ISIS: A ÚLTIMA FASE DA JIHAD

Fonte/Source: ISIS: The Latest Phase of the Jihad – Raymond Ibrahim

Nota do blog: Este artigo, escrito em 5 de Fevereiro de 2016, continua absolutamente atual. O autor o republicou hoje por causa de sua entrevista à uma rádio, onde comenta sobre “A diferença — Apocalíptca e Prática — entre o ISIS e a al-Qaeda“. Para os versados na língua Inglesa, eis aqui o link para ouvir a entrevista : Apocalyptic – and Practical – Differences between ISIS and Al-Qaeda – Raymond Ibrahim


ISIS: A ÚLTIMA FASE DA JIHAD

Por Raymond Ibrahim

22 de Fevereiro de 2017

Hoover Institution’s Strategika

A melhor maneira de entender o Estado Islâmico (ISIS) é vê-lo como a próxima fase da Al-Qaeda. Todos os grupos jihadistas Islâmicos Sunitas — Boko Haram, ISIS, Taliban, al-Shabaab, al-Qaeda e até mesmo o Hamas — compartilham as mesmas motivações baseadas numa leitura literal e ortodoxa da história e da doutrina Islâmica: ressuscitar um califado (que existiu de várias formas de 632 a 1924) que implementa e difunde a totalidade da sharia, ou lei Islâmica.

Portanto, as notórias atrocidades do ISIS — decapitação, crucificação, escravidão sexual e destruição de locais de culto não-Sunitas — estão sendo cometidas por outros grupos jihadistas (por exemplo, Boko Haram e al-Shabaab, ambos os quais prometeram lealdade ao ISIS) e até mesmo para alguns governos Muçulmanos (por exemplo, Arábia Saudita) e Muçulmanos individuais ao redor do mundo.

Por outro lado, embora a al-Qaeda (AQ) professe à mesma sharia que o ISIS implementa, há muito vem travando uma guerra de propaganda contra o Ocidente. AQ retrata todos os ataques terroristas no Ocidente, incluindo o 11 de Setembro, como mera retaliação às políticas injustas do Ocidente contra Muçulmanos, incluindo o apoio a Israel e aos ditadores Árabes. [1]

Para manter essa narrativa de “ressentimento”, AQ sabe que os aspectos supremacistas e violentos inerentes à sharia — por exemplo, a destruição de Igrejas por parte do ISIS e a subjugação de minorias Cristãs “infiéis” — precisam ser restringidos ou ocultos do mundo Ocidental. Caso contrário, os esforços da AQ de retratar os jihadistas como “combatentes da liberdade” que resistem a um Ocidente opressivo correm o risco de serem minados. [2]

Independentemente disso, a estratégia da AQ de transformar a opinião Ocidental parece ter dado fruto numa área fundamental: cancelar o apoio Ocidental de longa data aos ditadores Árabes seculares. No contexto da “Primavera Árabe”, o governo Obama virou as costas ao aliado Egípcio dos EUA há 30 anos, Hosni Mubarak; ajudou jihadistas afiliados ao ISIS a derrubar Gaddafi da Líbia (embora estivesse cumprindo as ordens de Washington); e continua apoiando os afiliados “moderados” do ISIS [3] para derrubar Assad da Síria. Os idealistas do governo e da mídia esqueceram-se da razão primordial pela qual os Estados Unidos haviam anteriormente apoiado ditadores Árabes seculares: eles determinadamente se opuseram aos jihadistas.

O resultado foi uma nova e encorajada fase da jihad, a.k.a., ISIS. Nascido e entrincheirado precisamente nas nações em que a liderança dos EUA trouxe “liberdade e democracia” — Iraque, Síria e Líbia —ISIS (ou al-Qaeda 2.0) é agora indiferente à opinião Ocidental. Ao difundir amplamente na mídia seu triunfalismo selvagem em nome do Islã, ISIS perde o “cartão de ressentimento”, mas desempenha o “cartão de força”, inspirando assim milhões de Muçulmanos. De acordo com a Pew Research Center, em apenas 11 países, pelo menos 63 milhões e tantos quantos 287 milhões de Muçulmanos apoiam o ISIS. [4]

Mesmo assim, o ISIS trabalha em etapas. Quando criticado pelos Muçulmanos por matar Muçulmanos e não atacar Israel — o inimigo supremo — o ISIS respondeu dizendo que seguia o padrão do califado histórico fundado em 632. [5] Então, o Califa Abu Bakr decapitou e crucificou dezenas de milhares de Muçulmanos por apostatar. Somente depois que as tribos rebeldes foram trazidas de volta ao rebanho do Islã é que foram soltos para conquistar territórios Europeus/Cristãos durante as primeiras conquistas Muçulmanas da história (634-750). Na verdade, acredita-se que o califa Abu Bakr al-Baghdadi do ISIS tomou esse nome para significar seu foco, ou seja, aterrorizar todos os “hipócritas” e “apóstatas” até que se unifiquem sob a bandeira do califado.

Ainda resta saber se as estratégia do ISIS, — que inspira os Muçulmanos, mas perde a opinião Ocidental, terá sucesso. Segundo as pesquisas, a “Islamofobia” está em ascensão no Ocidente, especialmente após o surgimento do ISIS, levando vários políticos a falarem mais abertamente sobre os catalisadores da violência terrorista.

As fracas respostas do governo Obama alimentam a narrativa da AQ de que o terrorismo Islâmico, pelo menos em parte, reflete o ressentimento Islâmico; e se recusa a conectar as ações de qualquer organização jihadista — seja ISIS, al-Qaeda, Boko Haram, e outros — ao ensino Islâmico.

O tempo dirá se a próxima administração permanecerá deliberadamente ignorante sobre a natureza de seu inimigo jihadista — o que é fatal na guerra, de acordo com o antigo dictum de Sun Tzu, “conhece o teu inimigo” — ou se a realidade irá prevalecer sobre o politicamente correto.


[1] Veja, “Uma Análise da Visão de Mundo da Al-Qaeda: Tratamento Reciproco ou Obrigação Religiosa?” Veja também, The Al Qaeda Reader, o qual separara a comunicação da organização em dois grupos: mensagens de “Propaganda” para o Ocidente retratando terroristas jihadistas como mero Combatentes da Liberdade e mensagens de “Teologia” para os companheiros Muçulmanos, pregando o mesmo Islã do ISIS.

[2] Ver “Al-Qaeda: Defensor dos Cristãos?” para uma explicação mais elaborada deste tema.

[3] Em favor do papel do Exército Livre Sírio: “Maior massacre de Cristãos na Síria ignorado.

[4] “Pew poll: Entre 63 milhões e 287 milhões de apoiadores do ISIS em apenas 11 países.

[5] “Novo califado Islâmico declara Jihad aos … Muçulmanos


Traução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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