JIHAD E DEPREDAÇÃO — A MISSÃO DOS SUFIS EM KASHMIR

Fonte/Source: No Peace, Only Pieces – The Sufi Mission in Kashmir! | IndiaFacts

Foto/Capa: Estrutura sobrevivente do grande Templo de Mamaleshwara, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi


JIHAD E DEPREDAÇÃO — A MISSÃO DOS SUFIS EM KASHMIR!

Por Dimple and True Indology

Este artigo foi republicado do blog do autor, com permissão.

23 de Dezembro de 2016

Este artigo examina as atividades iconoclásticas de Dimple Kaul and True Indology Shamsuddin Araki, um dos missionários Sufis mais “pacíficos” de Kashmir, e o seu papel na destruição dos Templos Hindus e Budistas de Kashmir, Ladakh e Gilgit-Baltistan.

Ultimamente, intelectuais eminentes, perfumados ou não, vêm levantando um mau cheiro no ar, porque como cidadãos deveríamos estar envergonhados de muitas coisas que fazemos. A infinita sabedoria deles, consegue abrir os nossos olhos (embora, mais frequentemente o terceiro)! Concordamos de todo o coração, pois, como sociedade, deveríamos nos envergonhar ao nomear bebês inocentes com nomes de saqueadores e assassinos em massa. Mas não estamos!

Como sociedade, também deveríamos ter vergonha por acreditar cegamente na propaganda que fazem dos Sufis, como os grandes defensores da humanidade, defensores da fé e da tolerância, pois nada poderia estar mais longe da verdade. Essa falsa narrativa puxou mais lã sobre os olhos das massas ingênuas do que usado para tecer as toucas que os bebês usam quando são nomeados!(sic)

Nós derrubamos alguns desses mitos sobre os Sufis no artigo anterior.

Através de uma série de artigos, pretendemos examinar as atividades iconoclásticas de Shamsuddin Araqi (c.1480 a.C.), um dos missionários Sufis mais “pacíficos” de Kashmir e o seu papel na destruição de templos Hindus e Budistas de Kashmir, Ladakh e Gilgit-Baltistan. Vamos destacar o papel do Sufi Araqi na histórica transformação religiosa  de Kashmir, de uma sociedade 100% Hindu para uma sociedade  quase 100% Muçulmana num período de 100 anos. Seu papel no tráfico de escravos Hindus também será examinado através da série. Ressaltamos também a retaliação sem precedentes dos Hindus de Jammu e Kashmir a esses Sufis demoníacos.

As informações sobre Araqi vem principalmente de Tohafut-Ul-Ahbab, sua biografia, escrita por seu discípulo Muhammad Ali Kashmiri que frequentemente acompanhava seu pai quando visitava Shamsuddin Araqi no hospício, em Zadibal, Srinagar. A biografia indica que foi testemunha ocular de muitos eventos relacionados com a missão “predatória” de Arqi em Kashmir. Duas outras fontes, são as crônicas Persas Baharistan-I-Shahi (terminada em c.1614 CE) e Tarikh-I-Kashmir. Srivara’s Rajatarangini também nos dá um vislumbre da Kashmir naqueles dias. Também contamos com evidências epigráficas e arqueológicas para documentar o passado com precisão .

Sobre Araqi

Shamsuddin Araqi nasceu em Solghan, no Norte do Irã, no ano A.H 828 / d.C. 1424. Pertenceu à corte de Mirza Bayaqara (d.C.1470-1505), do governante Timurid de Herat. Acontece que o governante ficou doente e o Sufi foi enviado à Kashmir para obter ervas medicinais para seu patrono. No entanto, ao chegar à Kashmir, o Sufi percebeu que Kashmir era uma sociedade Hindu, mergulhada no que chamava de “idolatria“. No início, recorreu à Taqqiya (Tática Islâmica de Dissimulação ou Mentira, que a lei Islâmica permite caso ajude a propagar o Islamismo) para falsamente declarar lealdade à Ordem Sufi de Hamadani em Kashmir que já estava estabelecida na região. A verdade é que ele era de fato um Sufi da Ordem Nurbakshiya, a qual não tinha contato com Kashmir. Desse modo, Araqi assumiu o papel de emissário do Islã, propagou essa ordem Sufi, desencadeou uma Jihad (guerra) contra os Hindus de Kashmir e destruiu os templos.

Shamsuddin Araqi tinha viajado de Srinagar até Skardu propagando a Ordem Sufi Nurbakhshiya, primeiramente no vale de Kashmir e depois no que hoje é chamado de Gilgit e Baltistan. Sua missão no sopé Sul da Cordilheira Karakorum, no Himalaia, foi mais do que bem-sucedida, deixou para trás muitas pessoas que desde então aderiram à sua fé.

Nas palavras de seu biógrafo Muhammad Ali Kashmiri:

Tanto por parte dos Sheiks de alta ordem quanto dos antigos devotos espiritualistas, ninguém teve a honra de quebrar tantos ídolos(estátuas) e destruir tantos templos como Shamsuíd-Din Araki o fez, em prol da propagação e do fortalecimento da prosperidade do Islã. Só ele foi abençoado para erradicar todos os costumes sombrios e depravados da comunidade das trevas, seus rituais, leis e crenças. Nenhum Sultão, Padishah, Governador ou nobre poderia reivindicar o crédito para uma realização como essa [1].

Destruição do Templo

Aqui está a lista de templos de Kashmir demolidos pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi.

1) Hari Parbat

Tohafut-Ul-Ahbab relata…

“Araqi proclamou que o objetivo de sua visita à Kashmir era derrubar os templos Hindus. Sua primeira tarefa foi pôr um fim aos costumes, tradições e hábitos dos Hindus (Kafirs/Infiéis). Ordenou que um bando de Sufis e devotos viessem à sua presença. Com esse grupo foi até Koh-i-Maran (Hari Parbat). Em seguida, pôs todos os politeístas, corruptos e decadentes pra correr daquele lugar. Ordenou que usassem cassetetes contra as cantoras, dançarinas, músicos entre outros, até que desaparecessem. Existia uma casa de oração dos infiéis naquele lugar. Sua fundação foi desmantelada, e a casa de ídolos foi incendiada até que tudo fosse totalmente consumido pelas chamas. A vela brilhante da religião e do Islã trazida pelo Profeta, e a lei de sua religião, e o caminho de Mustafa (Muhammad) e Murtaza (Ali) foi iluminada. Iniciou-se a tarefa de quebrar ídolos e ídolos … Mais tarde, levou consigo um grupo de associados e Sufis e subiu às alturas de Hari Parbat. Juntos, destruíram até o menor remanescente do templo e dispersaram pedaços dos ídolos (anteriormente quebrados por eles). Ordenou que o chão, onde o templo se encontrava, fosse nivelado de tal modo que uma base para uma mesquita (Bait-Ulla) pudesse ser colocada sobre ele”[2].

Hari Parbat (também conhecido como Pradyumna) é um templo dedicado à Deusa Sharika. O templo atual foi construído durante os dias do governo Dogra. O templo original foi construído pelo Rei Kashmiri Ranaditya.

Rajatarangini relata: “O casal real (Ranaditya) construiu o templo de Ranarambhasvamin e Ranarambhadeva e um matha para Pashupata (mendicantes) na colina de Pradyumana” [3]

O arqueólogo Mark Aurel Stein observa: “A encosta E. (leste) e o pé da colina estão agora cobertos por extensos edifícios, incluindo sarais ligados aos famosos santuários Muhammedan de Muqaddam Sahib e Akhund Mulla Shah. Estes provavelmente ocupam os locais de antigas estruturas Hindus como o mathas mencionados no verso acima “[4].

Ruinas do Templo Hari Parbat destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi. Foto tirada antes da reconstrução.
Foto antiga do Santuário de Makhdum Sahibque, construído sobre uma estrutura Hindu anterior.

Stein relata…: “A uma curta distância do S.E. (sudeste) da rocha Bhimasvamin e fora da fortaleza Akbars, tem o Ziarat de Bahaud-Din Sahib, construído, sem dúvida, com os materiais de um antigo templo. O cemitério que o rodeia mantém também muitos restos antigos em seus túmulos e muros. Mais a S.W. (sudeste) da esquina desse cemitério ergue-se uma porta de entrada em ruínas, construída por blocos de pedra de tamanho notável e ainda de altura considerável. Essa estrutura é tradicionalmente reconhecida pelos Pandits Srinagar por ter pertencido ao templo de Shiva Praveshvara que Kalhana menciona como o primeiro santuário criado por Pravarasena em sua nova capital “[5].

Inscrição bilíngüe da Shahada, próximo ao Ziarat de Bahauddin Sahib que substituiu uma estrutura Hindu anterior. (foto cortesia: Kashmir Life) )

2) Templo de Chamundi

Seus muros de pedra, de cinco a seis metros de altura, foram deixados em pé, mas as pedras e a terra que tinha formado o fundamento do templo interior foram retiradas. Uma mesquita foi levantada dentro do complexo onde o templo estava anteriormente [6].

3) Templo de Mahasen (Mamaleshwara)

Em sua busca por madeira para a construção do hospício em Zadibal, Araqi foi para Kamaraj, o local do templo de Mahasen onde os Hindus costumavam visitar em peregrinação. O templo abrigava um ídolo de pedra cercado por árvores altas de abeto e árvores deodar, cujo corte era proibido em respeito ao templo. Depois de quebrar os ídolos e colocar o templo em chamas, Araqi empenhou-se em derrubar árvores. No local do templo destruído, construiu uma mesquita Jamiía [7].

Estrutura sobrevivente do grande Templo de Mamaleshwara, destruído pelo Sufi Saint Shamsuddin Araqi
Estrutura sobrevivente do grande Templo de Mamaleshwara, destruído pelo Sufi Saint Shamsuddin Araqi

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4) Warblaru (Varbal-Bhuteshwara)

Um grande templo existia na área de Baramulla em Pargana de Kamaraj. Chamava-se Warbalaru em língua Kashmir. Araqi o destruiu e ergueu uma mesquita sobre suas ruínas. Um imã e um pregoeiro encarregado pelas orações (muezin) foram nomeados para a mesquita [8].

De acordo com Rajatarangini de Kalahana, essa agrahara (vila) foi estabelecida pelo Rei Jaluka

“Com a riqueza que tinha adquirido por suas façanhas marciais e energia, o Rei Jaluka, de inteligência conspícua, fundou as Agraharas de Varabala entre outras” [9]

Notações do Arqueólogo Stein

“Varabala pode ser identificado com segurança, tendo em vista a estreita concordância dos nomes com a moderna aldeia de Barvul situada na margem direita do Rio Kanknai (Kanakavahini). No desfiladeiro estreito do Rio Kankanai (Kanakavahini), que passa ao sul deste pico (Harmukh), e a cerca de duas milhas acima da aldeia de Vangath (Vasishthasrama), encontram-se as ruínas de dezessete templos de várias idades e dimensões” [10]

Ruins of Shiva Temple destroyed by Sufi Saint Shamsuddin Araki
Ruínas do Templo Shiva, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi5) Nandraja (Templo de Nandakeshwar)

O imponente templo de Nadraz em Shivaz no Pargana de Kamaraj foi destruído por Araqi e uma mesquita Jamiía foi levantada em suas ruínas.[11]

Ruins of the destroyed Nandakeshwar Temple.
Ruínas do Templo Nandakeshwar destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi

6) Bomar

O discípulo convertido de Araqi, Shri Bhat, recebeu a tarefa de destruir este templo em Bomar. Uma vez que os aldeões de Bomar, eram, na maior parte, soldados profissionais, lutaram contra os demolidores Sufis por dois dias, mas perderam. O templo foi destruído, as várias árvores do local foram derrubadas para estabelecer as bases de uma mesquita. A estátua foi colocada sob a entrada da mesquita, para que os visitantes pudessem pisá-la.

7) Shri Bhat também destruiu os famosos templos de Kamaraj, os quais por exemplo, incluíram os de Uttarasher (sic), Badakot, Kubisher (sic) e o Templo Gushi nas localidades de Kandi, Shaki Shiraz (sic), Kupwarah e Drang. Nas áreas remotas das cidades de Sopore e Baramulla, e nas áreas rurais de Kamaraj, derrubou todos os templos e construiu mesquitas em seu lugar. Os templos de Jatti Renu, Kandi Renu, Bachhi Renu em Kamaraj e o templo Satwal em Sopore foram todos demolidos e destruídos [12].

Restos do Templo Bhuniyar destruído por Santo Sufi Shamsuddin Araqi
Sobre a destruição de Buniyar, o Dr.Mohan Lal Koul relata

As terras pertencentes aos Brâmanes durante eras, foram de repente confiscadas e, como medida de coerção, os homens associados à manutenção e conservação dos templos foram detidos e presos para quebrar sua lealdade aos locais de culto Hindus. No papel de vândalo exemplar e vingativo, o Iraquiano Shams saqueou e destruiu o templo Vishnu, uma maravilha da arquitetura Hindu, em Buniyar, no bairro de Baramulla. Esbanjou cuidado e atenção pessoal para que todos os templos da cidade de Srinagar fossem saqueados e destruídos [13]

Ruins of Shankara Gaurisha Temple destroyed by Shamsuddin Araqi
Ruinas do Templo Shankara Gaurisha destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi
Ruins of Sugandesha Temple in Pattan destroyed by Shamsuddin Araqi
Ruinas do Templo Sugandesha em Pattan destroído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi
Ruinas do Templo Sugandesha em Pattan destroído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi

8) Paneh Renu

Araqi tinha construído o hospício de Nurbakhshiyyeh (Khanqah) na localidade de Zadibal o qual tinha o enorme Templo Paneh Renu à sua direita. O templo tinha uma fonte contornada por abetos altos, entre outras árvores. Araqi queria que o templo fosse destruído e as árvores derrubadas e atribuiu a tarefa à Hazrat Baba. Uma mesquita foi construída sobre as ruínas [14].

9) Bhimasvamin (Bomeh Swami)

Uma vez que esse grande templo estava situado perto dos cemitérios de Sayyids e Shaykh Bahauíd-Din, Araqi acreditava que derrubá-lo e destruí-lo era uma incumbência para os Muçulmanos. Pessoalmente supervisionou sua demolição. Uma mesquita foi construída e um muezim foi nomeado. Este lugar foi dado à Malik Regi Chak para enterrar os mortos de sua família, parentes próximos e amigos [15].

Restos do Templo Ganesha Bhimaswamin, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi (Foto/Cortesia: http://www.geocities.ws/san_rak2002/gan.index.html)

10) Bakhi Renu em Udran (Doda)

Quando Araqi e seus homens iniciaram a demolição do templo, os Hindus das regiões de Udaran e Sipahiyan-e-Hind, pegaram seus arcos e flechas entre outras armas e encurralaram os Sufis demolidores de ídolos (sic) numa batalha que durou vários dias. Os Sufis foram forçados a recuar em direção às planícies de Zaldagar para proteger Araqi, que foi levado sob forte segurança à casa de um tal de Abdal Magray, cuja esposa era filha de Malik Musa Raina (regente do Rei). As mulheres e os servos da casa Hindu vizinha, lançaram lixo nos Sufis demolidores de ídolos porque tinham desolado e demolido seus templos. Musa Raina acompanhou Araqi na missão de demolir o templo e também pediu a seu filho Malik’Ali Raina para prender as principais personalidades entre os Hindus. Muitos deles foram enviados para as prisões e muitos foram banidos para regiões fora do vale. Até mesmo o menor vestígio do templo foi apagado — ídolos de pedra quebrados, aos pedaços e esmagados, ídolos de madeira incendiados e o complexo do templo inundado. Sem deixar um vestígio do templo, uma mesquita foi construída no local. Desde que, este era o único lugar onde Araqi enfrentou a resistência à demolição de um templo, o comparou a uma Jihad e o nomeou Islampor. Uma estrutura de dois andares foi levantada aqui [16].

11) Mankeh Renu

Esse templo na ilha de Kol Blareh foi demolido por Araqi em pessoa. Ele construiu uma mesquita em sua fundação. Feito isso, deixou para trás um de seus dervixes (aluno ou praticante do Sufismo Islâmico) por conduzir as cinco orações Muçulmanas e para fazer o chamado às orações (azaan).

Janak Renu, o grande Templo Janak Renu, situava-se em direção ao norte de Idgah  num lugar conhecido como “Kalanveth”. Araqi demoliu e construiu uma mesquita no local. Pomares doados ao templo foram transformados em fazendas de cultivo de melões. Um mulla (muçulmano guardião) com um par de sentinelas foi apontado para cuidar do local [17].

Antigo Templo Manasbal, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi

12) Vetalun

Esse famoso templo, situado perto de Rainawari, foi visitado por Jogis (Yogis) de toda a Índia, em grandes grupos de peregrinação. Araqi veio a este lugar e o demoliu, e iniciou a construção de uma mesquita no local. O chão em torno do templo foi limpo da sujeira, e pequenos cubículos foram erguidos sobre ele.

13) Tashwan

O templo foi destruído e a maioria de suas grandes pedras foram usadas para construir o hospício de Zadibal. Algumas das pedras recuperadas do templo destruído foram transportadas para Islampur, para serem usadas no hospício daquele lugar. Algumas pedras foram usadas na construção de um canal no mesmo lugar.

14) Udernat

Esse templo, numa ilha de Dal, foi demolido por Araqi e uma mesquita foi construída sobre as ruínas.

15) Sadas Molo

Esse templo situado perto do Bazar-e Misgaran foi demolido sob as ordens de Araqi. O local foi nivelado e uma mesquita construída. Araqi presenteou seu seguidor Khwaja Tajuíd-Din com a terra e a mesquita.

16) Modrenu

Gangabal, era uma peregrinação muito importante para os Hindus, e era considerado muito sagrado. Hindus de toda parte, o povo da Índia, o considerava tão sagrado como a água do Ganges. Qualquer um visitando Kashmir visitaria o templo Sudarabal e daria um mergulho nas águas de sua nascente. Araqi demoliu esse templo e construiu uma mesquita em suas ruínas. As terras do templo foram apreendidas como herança, e um mulla foi nomeado para conduzir as cinco orações congregacionais de acordo com a tradição Islâmica; E o seu vinhedo foi considerado propriedade da mesquita. Durante a vida de Araqi, os Hindus foram proibidos de peregrinar ao santuário de Gangabal.

17) Jogi Lankar

Langar Khaneh (casa da esmola) situava-se na localidade de Raenwor, perto das águas do lago Dal, onde Jogis (Yogis) entre outros peregrinos Hindus de toda Índia usavam como estadia e local de reza. Esse era o campo de base para a peregrinação à todos os templos em Kashmir. Araqi tentou obter permissão do Sultão Fath Shah para sua demolição, o qual recusou citando que a construção foi feita pelo seu avô BudShah. Araqi então contatou Inrahim Magray o chefe do departamento de justiça, para emitir uma carta autorizando sua demolição. Araqi levou consigo os Sufis e os envolveu na demolição da estrutura. O local foi nivelado para a construção de uma mesquita e um terreno de oração, e consequentemente, uma mesquita foi construída no local. Durante a construção, os Hindus locais deram as mãos para enfrentar os Sufis e lutaram contra eles, mas foram derrotados [18].

18) Pandrethen

Sikandar, o Iconoclasta, tinha demolido esse templo elevado e maciço, e trouxe pedras deste templo idolatrado para uso na Mesquita Jamiía e os túmulos do Sultão (s). O templo foi reconstruído e restaurado para sua glória anterior, pelo sultão Zainul-ÆAbidin. Araqi pretendia que fosse demolido. Uma ídolo estava firmemente assentado no chão, ao lado do edifício que Sikandar não tinha conseguido demolir. Tinha sido incendiado várias vezes, mas em vão. Foi batido com varas de ferro e outros metais fortes, mas não adiantou. Nem um único membro da estátua pode ser destruído. Araqi tentou arduamente destruí-lo, mas não conseguiu. Então ordenou que a terra e as pedras por baixo do ídolo fossem removidas para que uma cratera profunda fosse feita. Esta e outras estátuas foram enterradas na vala e cobertas de terra e pedras. Quatro cubículos foram criados em cada um dos quatro cantos do complexo. A estrutura que foi levantada sobre as ruínas do templo formaram dois andares [19].

Ruinas do Templo Pandrethan destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi.

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Imagem parcial do que sobreviveu de Ganesha do Templo Pandrethan, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi
Estátua multilada de Kubera do santuário de Pandrethan, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi.

19) Templo do ídolo da Fonte Metna

Foi demolido e convertido numa mesquita. Nenhum vestígio de templo demolido foi deixado para trás.

Araqi também demoliu o templo de Kharboshtaz. Esse era mais popular do que muitos outros templos ídolos de Kashmir.

20) Dez templos demolidos

Os templos de Jwalamukhi, Khodrenu, Lankeh Renu, Bakhi Renu, Luti Renu, Soneh Renu, Parzdan, Tsarenmal, Kupwur e Zachaldor foram demolidos por Shamsuddin Araqi e mesquitas foram construídas em seu local.

21) Templo de Sonwar

Este templo estava na aldeia chamada Sonwar. Sobre as ruínas do templo (demolido), uma mesquita foi levantada para que as orações (namaz) pudessem ser oferecidas cinco vezes ao dia.

Restos de um Ídolo mutilado de um Templo em Sonwar destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi.

22) Advin Pargana

O Templo It foi demolido e uma mesquita foi construída no local. Mullas foram nomeados para trazer o Islã ao local. Foram ensinados os deveres da fé e do Islã, namaz e ablução (purificação religiosa), etc.

23) Templo de Kalehbod

Este grande templo foi demolido e em suas ruínas foi construída uma mesquita Jamiía.

24) Templo de Narvora

Araqi demoliu este templo que estava perto da fonte da vila de Narvor Narwol e construiu uma mesquita em suas ruínas. Um mulla foi nomeado para cuidar dele.

25) Templo de Vejnath

Este belo e artístico templo na cidade de Vejehbrara (atual Bijbehara) com quatro pináculos em ascensão, foi demolido por Sikandar, o Iconoclasta, que tirou os pináculos sem causar nenhum dano. Estes foram colocados em quatro estruturas bem conhecidas na cidade — Jamiía Masjid, hospício de Amir Sayyid’Ali Hamadani, cúpula do túmulo de Sikandar, e seu palácio. O templo foi restaurado à sua glória anterior durante o reinado do Sultão Zainuíl-íAbidin. Araqi assegurou-se de que as fundações do templo fossem demolidas, e suas pedras fossem trazidas para a cidade, onde pudessem ser usadas para construir a parede limite do hospício Hamadaniyyeh. Uma mesquita foi criada em seu lugar.

26) Templo de Perzehyar

Ficou na mesma localidade (Vejehblareh / Vejebror). Também foi demolido e com isso todos os vestígios de adoração aos ídolos e politeísmo, e também os costumes e santuários dos infiéis, foram arrancados de uma vez por todas.

27) Templo de Kuther

Esse templo estava em Kuther ao lado da fonte. Araqi despachou um grupo de Sufis para demoli-lo. Foram feitos arranjos para as cinco orações congregacionais naquela mesquita. Um mulla foi nomeado para cuidar desses deveres.

28) Templo de Achhabal

Um templo erigido na aldeia de Achhabal ao lado de um fonte de água. Foi aniquilado, e uma mesquita foi levantada em local. Um dos Sufis chamado Mulla Shankar foi nomeado Imã para liderar orações congregacionais.

Ruínas de um templo em Martand (Achabal) destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi

29) Templos em Sagam e Lokeh (Bhavan)

Muitos templos estavam nas aldeias de Sagam e Lokeh (Bhavan) ao lado das nascentes e outras distastes. Todos foram destruídos e mesquitas foram construídas nos locais. Mullas foram nomeados para realizar as orações.

30) Templo de Verinag

O grande templo que existia perto da nascente na vila de Ver foi demolido e uma mesquita foi levantada em seu lugar. Um Mulla foi nomeado para conduzir orações. Após a demolição deste templo, bandos de dervishes e Sufis vieram a cada lugar da aldeia e ao longo da estrada onde havia templos. Destruíram não só os templos dos infiéis, mas também desarraigaram seus costumes e tradições. Destruíram todas as estátuas e seus restos, de modo que a bandeira da religião Islâmica e a Sharia (lei) começava por toda a região [20].

Restos do Templo Verinag, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi

Lições Sufis de ‘Paz’ e ‘Tolerância’ Sob as Ordens de  Shamsuddin Araqi

Sob Shamsuddin Araqi, os Hindus de Kashmir tiveram que curvar-se fisicamente aos Muçulmanos, caso contrário eram espancados até a morte. Assim como os Judeus da Alemanha Nazista, os Hindus Kafirs (infiéis) da Kashmir de Araqi eram obrigados a se vestirem distintamente dos Muçulmanos. Os Hindus eram proibidos de usar luxos e tinham que apresentar-se deploravelmente. Eles não deveriam montar cavalos — considerado um animal de prestígio na idade medieval! Tohafut-Al-Ahbab registra um incidente com um cavaleiro Hindu que foi espancado, quase até a morte, pelos Sufis, porque não se curvou diante de Araqi:

Um dia, Araqi foi para uma excursão ao Koh-e-Maran para dar uma olhada na fazenda de melão. De repente, apareceu um cavaleiro. Aproximou-se, mas não ofereceu reverência diante do Sufi Araqi, e não lhe mostrou nenhum respeito. Araqi perguntou-lhe a razão para não cumprimentá-lo. Alguns Sufis presenciaram a cena. Eles disseram que o cavaleiro não era um Muçulmano, mas um infiel usando zunnar (cordão cerimonial). Araqi perguntou-lhe se era um kafir (infiel), por que montava como Muçulmanos. Por que não há distinção entre o roupa que usava e as dos Muçulmanos… Araqi ordenou que o homem fosse derrubado de seu cavalo e levado sob custódia. Os Sufis obedeceram a Araqi e derrubaram-no no chão, e o espancaram sem piedade, tanto que perdeu a esperança de sobrevivência [21]

E assim Araqi justificou a desumana violência dos Sufis:

O secretário foi punido de acordo com a sharia (lei religiosa) de Mustafa/Muhammad (o Profeta). Por que não usava a roupa dos infiéis? As roupas que ele usava (dos Muçulmanos) não eram permitidas de acordo com a lei religiosa do Mensageiro de Deus. Eu, portanto, o disciplinei e ensinei-lhe uma lição [22]

Continua no próximo capítulo…


Referências

1) Tohafut-Ul-Ahbab Trans… Por Kasinath Pandita pp.233

2) Ibid pp.281

3) Rajatarangini (3,460)

4) Mark Aurel Stein, Rajatarangini (3,460)

5) Mark Aurel Stein, Rajatarangini (Livro 2, Página 447)

6) Tohafut-Ul-Ahbab Trans… Por Kasinath Pandita pp.218

7) Ibid PP.219

8) Ibid PP.220

9) O Rajaratangini de Kalhana (1.121)

10) Mark Aurel Stein, Rajatarangini (1.1.107)

11) Tohafut-Ul-Ahbab Trans… Por Kasinath Pandita pp.221

12) Ibid PP.221

13) Chuva do Vale PP.31

14) Tohafut-Ul-Ahbab trans. por Kasinath Pandita pp.226

15) Ibid PP.227

16) Ibid PP.242

17) Ibid PP.251

18) Ibid PP.255

19) Ibid PP.269

20) Ibid PP.277

21) Ibid PP.196

22) Ibid pp.197

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