Muçulmanos descobriram a América antes de Colombo, afirma Erdogan da Turquia

Fonte: Muslims discovered America before Columbus, claims Turkey’s Erdogan – The Washington Post –


Muçulmanos descobriram a América antes de Colombo, afirma Erdogan da Turquia

Por Ishaan Tharoor

15 de Novembro de 2014 (Reeditado em 27/02/2017)

Presidente Turco Recep Tayyip Erdogan num discurso em Ankara, Turquia, on May 13, 2014. (AFP/Getty Images)

Em discurso televisionado em Istambul, o Presidente Turco Recep Tayyip Erdogan afirmou que os Muçulmanos haviam descoberto as Américas três séculos antes das viagens de Cristóvão Colombo. Ele estava se dirigindo a cúpula de líderes Muçulmanos da América Latina.

“Os contatos entre a América Latina e o Islã remontam ao século 12. Muçulmanos descobriram a América em 1178, e não Cristóvão Colombo”, disse Erdogan. “Marinheiros Muçulmanos chegaram à América a partir de 1178. Colombo mencionou a existência de uma Mesquita numa colina na costa Cubana.”

Erdogan não é tímido ao fazer declarações provocativas, sejam sobre seus rivais políticos, minorias étnicas ou sites de mídia social. Suas últimas observações são, em comparação, menos incendiárias.

Elas ecoam a pesquisa de um pequeno grupo de estudiosos que acredita que há evidências arqueológicas e documentais de Muçulmanos na América pré-Colombiana. Erdogan está, aparentemente, citando o trabalho disputado de Youssef Mroueh, um acadêmico afiliado a Fundação As-Sunnah da América.

Num artigo de 1996 Mroueh referiu-se à presença de uma Mesquita descoberta por Colombo ao longo da costa Cubana. “Colombo admitiu em seus papéis que, na Segunda-feira, 21 de Outubro de 1492 CE, enquanto o seu navio navegava próximo a Gibara, na costa nordeste de Cuba, que viu uma Mesquita no topo de uma montanha bonita”, escreve Mroueh.

A maioria dos estudiosos insiste que a “Mesquita” mencionada era uma alusão metafórica a uma característica marcante da terra. Não foram descobertas arqueológicas de estruturas pré-Islâmicas que datam da chegada de Colombo ao Novo Mundo.

Mroueh, que não está listado como um historiador em qualquer instituição de ensino superior sugere que exploradores provenientes de reinos Muçulmanos da África Ocidental fizeram a mesma viagem através do Atlântico a partir das ilhas Canárias, bem antes do marinheiro Italiano ter realizado o serviço para a Coroa Espanhola.

Outros citam o trabalho de um notório geógrafo na Espanha Muçulmana, que produziu um mapa no século 10 mostrando o contorno da América do Sul, referenciando a jornada de um marinheiro Árabe que viajou para o oeste através de um “oceano de trevas e nevoeiro.”

Poderíamos até continuar esse artigo sem dizer que os primeiros povos a “descobrir” as Américas foram os ancestrais dos povos indígenas dos continentes.

Mas há todo tipo de especulação de outros povos em outras épocas encontrando as Américas muito antes de Colombo. Será que os Polinésios remando catamarans chegaram à costa do Pacífico Americano? E sobre as grandes frotas preciosas do imperador chinês Ming? Ou os pescadores Bascos, perseguindo as correntes e o bacalhau do Atlântico?

A narrativa mais consistente de encontro pré-Colombiano envolve os exploradores e colonizadores da Escandinávia, que chegaram a costa da Terra Nova e no Canadá há cerca de cinco séculos antes da expedição Espanhola de 1492.

No entanto, a insistência de Erdogan sobre a presença de Muçulmanos no mundo novo vale a pena considerar, mas não pelas razões que ele tem em mente.

A exploração e a colonização Espanhola das Américas seguiram as sangrentas batalhas da Reconquista — as campanhas Católicas contra os últimos estados Muçulmanos na península Ibérica. Muitos dos soldados e oficiais Espanhóis que cruzaram o Atlântico foram animados pelo fervor da Inquisição Espanhola, e em alguns relatos referem-se às populações indígenas que encontraram como “mouros” e “infiéis” e seus “zigurates” como “mesquitas”. A profusão de cidades no México chamadas de “Matamoros” — morte aos mouros, um nome associado a um santo Cristão místico que lutou contra os Muçulmanos — fala desse legado.

Além dos Árabes e Muçulmanos convertidos a bordo de navios Espanhóis, o Islã não pode ter estado presente no Novo Mundo. Mas ainda assombrava a imaginação dos Europeus enquanto aventuravam em terras alienígenas.


Ishaan Tharoor escreve sobre assuntos externos para o Washington Post. Anteriormente foi editor sénior da TIME, com sede em Hong Kong e depois em Nova York. Siga no Twitter @ishaantharoor


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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