz: perversamente cometeram imoralidades dentro das Igrejas. Retornaram satisfeitos ao seu país . (O Sírio Michael, citado em Bat Ye’or,  o declínio do Cristianismo Oriental sob o Islã, 276-7.)

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A seguinte, a descrição do historiador Muçulmano, Ibn al-Athir (1160-1233 d.C.), sobre as “razzias” (expedições invasoras) no Norte da Espanha e da França,  nos séculos VIII e IX a.C., demonstra nada além da satisfação com a extensão da destruição forjada sobre os infiéis, incluindo  não-combatentes.”

“Em 177 , Hisham, Príncipe de Espanha, enviou um grande exército comandado por Abd al-Malik b. Abd al-Wahid b. Mugith ao território inimigo, fazendo incursões até Narbonne e Jaranda. Esse General atacou primeiro Jaranda onde havia uma guarnição da  elite Frank; Matou os mais corajosos, destruiu as muralhas, as torres da cidade e quase a dominou. Então marchou para Narbonne, onde repetiu as mesmas ações e em seguida, marchou pela terra da Cerdagne {perto de Andorra nos Pirineus}. Durante vários meses cruzou todos os lugares, estuprando mulheres, matando guerreiros, destruindo fortalezas, queimando e saqueando tudo, perseguindo o inimigo que debandou. Voltou são e salvo, arrastando atrás dele, só Alá sabe, uma enorme quantidade de espólio. Esta é uma das mais famosas expedições dos Muçulmanos na Espanha. Em 223  , Abd ar-Rahman b. al-Hakam, soberano da Espanha, enviou um exército contra Álava; acampou perto de Hisn al-Gharat que estava cercada; apreendeu o espólio que foi encontrado por lá, matou os habitantes e retirou-se, carregando mulheres e crianças cativas. Em 231 , um exército Muçulmano avançou sobre Galiza, território dos infiéis, onde saquearam e massacraram todos. Em 246  , Muhammad Abd ar-Rahman avançou com mais tropas e um aparato militar contra a região de Pamplona. Arruinou e devastou esse território, onde saquearam e semearam a morte. (Ibn al-Athir,  o declínio do Cristianismo Oriental sob o Islã, 281-2)

A primeira onda da Jihad  submeteu quase todo o Império Bizantino, Visigótico, Franco (tribos Germânicas) e Persa, o que permitiu ao recém-nascido império Islâmico, controlar o  Sudeste da França, o Sul via  Espanha, o leste através do Norte da Africa em direção Índia e do Norte em direção a Rússia. No início do segundo milênio a.C., a invasão Mongol ao leste enfraqueceu enormemente o Império Islâmico o que levou ao fim o predomínio Árabe.

ii – A segunda grande onda da Jihad:  Os Turcos, 1071-1683 AD

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Uns  vinte e cinco anos antes do primeiro exército das Cruzadas avançar da Europa Central em direção à Terra Santa, o exército Turco (Otomano )havia iniciado um ataque ao Império Bizantino Cristão, que havia governado o que agora conhecemos como Turquia, desde que a capital do Império Romano foi transferida para Constantinopla em 325 a.C.   Na batalha de Manzikert, em 1071, as forças Cristãs sofreram uma derrota desastrosa, que deixou grande parte da Anatólia (Turquia) aberta à invasão. Essa segunda onda de Jihad foi temporariamente retida pelos exércitos invasores Latinos durante as Cruzadas (ver Islã 101 perguntas freqüentes), mas, no início do século XIV, os Turcos estavam ameaçando Constantinopla e a própria Europa.

No Ocidente, os exércitos Católicos Romanos foram pouco a pouco empurrando as forças Muçulmanas para a Península Ibérica, até que em 1492, foram definitivamente expulsas (a Reconquista). Na Europa Oriental, no entanto, o Islã continuou em ascensão. Um dos encontros mais significativos entre os invasores Muçulmanos e os povos indígenas da região foi a batalha do Kosovo em 1389, onde os Turcos aniquilaram um exército multinacional sob comando do Rei Sérvio, São Lázaro, embora seus progressos na Europa tenham sido abrandados significativamente. Após inúmeras tentativas que datam desde o século VII, Constantinopla, a joia da Cristandade Oriental, finalmente foi derrotada em 1453, pelo exército do Sultão Maomé II. Para que fique bem claro, aqueles que atribuem as atrocidades da primeira onda da Jihad ao “Arabismo” e seus autores, os Turcos mostraram que são e foram totalmente capazes de viver os princípios do Alcorão e da Suna.  Paul Fregosi em seu livro Jihad descreve uma cena após a batalha final em Constantinopla:

 Modern painting of Mehmed II and the Ottoman Army approaching Constantinople with a giant bombard, by Fausto Zonaro

“Milhares de sobreviventes refugiaram-se na Catedral: nobres, servos, cidadãos comuns, suas esposas e filhos, padres e freiras. Trancaram as enormes portas, rezaram e esperaram. O {Califa} Mahomet {II} tinha dado descanso às tropas. Em resumo, estupraram as freiras, sendo as primeiras vítimas abatidas. Pelo menos quatro mil pessoas foram mortas antes de Mahomet parar o massacre ao meio-dia. Ordenou um muezim {aquele que emite a chamada à oração} para subir ao púlpito da Basílica de Santa Sofia, também conhecida como Hagia Sophia, para escrever uma dedicatória para Alá. Manteve-se como Mesquita desde então. Cinqüenta mil habitantes, mais de metade da população, foram reunidos e levados como escravos. Meses depois, os escravos se tornaram a mercadoria mais barata nos mercados da Turquia. Mahomet pediu que o corpo do Imperador morto fosse trazido até ele.

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Alguns soldados Turcos encontraram uma pilha de cadáveres e reconheceram Constantino {XI} pelas águias douradas bordadas em suas botas. O Sultão ordenou que a cabeça fosse cortada e colocada entre as pernas do cavalo sob a estátua equestre de bronze do Imperador Justiniano. A cabeça foi embalsamada e enviada aos arredores das cidades mais importantes do Império Otomano para agradar os cidadãos. Em seguida, Mahomet ordenou que o Grande-Duque Notaras, que tinha sobrevivido, fosse trazido à sua presença, do qual exigiu nomes e endereços de todos os principais nobres, funcionários e cidadãos. Notaras assim procedeu. Resultado, Muhomet prendeu e decapitou todos eles. E sadisticamente comprou de seus proprietários (isto é, dos comandantes Muçulmanos) os prisioneiros de alto escalão que haviam sido escravizados, por puro prazer de vê-los decapitados diante dele. (Fregosi, Jihad, 256-7.)

Essa segunda onda da Jihad Turca atingiu seu ápice nos fracassados cercos sobre Viena em 1529 e em 1683, onde, em última instância o exército Muçulmano sob o comando de Kara Mustapha foi expulso pelos Católicos Romanos sob o comando do Rei Polonês, John Sobieski. Nas décadas que se seguiram, os Otomanos foram expulsos e empurrados para baixo dos Bálcãs, embora nunca tenham sido eliminados do Continente Europeu inteiramente. As invasões Muçulmanas (as razzias) terrestres — e marítimas — em território Cristão continuaram e os Cristãos foram escravizados, mesmo em regiões longínquas como a Irlanda, até o século XIX.

e – Dhimmitude

A perseguição do Islã aos não-Muçulmanos é de forma alguma limitada à Jihad, apesar de ser a relação básica entre o mundo Muçulmano e não-Muçulmano. Depois de uma Jihad ser concluída numa determinada área, com a conquista do território do infiel, a “dhimma” ou Tratado de Proteção, pode ser concedida ao conquistado “Povo do Livro” — historicamente, Judeus, Cristãos e Zoroastrianos. A dhimma estabelece que a vida e a propriedade do infiel estarão isentos da Jihad enquanto os  governantes Muçulmanos assim entenderem, o que geralmente significa que o submetido “não-Muçulmano” — o dhimmi — assim ficará enquanto economicamente for útil ao estado Islâmico.  O Alcorão enuncia que o pagamento da Jizya (Imposto; Taxa de proteção (Head-Tax); Sura 09:29), é o meio mais conspícuo através do qual os senhores Muçulmanos devem explorar o dhimmi. Mas, a Jizya não é meramente um assunto econômico em si; Ela existe também para humilhar o dhimmi e impressioná-lo com a superioridade do Islã. Al-Maghili, um teólogo Muçulmano do século XV, explica:

“No dia do pagamento {da Jizya} eles {os dhimmis} devem ser postos num lugar como o Suq {Centro Comercial}. Devem esperar no lugar mais baixo e mais sujo. Os funcionários interinos, que representam a lei, devem ser colocados acima deles e adotarem uma atitude ameaçadora para que fique bem claro para eles, bem como para os outros, que nosso objetivo é senão degradá-los, fingindo tomar suas posses. Eles vão perceber que estamos fazendo-lhes um favor, aceitando a Jizya para deixá-los livres. (Al-Maghili, citado no Bat Ye’or, (O Declínio do Cristianismo Oriental sob o Islão, 361).

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A Lei Islâmica codifica várias outras restrições sobre os dhimmis, as quais derivam do Alcorão e da Suna.  Várias centenas de anos de pensamento Islâmico dedicados ao tratamento dos povos dhimmis são resumidos por Al-Damanhuri, do Século XVII, e diretor da Universidade de Al-Azhar no Cairo, o mais prestigiado centro de aprendizagem do mundo Muçulmano:

“…assim como os dhimmis são proibidos de construir Igrejas, outras coisas também são proibidas a eles. Eles não devem ajudar um incrédulo contra um Muçulmano… Levantar a Cruz numa Assembléia Islâmica… Exibir banners de suas próprias férias; obter porte de armas… Ou mantê-las em suas casas. Se fizerem algo do tipo, devem ser punidos, e as armas apreendidas… Os companheiros [do Profeta] concordam sobre esse ponto, a fim de demonstrar a inferioridade dos infiéis e proteger a fé do crente inseguro.dhimmitude 3

Pois, se os vissem humilhados, não se inclinariam na direção da crença deles, o que não é verdade se os vissem no poder, orgulhosos ou trajando luxo, visto que tudo isso poderá exortá-lo a estimar e se inclinar na direção deles, tendo em conta o seu próprio sofrimento e pobreza.  Portanto, ter estima pelos descrentes é incredulidade. (Al-Damanhuri , citado por Bat Ye’or, (The Decline of Eastern Christianity under Islã, 382.)

dhimmitude 2Os Cristão, os Judeus,  e os Zoroastrianos, povos do Oriente Médio, Norte da África e grande parte da Europa sofreram com a opressiva rejeição proveniente da “dhimmi” durante séculos. O status dessas pessoas ou dhimmies é comparável em muitos aspectos a tragédia dos ex-escravos na  América do Sul. Proibidos de construir casas de culto ou reparar as existentes, e economicamente debilitados pela Jizya, socialmente humilhados, legalmente discriminados e geralmente mantidos em permanente estado de fraqueza e vulnerabilidade pelos senhores Muçulmanos, não deveria surpreender que seus números diminuíssem em muitos lugares ao ponto da extinção.

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O declínio da civilização Islâmica, geralmente incompreendido, ao longo dos últimos séculos, é facilmente explicado pelo declínio demográfico das populações dhimmi, que na verdade eram os principais motores de competência técnica e administrativa.

Deve o dhimmi violar as condições do tratado da “dhimma” — talvez praticando sua própria religião indiscretamente ou falhando ao mostrar reverência adequada para um Muçulmano? A Jihad resume. Em vários momentos na História Islâmica, os povos “dhimmis” cresceram acima do status de subjugados,  muitas vezes por ocasião das represálias violentas das populações Muçulmanas que acreditavam terem violado os termos da “dhimma”.

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A Andaluzia medieval (Espanha Mourisca) é muitas vezes apontada por apologistas Muçulmanos como uma espécie de País das Maravilhas multiculturais, em que Judeus e Cristãos foram autorizados pelo governo Islâmico a subirem na hierarquia de aprendizagem e administração do governo.

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O que não é dito, no entanto, é que o abrandamento da opressão resultou em agitação generalizada por parte da população Muçulmana, a qual acabou matando centenas de “dhimmis”, principalmente Judeus. Recusando-se a converter-se ao Islã e afastando as limitações tradicionais impostas pela “dhimma” —(mesmo, a mando do governo Islâmico, que estava precisando de mão de obra capaz), — o “dhimmi” implicitamente escolheu a outra opção permitida pelo Alcorão: a morte.

f – Jihad na Era moderna

Depois da derrota nas muralhas de Viena em 1683, o Islã entrou num período de declínio estratégico e foi dominado pelas potências coloniais Europeias em ascensão. Devido à sua fraqueza material vis-à-vis a oeste, Dar al-Islã foi incapaz de conduzir as campanhas militares em grande escala no território infiel. O império islâmico, então governado pelos Turcos Otomanos, foi forçado a se defender das potências Europeias cada vez mais predatórias.

Em 1856, a pressão Ocidental obrigou o governo Otomano a abandonar a “dhimma” sob o qual os interesses do Império não-Muçulmano trabalhavam. Isso gerou oportunidades até então desconhecidas de melhoria social e pessoal aos dhimmis antigos, mas também fomentou o ressentimento dos Muçulmanos Ortodoxos, que viram isso como uma violação da Sharia e sua Superioridade dada por Alá aos incrédulos.

Por volta do final do século XIX, as tensões entre os assuntos e interesses do Império Europeu explodiram do nada quando o governo Otomano massacrou 30.000 Búlgaros em 1876 por se rebelarem declaradamente contra o domínio Otomano. Após a intervenção Ocidental que resultou na independência Búlgara, o Governo Otomano e seus súditos Muçulmanos ficaram cada vez mais nervosos com outros grupos não-Muçulmanos buscando a independência.

Foi nessa atmosfera que a primeira fase do genocídio Armênio ocorreu em 1896 com o genocídio de 250.000 Armênios. Civis e militares participaram desse genocídio. Peter Balakian, em seu livro, The Burning Tigris, documenta uma história horrível. Mas os massacres da década de 1890 eram apenas o prelúdio um holocausto muito maior em 1915, que reivindicou 1,5 milhões de vidas. Enquanto vários fatores contribuíram para o genocídio, os massacres eram nada mais do que uma Jihad conduzida contra os Armênios, não mais protegidos como eram pelo Tratado da “dhimma”. Em 1914, quando o Império Otomano entrou na Primeira Guerra Mundial ao lado das potências centrais, foi proclamada uma Jihad Oficial Anti-Cristãos.

“Para promover o conceito de Jihad, o Sheikh-ul-Islã {líder religioso mais antigo do Império Otomano} publicou uma proclamação convocando o mundo Muçulmano a uma rebelião para massacrar seus opressores Cristãos. “Oh, Muçulmanos!” diz o documento, “Vós que são apaixonados pela felicidade e estão prestes a sacrificar suas vidas e seus bens pela causa do que é certo e enfrentado o perigo, juntem-se ao redor do trono Imperial”. No Ikdam, um jornal Turco que  tinha passado recentemente para as mãos Alemãs, a ideia da Jihad foi sublinhada: “As ações de nossos inimigos trouxeram a ira de Deus. Um brilho de esperança apareceu. Todos os Muçulmanos, jovens e velhos, homens, mulheres e crianças devem cumprir seu dever. …Se o fizermos, a libertação dos reinos Muçulmanos estará assegurada” …  “aquele que mata um incrédulo,” diz o panfleto, “como um daqueles que nos governam, se o fizer, secretamente ou abertamente, será recompensado por Deus.” (citado em Balakian, The Burning Tigris, 169-70).”

Nota do tradutor: o  vocábulo “Deus” no texto acima, ao invés de Alá, pertence ao texto original — ipsis litteris.

A Jihad contra os Cristãos culminou em 1922, em Esmirna, na costa do Mediterrâneo, onde 150.000 Gregos Cristãos foram massacrados pelo exército Turco, sob o olhar indiferente dos navios de guerra dos aliados. Ao todo, de 1896 a 1923, foram mortos 2,5 milhões de Cristãos, tornando-se o primeiro genocídio moderno, que até hoje é negado pelo governo Turco.

Desde a dissolução do império Islâmico, após a Primeira Guerra Mundial, várias Jihads foram travados ao redor do mundo pelas Nações Muçulmanas independentes e grupos Jihadistas. O esforço mais sustentado tem sido dirigido contra Israel, que cometeu o pecado imperdoável de reconstruir uma Dar al-harb em terras que anteriormente faziam parte do Dar al-Islã. Outros proeminentes Jihads incluem a guerra contra os Soviéticos no Afeganistão, os Bósnios Muçulmanos contra os Sérvios na antiga Iugoslávia, os Albaneses Muçulmanos contra os Sérvios no Kosovo e os Chechenos contra os Russos no Cáucaso. Jihads  também foram travadas em todo o Norte da África, Filipinas, Tailândia, Kashmir e em vizinhanças ao redor do mundo. Além disso, a esmagadora maioria dos ataques terroristas ao redor do mundo foi cometida por Muçulmanos, incluindo, claro, os ataques “espetaculares” de 11 de Setembro de 2001 (nos EUA, quando derrubaram o World Trade Center), 11/03/04 (Espanha) e 07/07/05 (Inglaterra).

World Trade Center Attacked

(Para uma lista mais abrangente de ataques Muçulmanos, visite o site: http://www.thereligionofpeace.com

O fato é que o percentual de conflitos no mundo de hoje que não incluem o Islã é muito pequeno. O Islã está realmente retornando.
  1. Conclusão

A principal barreira até hoje para uma melhor compreensão do Islã — distante, talvez, do temor imediato — é linguagem desleixada.

Tomemos, para começar, a conhecidíssima expressão “guerra ao terror”. Após o escrutínio, “guerra ao terror” faz tanto sentido quanto guerra contra o “blitzkrieg”, contra “balas” ou “bombardeio estratégico”. A “guerra ao terror” implica que está tudo certo se o inimigo vier nos destruir — e, de fato, conseguir fazê-lo — portanto que não empregue “terror” no processo.

O “terrorismo” obviamente é uma tática ou estratagema usado para alcançar uma meta; é o objetivo do terrorismo Islâmico que precisamos entender e isso logicamente passa pela compreensão da mentalidade Islâmica e a história do Islã em si.

Como vimos anteriormente, ao contrário da insistência generalizada de que o verdadeiro Islã é pacífico, mesmo que um punhado de adeptos seja violento, as fontes Islâmicas esclarecem que engajar-se em violência contra não-Muçulmanos é um princípio central e indispensável ao Islã. O Islã é uma ideologia política, que existe num estado fundamental e permanente de guerra contra as pessoas, culturas e civilizações não-Islâmicas, uma fé pessoal. Os textos sagrados Islâmicos delineiam um sistema social, governamental e econômico para toda a humanidade. Culturas e indivíduos que não se submetem ao governo Islâmico existem apenas num estado “ipso facto” de rebelião com Alá e devem ser levados à força e à submissão. O termo peculiar “Fascismo-Islâmico” é totalmente redundante: O próprio Islã é uma espécie de fascismo que só atinge sua forma plena e apropriada quando assume os poderes do Estado.

Os atos espetaculares de terrorismo Islâmico do século XX ao início do século XXI são a manifestação mais recente de uma guerra global de conquista que o Islã vem travando desde os dias do Profeta Muhammad no século VII e que continua até hoje em ritmo acelerado. Essa é a verdade, simples e clara, e está encarando o mundo nos olhos hoje em dia — e que vem encarado o mundo nos olhos desde o passado, — mas até hoje, infelizmente, parece que poucos estão dispostos a admitir,

É importante perceber que vínhamos falando sobre o Islã — não sobre o “Fundamentalismo Islâmico,” “Extremismo”, “Fanatismo,” “Fascismo-Islâmico”, ou “Islamismo”, mas sobre o Islã propriamente dito, o Islã na sua forma ortodoxa como tem sido entendido e praticado por fiéis Muçulmanos  desde o tempo de Muhammad até a presente data. Os episódios criados pelo terrorismo Islâmico do final do Século XX até o início do Século XXI são devidos às mudanças geoestratégicas após o fim da guerra fria e as crescentes opções técnicas disponíveis aos terroristas.

Com o colapso da hegemonia Soviética sobre grande parte do mundo Muçulmano, juntamente com a crescente riqueza dos países Muçulmanos produtores de petróleo, cada vez mais o mundo Muçulmano adquire liberdade e meios para apoiar a Jihad ao redor do mundo. Em suma, a razão pela qual os Muçulmanos declaram guerra, cada vez mais, contra o mundo não-Muçulmano é porque podem.

Entretanto, é fundamental observar que mesmo que nenhum grande ataque terrorista venha a ocorrer novamente em solo Ocidental, o Islã ainda assim continuará a ser um perigo mortal para o Ocidente.

Uma interrupção no terrorismo simplesmente não significa uma mudança nas táticas do mesmo — talvez indique uma abordagem de longo prazo, que permita a imigração Muçulmana, maiores taxas de nascimento, para trazer o Islã mais perto da vitória antes da próxima rodada de violência. Isso não pode ser subestimado porque o terrorismo Islâmico é um sintoma do Islã, que pode aumentar ou diminuir de intensidade, enquanto o Islã, adequado, permanece permanentemente hostil.

Muhammad Taqi Partovi Samzevari, em seu “O Futuro do Movimento Islâmico” (1986), resume a visão Islâmica de mundo:

“Nosso Profeta… foi um general, um estadista, administrador, economista, jurista e gerente de primeira classe, tudo em um… Na visão histórica do Alcorão, e tem apoio de Alá, a luta revolucionária do povo deve unir-se, para que governantes satânicos sejam derrotados e condenados à morte. Um povo que não está preparado para matar e morrer a fim de criar uma sociedade justa, não pode esperar qualquer suporte de Alá. O Todo-Poderoso prometeu-nos que o dia virá quando toda a humanidade viverá unida sob a bandeira do Islã, quando o Sinal do Crescente, o Símbolo de Muhammad, será supremo em todos os lugares.… Mas esse dia deve ser apressado através da Jihad, através de nossa prontidão para oferecer nossas vidas e para derramar o sangue impuro daqueles que não vêem a luz trazida dos céus, por Muhammad, em sua Miraj {“viagens noturnas para o «Tribunal» de Alá”}. … É Deus quem coloca a arma na mão. Mas não podemos esperar que Ele puxe o gatilho simplesmente porque somos covardes.”

Deve ser enfatizado que todas as análises fornecidas aqui derivam de fontes Islâmicas em si, e que não é produto dos críticos ou acadêmicos do Ocidente. Na verdade, os mais modernos acadêmicos Ocidentais que estudam o Islã atuam raramente como “críticos” no mais amplo sentido. É a própria  interpretação que o mundo Islâmico faz de si que ínsita e glorifica a violência, e não qualquer interpretação estrangeira.

  1. Perguntas frequentes

Há sempre um punhado de perguntas que invariavelmente surgem quando alguém menciona que o Islã é violento. A maior parte dessas perguntas são enganosas ou irrelevantes, e não contestam a evidência real ou argumentos de que a violência é inerente ao Islã. De qualquer forma, apresentam-se retoricamente eficazes, esquivando-se de sérios escrutínios por parte do Islã, das quais analisaremos alguns exemplos.

a – E sobre as Cruzadas?

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A resposta óbvia a essa pergunta é, “Bem, e quanto a eles?”. A violência cometida em nome de outras religiões está logicamente desconectada da questão, o seja, se o Islã é violento. Mas, ao mencionar as Cruzadas, o apologista Islâmico espera desviar a atenção para bem longe da violência Islâmica, para retratar as religiões em geral como moralmente equivalentes.

No meio acadêmico Ocidental e nos meios de comunicação, bem como no mundo Islâmico, as Cruzadas são vistas como guerras agressivas que foram deslanchadas pelos Cristãos sanguinários contra Muçulmanos pacíficos. Enquanto as Cruzadas foram certamente sangrentas, elas são melhor compreendidas como, uma resposta Ocidental tardia, por séculos de ataques da Jihad, do que como um ataque não provocado, unilateral. O domínio Muçulmano na Terra Santa começou na segunda metade do século VII, durante a onda da Jihad Árabe como as conquistas de Damasco e Jerusalém pelo segundo Califa Umar.

Após o início da sangrenta Jihad, a vida dos Cristãos e Judeus era tolerada dentro das imposições da dhimma e Muçulmanos Árabes geralmente permitiam que os Cristãos do exterior continuassem a fazer suas peregrinações aos seus locais sagrados, uma prática que provou ser lucrativa para o estado Muçulmano. No século XI, a administração Árabe, relativamente benigna, da Terra Santa, foi substituída pela dos Turcos Seljuk, devido a guerra civil no império Islâmico. Durante a última metade do século XI, os Turcos travaram uma guerra contra o Império Bizantino Cristão e os retiraram de suas fortalezas em Antioquia e Anatólia (hoje, Turquia). Em 1071, forças Bizantinas sofreram uma esmagadora derrota na batalha de Manzikert, no que é hoje a Turquia Oriental. Os Turcos retomaram a Jihad na Terra Santa, abusando, roubando, escravizando e matando os Cristãos por toda a Ásia menor. Ameaçaram expulsar a Cristandade do seu local mais sagrado, a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, reconstruída sob administração Bizantina, e que depois foi destruída pelo Califa Al-Hakim bi-Amr Alá em 1090.

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Foi neste contexto de uma renovada Jihad no Médio Oriente que o Papa Romano, Urban II, lançou um apelo em 1095, para que os Cristãos Ocidentais ajudassem seus primos Orientais (e parece ter acolhido a esperança de reivindicar Jerusalém para o Papado após a Grande Ruptura (Schim) com o Cristianismo Oriental em 1054). A “Peregrinação Armada” onde numerosos civis bem como soldados tomaram parte, eventualmente se tornaria conhecida anos mais tarde como a Primeira Cruzada. A ideia de uma “Cruzada” como nós agora entendemos o termo, ou seja, um “Guerra Santa” Cristã, desenvolveu-se anos mais tarde com o surgimento de organizações como a Ordem dos Templários, que fez da “Cruzada” um modo de vida. É interessante notar que os mais fervorosos Cruzados, os Francônios, foram exatamente aqueles que tinham enfrentado a Jihad e razzias (ataques) durante séculos ao longo da fronteira Franco-Espanhola e sabiam melhor do que ninguém os horrores a que os Muçulmanos sujeitavam o Cristãos. Na época da primeira Cruzada, as populações da Ásia menor, Síria e Palestina, embora governada por Muçulmanos, eram ainda predominantemente Cristãs. As campanhas dos exércitos Cristãos Ocidentais “As Cruzadas”, eram justificadas na época, como uma guerra para libertar os Cristãos Orientais, cuja população, terras, e cultura tinham sido devastadas por séculos pela Jihad e pela “dhimmitude”. Conquistar um território para Deus, nos moldes da Jihad, era uma ideia alienígena ao Cristianismo, e não deveria ser uma surpresa o fato dela ter morrido no Ocidente e nunca ter ganho ascendência no Oriente.

Após a sangrenta captura de Jerusalém em 1099 pelos exércitos Latinos e do estabelecimento dos Estados Cruzados em Jerusalém, Antioquia e Edessa, as forças Muçulmanas e Cristãs lutaram uma série de batalhas, em que ambas as partes eram culpadas pela gama de atrocidades e imoralidades usuais em tempo de guerra. Ao longo do tempo, mesmo com reforço dos Cruzados vindo da  Europa, dos Estados Cruzados, enlouquecidos com as precárias linhas de comunicação, lentamente sucumbiram ao poder superior Muçulmano. Em 1271, a última cidadela Cristã, Antioquia, caiu nas mãos Muçulmanas. Não precisando mais desviar as forças para combater Cristãos no Mediterrâneo Oriental, os Muçulmanos se reagruparam para uns 400 longos anos de Jihad contra o Sul da Europa Oriental, que atingiu duas vezes Viena antes de ser interrompida. Em termos geoestratégicos, as Cruzadas podem ser vistas como uma tentativa do Ocidente de prevenir sua própria destruição pelas mãos da Jihad Islâmica, enfrentando o inimigo na guerra. Funcionou por um tempo.

Significativamente, enquanto que o Ocidente por algum tempo lamentou as Cruzadas como um engano, nunca houve qualquer menção de qualquer autoridade Islâmica séria de arrependimento por séculos e séculos de Jihad e “dhimmitude” perpetrados contra outras sociedades. Mas isso não é surpreendente: enquanto a violência religiosa contradiz os fundamentos do Cristianismo, a violência religiosa está prescrita no DNA do Islã.

b – Se o Islã é violento, por que tantos Muçulmanos pacíficos?

Essa pergunta é um pouco como perguntar, “se o Cristianismo ensina humildade, tolerância e perdão e por que tantos Cristãos, arrogantes, intolerantes e vingativos?” A resposta em ambos os casos é óbvia: em qualquer religião ou ideologia sempre haverá aqueles que profetizam seus princípios, mas não os praticam.  Assim como muitas vezes é mais fácil para um Cristão revidar, se julgar superior ou desprezar os outros, muitas vezes é mais fácil para um Muçulmano ficar em casa ao invés de embarcar numa Jihad. Hipócritas estão por toda parte.

Além disso, também há pessoas que realmente não entendem sua própria fé e agem fora de seus limites prescritos. No Islã, existem provavelmente muitos Muçulmanos que realmente não entendem sua religião graças a importância de recitar o Alcorão em Árabe, mas não tendo como entendê-lo. São as palavras e os sons do Alcorão que atraem a atenção misericordiosa de Alá ao invés do conhecimento do Alcorão por parte do requisitante. Especialmente no Ocidente, os Muçulmanos são mais propensos a serem atraídos pelas maneiras Ocidentais (o que explica por que estão aqui) e menos propensos a reagir violentamente contra a sociedade, para a qual migraram para fugir da tirania Islâmica no exterior.

No entanto, em qualquer contexto social, onde o Islã se enraizar com força— o aumento no número de seguidores, a construção de mais Mesquitas e “centros culturais”, etc. — aumenta a probabilidade de que um número grande de adeptos levará seus preceitos violentos a sério. Esse é o problema que o Oeste enfrenta hoje.

c – E sobre as passagens violentas na Bíblia?

Em primeiro lugar, as passagens violentas na Bíblia são irrelevantes para sabermos se o Islã é violento.

Em segundo lugar, as passagens violentas na Bíblia certamente não equivalem a uma ordem para que cometam violência contra o resto do mundo. Ao contrário do Alcorão, a Bíblia é uma coleção enorme de documentos escritos por pessoas, em diferentes em momentos e em diferentes contextos, que permite uma maior liberdade de interpretação. O Alcorão, por outro lado, trata exclusivamente de uma única fonte: Muhammad. É através da vida de Muhammad que o Alcorão deve ser entendido, como diz o próprio Alcorão. Suas guerras e mortes tanto refletem como informam o significado do Alcorão. Além disso, o literalismo estrito do Alcorão significa que não há espaço para interpretação quando se trata de suas violentas imposições. Da mesma forma que é através do exemplo de Cristo, o “Príncipe da Paz”, que o Cristianismo interpreta suas escrituras, é através do exemplo do Senhor da Guerra e déspota, Muhammad, que os Muçulmanos compreendem o Alcorão.

d – Uma “reforma” Islâmica poderia pacificar o Islã?

Como deve ser simples para quem examinou as fontes Islâmicas, retirar a violência do Islamismo exigiria ejetar duas coisas: o Alcorão como a palavra de Alá e Muhammad como Profeta de Alá. Em outras palavras, pacificar o Islã exigiria sua transformação em algo que ele não é. A reforma Cristã ocidental, que é usada frequentemente como um exemplo, foi uma tentativa (bem sucedida ou não) de recuperar a essência do Cristianismo, ou seja, o exemplo e os ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos. Se tentarmos voltar ao exemplo de Muhammad teremos diferentes e sérias consequências. De fato, alguém pode dizer que hoje, o Islã hoje passando por uma “reforma” com a crescente atividade da Jihad ao redor do globo. Hoje, os Muçulmanos da escola Salafi (“primeiras gerações”) estão fazendo exatamente isso, centrando-se sobre a vida de Muhammad e seus primeiros sucessores. Esses reformadores são conhecidos por seus detratores pelo desrespeitoso termo:  “Wahhabi”. Tendo como inspiração Muhammad e o Alcorão, invariavelmente estão dispostos à violência. O fato triste é que o Islã é hoje o que foi há quatorze séculos: violento, intolerante e expansionista. É loucura pensar que nós, no decorrer de alguns anos ou décadas, vamos ser capazes de mudar a visão básica de mundo de uma civilização estrangeira. A natureza violenta do Islã deve ser aceita como um dado; Só então seremos capazes de inventar respostas e políticas adequadas que possam melhorar nossas chances de sobrevivência.

e – E sobre a história do colonialismo Ocidental no mundo Islâmico?

Após a derrota do exército Otomano fora de Viena, em 11 de Setembro de 1683, por forças Polonesas, o Islã entrou num período de declínio estratégico, quando foi dominado de forma esmagadora pelas potências Europeias. Muito do Dar al-Islã foi colonizado por potências Europeias que empregaram sua tecnologia superior e exploraram as rivalidades dentro do mundo Muçulmano para estabelecer o domínio colonial.

Enquanto muitas das práticas das potências Ocidentais no governo das suas colônias imperiais foram claramente injustas, é totalmente injustificável considerar o imperialismo Ocidental — como muitas vezes acontece — como um empreendimento criminoso endêmico e que é a base do moderno ressentimento contra o Ocidente. Foi apenas devido ao papel assertivo das potências Ocidentais que os estados e as nações modernas tais como Índia, Paquistão, Israel, África do Sul, Zimbabwe, etc. conseguiram existir em primeiro lugar. Sem a organização Ocidental, essas áreas teriam provavelmente permanecido caóticas e tribais como foram por séculos.

Quando se olha para o mundo pós-colonial, é evidente que as Nações pós-coloniais mais bem sucedidas têm um atributo em comum: não são Muçulmanos. Os Estados Unidos, Austrália, Hong Kong, Israel, Índia e Nações Sul-Americanas claramente ofuscam os seus homólogos pós-coloniais majoritariamente Muçulmano — Iraque, Argélia, Paquistão, Bangladesh, Indonésia, etc. — em qualquer padrão.

f – Como uma ideologia política violenta pode tornar-se a segunda maior religião e de mais rápido crescimento na terra?

Não deveria ser surpreendente que uma ideologia política violenta se prove tão atrativa a uma grande parte do mundo. O poder atrativo das ideias fascistas foi provado através da história. Islã combina o conforto interior fornecido pela fé religiosa, com o poder externo de uma ideologia política de transformar o mundo. Similar à violência revolucionária do Comunismo, a Jihad oferece uma justificativa altruísta por declarar morte e destruição. Esse tipo de ideologia, naturalmente atrairá pessoas violentas de espírito, encorajando também as não-violentas a pegarem em armas ou a apoiarem a violência indiretamente. Porque se algo é popular dificilmente o torna benigno.

Além disso, as áreas em que o Islã está crescendo mais rapidamente, como a Europa Ocidental, têm sido despidas de grande parte de sua herança religiosa e cultural, o que faz do Islã uma ideologia vibrante e disponível para aqueles em busca de sentido.

g – É justo caracterizar todas as escolas de pensamento Islâmico como violentas?

Apologistas Islâmicos, muitas vezes comentam que o Islã não é um monólito e que existe diferenças de opinião entre as diferentes escolas de pensamento Islâmico. É verdade, mas embora existam diferenças, também existem elementos comuns. Assim como Ortodoxos, Católicos Romanos e Protestantes Cristãos diferem em muitos aspectos do Cristianismo, ainda aceitam elementos comuns importantes. Assim é com o Islã. Um dos elementos comuns a todas as escolas de pensamento Islâmico é a Jihad, entendida como uma obrigação da Ummah (comunidade constituída por todos os Muçulmanos do mundo), para conquistar e dominar o mundo em nome de Alá e governá-lo sob a Lei Sharia.

As quatro escolas Sunitas Madhhabs de Jurisprudência Religiosa Islâmica (figh) 
— Hanafi, Maliki, Shafi'i e Hanbali — 
todas concordam que há 
uma obrigação coletiva aos Muçulmanos 
para que façam guerra contra o resto do mundo.
Sufis (Whirling Dervishes)
Sufi (Whirling Dervishes)

Além disso, mesmo as escolas de pensamento fora da ortodoxia Sunita, incluindo o Sufismo e a escola Jafari (Shia), concordam com a necessidade da Jihad. Quando se trata de assuntos da Jihad, as diferentes escolas discordam sobre questões como se os infiéis primeiro tivessem que ser solicitados a se converter ao Islã antes das hostilidades começarem (Osama bin Laden pedindo à América para se converter antes dos ataques da Al-Qaeda); como os saques devem ser distribuídos entre os Jihadistas vitoriosos; se uma estratégia de longo prazo (Fabian Strategy) contra Dar al-harb é preferível ou um ataque total frontal; etc.

h – E sobre as grandes conquistas da civilização Islâmica através da história?

Conquistas Islâmicas no campos da arte, literatura, ciência, medicina, etc. de maneira nenhuma refutam o fato do Islã ser intrinsecamente violento. Civilizações Gregas e Romanas produziram muitas conquistas nesses domínios, mas também cultivaram poderosas tradições violentas. Enquanto davam ao mundo a genialidade de Virgílio e Horácio, Roma serviu de casa para gladiadores, massacre de Cristãos e por vezes ao militarismo galopante.

Além disso, as conquistas da civilização Islâmica foram bastante modestas diante dos seus 1300 anos de História, quando comparada às civilizações Ocidentais, Hindu ou Confucionista. Muitas conquistas Islâmicas eram, na verdade, o resultado de não-Muçulmanos vivendo dentro do Império Islâmico ou de recém convertidos ao Islã. Um dos maiores pensadores Islâmicos, Averroes, entrou em conflito com a ortodoxia Islâmica, através dos estudos de filosofia (Grega) não-Islâmica e sua preferência por modos Ocidentais de pensamento. Uma vez que a população “dhimmi” do Império diminuiu na metade do segundo milênio d.C., quando o Islã iniciou o seu “declínio” social e cultural.

Manuscrito — Parte de um Alcorão do Século VII
  1. Glossário de termos

Allah (Alá): “Deus”;  Cristãos Árabes também adoram “Alá”, mas um Alá de um tipo muito diferente.

Alahu Akhbar: “Alá é maior”; termo de louvor; grito de guerra dos Muçulmanos.

Nota do tradutor: O grito de guerra — alahu akhbar — é erroneamente traduzido pela grande mídia Ocidental como “Deus é grande”. Mas o verdadeiro significado é “Alá é maior”, significando que Alá é maior do que o seu Deus ou o seu Governo.

AH: (After Hijra, em  Inglês) e DH “Depois da Hijra”; o Calendário Islâmico – sistema de datação; emprega o ano lunar em vez de ano solar; a partir de Janeiro de 2007, estamos em 1428 DH.

Ansar: “aiders” ou “ajudantes”; Uma tribo árabe aliada a Muhammad e os primeiros Muçulmanos.

Badr: primeira batalha significativa travada por Muhammad e os Muçulmanos contra a tribo dos Quraish de Meca.

Califa:  Título do governante ou líder da Umma (comunidade Muçulmana global); Líder do antigo Império Islâmico; o título foi abolido por Kemal Attaturk em 1924, após a dissolução do Império Otomano e o fundador da Turquia moderna.

Dar al-Islã: casa (Reino) do Islã; território Islâmico governado pela lei Sharia.

Dar al-harb: “Casa (Reino) de Guerra”: território governado por infiéis.

Dar al-sulh: “Casa (Reino) de Trégua”: território governado por infiéis, mas aliado ao Islã; território governado por Muçulmanos, mas não sob a Lei Sharia.

Dhimma: o Pacto de Proteção estendida aos não-escravos,  “Povo do livro”, primeiramente Judeus, Cristãos e Zoroastrianos, que permitiu-lhes permanecer nominalmente livres do domínio Muçulmano.

Dhimmi: “protegido”; pessoas sob a proteção da dhimma.

Dhimmitude: palavra cunhada pela historiadora Bat Ye’or para descrever o status dos povos “dhimmies”.

Hadith: “relatos”; (plural: Ahadith) Qualquer um dos milhares de episódios da vida de Maomé transmitidas oralmente e escritos no oitavo século d.C.; Sahih (confiável ou som)  perdendo apenas para o Alcorão em autoridade.

Hijra: “emigração”; Ida de Muhammad de Meca para Medina (Yathrib) em 622 d.C.

Islã: “submissão” ou “rendição”.

Jizya: Imposto ou Taxa de Proteção prescrito pela  Sura 9:29 do Alcorão, a ser pago pelos Cristãos e Judeus em território Muçulmano.

Kaba: “cubo”; o templo de Meca em que inúmeros ídolos pagãos estavam alojados antes da conquista de Meca por Muhammad em d.C. 632, que é ainda o mais venerado objeto no Islã;  pedra angular de Kaba, que acreditam ter caído do céu, é a pedra em que Abraão foi sacrificar seu filho, Ismael (não Isaac).

Meca: Cidade mais sagrada do Islã; local de nascimento de Muhammad em 570 d.C.; sua grande mesquita contém a pedra Kaba; início do período na vida de Muhammad, onde os mais pacíficos versículos do Alcorão foram revelados; local da vitória de Muhammad sobre os Quraish em 630 d.C..

Medina:  Abreviação de “a cidade do Profeta”; segunda cidade mais sagrada do Islã; destino da Hijra  (emigração)  de Muhammad em 622 d.C.; período posterior da vida de Muhammad, onde os mais violentos versículos do Alcorão foram revelados; local de terceira grande batalha travada por Muhammad contra a tribo dos Quraish, de Meca; anteriormente chamada de Yathrib.

Muhammad: “O Louvado”

Muçulmano: Aquele que se submete.

Alcorão (Kuran, Alcorão, etc.): “recitação”; de acordo com o Islã, as palavras foram literalmente compiladas de Alá conforme ditado por Muhammad.

Razzia: “raid”; atos de pirataria na terra ou no mar pelos Muçulmanos contra os infiéis

Sira: “vida”; abreviatura de Sirat Rasul Alá, ou “Vida do Profeta de Alá”; uma biografia canônica do Profeta Muhammad escrita no século VIII por Ibn Ishaq e mais tarde editada por Ibn Hisham; Tradução moderna por Alfred Guillaume.

Suna: O “caminho” do Profeta Muhammad; inclui seus ensinamentos, tradições e exemplos.

Sura: um capítulo do Alcorão; Passagens corânicas são citadas com números: verso de Sura, por exemplo, 9:5.

Uhud: Segunda grande batalha lutada por Muhammad contra a tribo dos Quraish de Meca.

Umar: Segundo califa “corretamente guiado”; governou d.C. 634 –44, sucedeu Abu Bakr; conquistou a Terra Santa.

Umma (ummah): a comunidade mundial Muçulmana; o corpo dos fiéis Muçulmanos.

Uthman: Terceiro califa— “corretamente guiado”; governou d.C., 644–56, sucedeu Umar; compilou o Alcorão em forma de livro.

Yathrib: Cidade que Muhammad fez a Hijra (emigração) a.C. 622; renomeada Medina.

  1. Outras fontes on-line:

Center for the Study of Political Islã

Chronicles Magazine

Dhimmi.org

FaithFreedom.org

HistoryofJihad.com

U Michigan’s  searchable online version of the Quran translated by Shakir.

USC’s Muslim Students Association’s — website com múltiplas pesquisas e traduções do Alcorão e Hadiths.


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis
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