O FIM DA CERTIFICAÇÃO HALAL PRIVADA NA AUSTRÁLIA

Fonte/Source: The End Of Private Halal Certification In Australia

O FIM DA CERTIFICAÇÃO HALAL PRIVADA NA AUSTRÁLIA
 Por PAUL ZANETTI

Paul Zanetti, é premiado pela The Walkley Foundation, e um cartunista sindicalizado com mais de 30 anos na mídia.  

Kirralie Smith, Candidata a Senadora pela Australian Liberty Alliance Party NSW.

12 de Novembro de 2015

CORRUPÇÃO. Extorsão. Fixação de preços. Financiamento involuntário da religião por parte dos consumidores. Ligações com o extremismo e o terrorismo. Está tudo a ponto de terminar. O governo Federal Australiano está trabalhando para extinguir 33 ou mais certificadores Halal privados das nossas cadeias alimentares.

Os autoproclamados “milionários Halal” e os especuladores,  terão que se aposentar, encontrar outros meios para extorquir dinheiro ou buscar outros mercados, de consumidores descuidados, no exterior. Um empresário Halal Australiano agora está com os seus olhos voltados para mercados Halal mais amplos, com escritórios na América do Sul, China e Irlanda.

À medida que mais governos despertam para o esquema de “Certificação Halal privada”, com todos os seus problemas sistêmicos, surgirá um impulso global para um padrão de Certificação Halal reconhecido internacionalmente, livre de corrupção, um logotipo intergovernamental de marca registrada, possivelmente sob os auspícios da Organização Mundial do Comércio (OMC), que regula o comércio internacional.

Isso não quer dizer que não haverá corrupção interna, afinal estamos falando de uma mentalidade cultural onde poder e dinheiro corroem virtudes morais. Mas, qualquer corrupção interna terá ramificações generalizadas para um organismo como a OMC, ou quaisquer indivíduos ou empresas envolvidas, danificando a marca “Halal”.

Na Austrália, o governo Federal criará sua própria agência especial de Certificação e marca registrada. Isso não é nada revolucionário ou radical.

Cada país Islâmico tem apenas uma agência “Halal” ou departamento governamental.

A Austrália tem uma bagunça desordenada de empresários privados e organizações Islâmicas lucrativas cujos relatórios anuais mostram que milhões de dólares estão sendo sangrados dos bolsos dos consumidores e então sendo redistribuídos para causas Islâmicas aqui e no exterior. Essas causas vão desde o financiamento direto à Mesquitas, escolas Islâmicas na Austrália ou em países Islâmicos, até doações para instituições de caridade Islâmicas com ligações conhecidas a organizações terroristas.

De 1981-’82 a Comissão Woodward da Indústria Australiana de Carne recomendou que houvesse, um selo do governo Halal e um órgão governamental. Isso nunca foi implementado, resultando no crescimento de um mercado não regulamentado de criadores de gado Halal. Os players da indústria Islâmica apontam o dedo uns aos outros, lutando pelo espólio, acusando os outros de corrupção e fixação de preços.

A hostilidade do consumidor é ferrenha via sites de ‘boicote Halal’ e sites de mídia social atraindo dezenas de milhares de seguidores.

Halal não irá desaparecer enquanto houver Muçulmanos. A Austrália se beneficia enormemente do mercado de exportação Halal. Halal em si não é o problema.

O sistema de Certificação Australiano é a questão, um sistema que foi originalmente concebido para exportações de carne para países Islâmicos, se transformou num monstro, com suas garras nas carteiras e bolsas de cada Australiano. Mais de 80% das nossas compras no supermercado tem Certificação Halal, financiando causas Islâmicas — 80% dos mantimentos domésticos financiando uma religião que representa dois por cento da população Australiana.

Halal é uma exigência religiosa para os Muçulmanos. A palavra significa simplesmente “permissível” em Árabe. Halal existiu por 1400 anos sem a necessidade — do recentemente fabricado e rentável, — “sistema de Certificação”.

A carne, por exemplo, deve ser preparada através de um  corte na garganta do animal, enquanto ainda está vivo. Em pânico e terror, o coração do animal bombeia o sangue. Sim, é cruel e bárbaro, de outra era, mas é uma exigência religiosa, uma questão mais adequada para os ativistas protetores de animais.

Em países como a Dinamarca, a Suécia, a Noruega e os Países Baixos, o abate Halal sem o pre-stunnning (pré-abate/atordoamento) foi proibido quando as leis que protegem os direitos dos animais avançaram sobre os rituais religiosos.

Na Austrália, a maioria dos matadouros Australianos emprega apenas homens Muçulmanos para o abate Halal, onde rituais religiosos superam nossas leis de discriminação. Esta prática de emprego é ilegal e ainda será contestada.

O sistema de abate kosher Judaico é idêntico. De fato, o profeta Islâmico Muhammad, criado entre os Judeus em Meca, simplesmente copiou muitos dos ensinamentos e práticas dos Judeus e Cristãos, e em seguida, acrescentou algumas peculiaridades, como matar Judeus e Cristãos, para criar o Islã.

Eis a diferença entre a carne Halal e kosher na Austrália: os abatedores kosher Judeus vão ao matadouro, fazem o seu trabalho e em seguida vão embora. Tudo organizado pelos Rabinos. Nenhuma imposição de emprego para somente Judeus machos. Nenhuma imposição de taxas aos consumidores. Toda a carne vendida em todos os nossos principais supermercados, Woolies, Coles, Aldi, IGA, Franklins etc. tem o certificado Halal, mas não kosher.

Na semana passada, o governo Federal encerrou um inquérito no Senado sobre a Certificação de Alimentos por terceiros.

O inquérito foi necessário devido aos milhares de e-mails e cartas endereçadas aos Parlamentares indagando por que os consumidores foram involuntariamente extorquidos por interesses religiosos. Os compradores queriam saber para onde estava indo o dinheiro do supermercado.

Certificadores Islâmicos foram convidados a comparecer para explicar os prós e contras da Certificação Halal.

Apenas dois compareceram.

Sob forte questionamento, os dois certificadores que compareceram admitiram que a indústria precisa de uma sacudida. Todos concordam com isso.

Um dos certificadores Islâmicos afirmou que só cobravam para ‘cobrir os custos’. Quando o Senador Cory Bernardi perguntou por que então o seu relatório anual mostrou um lucro de US$ 900.000 no ano passado e US$ 700.000 no ano anterior, o certificador declarou que o relatório anual “estava errado”. Bernardi então perguntou se o relatório anual submetido à ATO e ao Senado tinha sido falsificado. O certificador Islâmico disse que teria que verificar, e que daria um retorno.

O Senado publica suas conclusões e recomendações em 30 de Novembro. A partir daí novas leis e regulamentos tomarão forma.

Coincidindo com a investigação do Senado, alguns dos maiores processadores de carne do país pediram ao governo Federal que reformasse urgentemente o sistema de Certificação de carne Halal.

O ABC relata que nossas maiores empresas de processamento de carne, incluindo a JBS, a Teys, a NH Foods Australia e a Nolan Meats, alertaram o governo de que o atual sistema de Certificação está causando “falhas no acesso ao mercado” e “perda contínua de confiança” na carne Australiana por consumidores de países Muçulmanos.

As empresas se reuniram recentemente com o Departamento de Agricultura em Melbourne para discutir a reforma, pedindo que todo o sistema de abate e Certificação Halal seja supervisionado pelo governo Federal.

Com a indústria pedindo reforma e apenas um órgão de Certificação Halal do governo; com os consumidores também pedindo reforma — e liberdade de escolha; com ativistas pedindo boicotes até que tenham confiança de que suas despesas de supermercado não estão financiando causas religiosas e Certificadores concordando que o sistema precisa ser revisto, haverá apenas um resultado — o governo irá supervisionar todas as certificações Halal.

Um certificado, Um carimbo. Fundos para o governo cobrir os custos. Nenhuma especulação. Não haverá mais dinheiro para causas religiosas desconhecidas e nefastas, aqui ou no exterior.

Finalmente, não poderia deixar de mencionar que, o inquérito sobre a Certificação Halal e as inevitáveis ​​mudanças que irão suceder, não teriam sido possíveis se não fosse por uma pessoa — Kirralie Smith do site Escolhas Halal (HalalChoices).

De acordo com essa típica mãe Australiana, ela percebeu a fraude quando notou as linhas curvas nos rótulos da Vegemite, Coon Cheese e do chocolate Cadburys.

Vários anos atrás, quando a Certificação Halal era desconhecida para a maioria dos consumidores, a Sra. Smith procurou informações perguntando o que significava o logotipo Árabe. Não encontrou, não existe informação ao consumidor em lugar algum sobre isso. Nem mesmo em sites governamentais ou de consumidores.

Então, ela optou por fazer seus próprios contatos com as empresas e certificadores Halal, tomou muitas notas pessoais, e então decidiu compartilhar sua pesquisa e conhecimento num site de escolhas de consumidor recém-criado — http://www.Halalchoices.com.au

Este site foi autofinanciado, sem subsídios do governo ou ajuda externa.  Trabalhando na sua própria casa, esta mãe, que tinha compilado tanta informação e conhecimento sobre a indústria Halal na Austrália, fez dela uma especialista involuntária em Halal na Austrália.

Quanto mais Smith cavava, mais ela se convencia de que ela e outros consumidores estavam sendo enganados, financiando uma religião.

Smith tornou-se um campeã para os consumidores Australianos. Sua luta obstinada para expor a Certificação Halal na Austrália lhe rendeu um processo por um certificador Halal (atualmente em andamento), o que a fez mudar de casa devido as ameaças. Mas, ela não vai desistir.

Foi convidada a fornecer provas para um inquérito do Senado, onde foi elogiada pelo apoiador da Certificação Halal, Presidente Sam Dastyari pelo trabalho incrível em sua apresentação.

Smith foi convidada pelo recém-formado Australian Liberty Alliance para representar NSW no Senado na próxima eleição. Depois de muita resistência, decidiu transformar a sua vida e se posicionar como Senadora.

Eu não consigo pensar num exemplo melhor do que essa pequena batalhadora Australiana, assumindo toda uma indústria e vencendo. Um verdadeiro conto de David e Golias.

Há muito mais nesse biscoito (sic) frágil do que muitos imaginam. Se alguma vez existiu um candidato privilegiado para a ‘História Australiana’ -ABC aqui está,  gritando para ser produzida, mas não vou prender o fôlego.

Ms. Smith, lentamente acordou alguns dos meios de comunicação, mas muitos ainda estão dormindo. Quando o sistema de Certificação Halal for extinto e extirpado, alguns irão perguntar, “como isso aconteceu?”.

Outros nem sequer notarão.


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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