A Estupidez Americana: Será que o Ocidente Corrigirá Sua Resposta À Ameaça Islâmica?

Fonte: The American blunder: Will the West correct its response to Islamist threat? | IndiaFacts


A Estupidez Americana: Será Que O Ocidente Corrigirá Sua Resposta À Ameaça Islâmica?

Os liberais Ocidentais podem corretamente chamar os Islamistas de antidemocráticos, ditatoriais, desumanos e tratá-los com o desdém que merecem.

Por Shankar Sharan | IndiaFacts

29 de Abril de 2017

A Secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, encontra-se com as mulheres líderes da sociedade civil Afegã na Embaixada dos EUA em Cabul, no Afeganistão, na Quinta-feira, 20 de outubro de 2011. (S.K. Vemmer / Departamento de Estado)

Sessenta anos atrás, o Comunismo Soviético era uma ameaça aos países livres e democráticos em todo o mundo. Os líderes Comunistas tinham uma fé enorme no que chamavam de “ciência” do Marxismo-Leninismo e estavam firmes na crença de que, mais cedo ou mais tarde, converteriam o mundo inteiro ao Comunismo. Foi nesse momento tão histórico que o principal líder Soviético, Nikita Khrushchev, ameaçou diretamente o mundo Ocidental: “Vamos enterrá-lo”.

Em resposta, o Ocidente liderado pelos EUA não hesitou em lançar uma guerra ideológica contra o Comunismo. Mostraram que a fé Marxista-Leninista não era uma ciência, mas uma construção ideológica. Ela estava cheia de buracos e por isso os Soviéticos e outros comunistas recorreram regularmente à falsidade, à censura e à violência. Caso contrário, teriam poucas realizações para mostrar em qualquer dos países comunistas que governaram durante décadas.

Na época, aproximadamente entre o final dos anos de 1950 e o começo dos anos 80, acadêmicos dos EUA, formuladores de políticas e comentaristas nunca disseram que ‘o Marxismo-Leninismo é bom, mas os líderes Soviéticos estão equivocados’. Em vez disso, os círculos governamentais Ocidentais, acadêmicos, mídia, travaram uma guerra aberta contra os princípios do Marxismo-Leninismo e expuseram as sombrias realidades das sociedades comunistas. É claro que também havia outros no mundo Ocidental, que defendiam tenazmente as posições Soviéticas e comunistas. Mas foram rejeitadas ponto por ponto na academia e na mídia, sem quaisquer escrúpulos.

Agora, os mesmos EUA e seus aliados Ocidentais estão mais seriamente ameaçados pelas declarações semelhantes provenientes dos Islamistas em todo o mundo. O ISIS é apenas o último avatar do mesmo Islamismo, ostentando uma fé semelhante para converter o mundo inteiro ao Islã, exterminando todas as outras crenças e ideias, o que chamam de ‘kufr’(incrédulo).

Mas desta vez, estranhamente, os mundos Ocidentais escolheram uma postura peculiar: o Islã é bom, só os terroristas Islâmicos são maus. Embora o Islã por si só seja mais uma ideologia política do que uma religião. Em outras palavras, é uma ideologia política sob um traje religioso. De fato, o aiatolá Khomeini certa vez expressou assim: “Todo o Islã é político”. E ele não estava sozinho nesta observação. Todos os clérigos Islâmicos e acadêmicos testemunham dessa forma, embora de várias maneiras, sem hesitar.

É por isso que muitos e muitos Muçulmanos humanistas também sublinham a necessidade de olhar para a ideologia Islâmica per se, a fim de combatê-la até o fim. Por exemplo, o ex-Jihadista Britânico Ed Hussain enfatizou a necessidade de “enfrentar essa violenta ideologia” que o influenciou antes de se afastar dela. Taslima Nasreen e Salman Rushdie também destacaram isso direta e indiretamente.

Então, a qual ideologia Hussain está se referindo? Por que o Ocidente até agora não se preocupou em desmascará-la tão completamente, como fez com o Marxismo-Comunismo? A ideologia jihadista é nada mais que uma parte intrínseca do Islã. É uma entidade histórica, autodeclaradamente criada por um homem histórico, e assim como qualquer outra coisa, é extremamente vulnerável a erros humanos. Ora, o próprio Muhammad tinha duvidado disso! Mesmo que apenas em sua fase anterior como “profeta”, mas o fato é que duvidou de seus pensamentos. Para não dizer sobre a sociedade em que vivia — estavam esmagadoramente duvidando de suas reivindicações. Como consequência, todas as guerras que Maomé teve que fazer, para forçá-los a aceitar sua reivindicação profética. A situação continua até hoje, enquanto todos os Muçulmanos estão sob ameaça dos guardiões do Islã, caso duvidem do Profeta ou das suas imposições. A importância deste fato, e o seu potencial para causar dano, ainda não foi realizada pelos líderes do mundo livre.

Em segundo lugar, os famosos “versículos satânicos” são também uma prova de que Muhammad, o Profeta, mesmo depois, ainda poderia estar equivocado. Afinal, ele mesmo descartou esses quatro versos, os quais uma vez proclamou como Divinos. Há outras evidências também, em abundância, mostrando que a ideologia do Islã desde o início tem sido uma construção pobre. É por isso que, da mesma forma que o Comunismo Soviético, também foi condenado mais tarde a empregar violência constante, e a impor censura sobre qualquer discussão e crítica aos princípios Islâmicos.

De fato, essa é uma prova positiva de que o Islã não é uma doutrina infalível. Porque uma doutrina infalível não pode ter medo das simples perguntas e observações vindas de um ser humano comum. Assim como um princípio científico da física ou uma sólida equação matemática, não se sentem ameaçados pelos incrédulos.

Assim sendo, se o establishment Americano tivesse lançado uma guerra ideológica aberta contra a ideologia Islâmica, e a fé política que emana dela, ao invés de enviar exércitos para os estados Islâmicos nocivos — o mundo Islâmico estaria há muito tempo na defensiva. Teriam que responder em palavras todas as questões levantadas contra a qualidade do profeta Maomé e a “única fé verdadeira”. Não teriam escolha. Como os Khomeinis puderam emitir Fatwas para matar inúmeros estudiosos, escritores e líderes que duvidaram das reivindicações Islâmicas, como Rushdie fez em 1988?

Declarar uma guerra ideológica contra o Islã não teria prejudicado as “relações comerciais”, uma vez que os países Islâmicos estão mais dependentes de vários bens do Ocidente que o Ocidente em relação ao petróleo. Os establishments Islâmicos, nesse caso, teriam sido obrigados a responder em palavras, para justificar seu credo, seu sistema sociopolítico, suas leis, suas realidades sociais, os abusos generalizados perpetrados contra não-Muçulmanos e sobre suas próprias mulheres e crianças, etc. Falhando nesta tarefa, teriam simplesmente mostrado o valor de uma doutrina oca. No processo, Muçulmanos comuns, pelo menos uma considerável parte sensata deles, notariam a grosseira irracionalidade do credo Islâmico, um credo que presunçosamente chama as outras culturas de “kufr”, “podre” e “aptas a serem destruídas”.

Não fazê-la, é a maior estupidez que os EUA e seus aliados vêm cometendo há pelo menos três décadas, ou seja, desde que Rushdie abriu uma frente crucial. Teriam ganhado generosamente a guerra contra a visão do mundo Islâmico, apenas estabelecendo jornais de qualidade, estações de rádio, canais de TV exclusivamente dedicados à expor as doutrinas Islâmicas moribundas e suas práticas bárbaras em países Islâmicos e as comunidades Muçulmanas que vivem em outros lugares. Algo exatamente na linha da rádio ‘Europa Livre’, ‘Liberdade’ e revistas como ‘Problemas do Comunismo’ etc., que expuseram brilhantemente a antiga URSS e a Europa Oriental. Trouxeram tudo que fosse comunista ao escrutínio humano normal.

Se os Estados Unidos tivessem feito algo semelhante em relação à ideologia e aos establishments Islâmicos, além de tornarem os regimes Islâmicos, as organizações, os partidos, as defesas dos establishments e dos mais fracos, também teriam encorajado os Muçulmanos reformistas em todo o mundo. Os dissidentes adormecidos das ditaduras Islâmicas em todos os países/sociedades Islâmicos teriam produzido numerosos Salman Rushdies e Wafa Sultans.

Há um número considerável de dissidentes nas sociedades Muçulmanas como aconteceu nas ditaduras comunistas anteriores. Mas estes estão sob a ameaça da shariat ameaçando o mundo todo. Eles não estão recebendo qualquer apoio do mundo livre como receberam os dissidentes Soviéticos do comunismo. Este foi o grande erro dos políticos e intelectuais Ocidentais.

Na verdade, é surpreendente que um método totalmente não-violento para solucionar o problema Islâmico jihadista não tenha sido realizado até agora. Foi apenas um erro tolo ou um resultado da ignorância geral sobre o Islã e suas realidades históricas? Seja o que for, mas se manter em silêncio em nome de “respeitar os sentimentos” dos Islâmicos, mostra que o Ocidente vem ao longo do tempo cometendo uma dupla falta. Uma delas é não estar apoiando os seus melhores aliados e a outra, fortalecendo seus inimigos!

Basta imaginar, por comparação, o que teria acontecido se nos anos de 1960 os EUA tivessem reiterado que Marx, Lênin, Mao e seus livros e prescrições eram ótimos, só os comunistas Russos ou Chineses ou seus propagandistas é que são maus? Isso teria apenas reforçado o poder do credo Marxista-Leninista, o credo que sustentou os líderes Soviéticos durante décadas. É exatamente isto que vem acontecendo nos últimos trinta anos em relação ao Islã. Essa é a grade estupidez Ocidental. Tente reconhecer isso.

A postura Ocidental de apaziguar o Islã sempre foi autodestrutiva. É a mesma história na Ásia e em outros lugares que seguem a mesma postura. Nenhum deles parece realmente estar entendendo a loucura completamente. Às vezes proferem algo como lutar contra a “ideologia do mal”, mas não conseguem apontá-la.

A verdade verificável é: o que era uma tática correta contra a fé comunista é ainda mais apta para o caso Islâmico. Exceto uma fé cega para conquistar o mundo para o Islã, as forças Islâmicas não têm muito o que fazer numa guerra contra o “mundo infiel” liderado pelos EUA. Nenhum líder jihadista promete qualquer coisa e nenhum jihadista comum falha em mencioná-la como sua inspiração. Considere estes fatos incrivelmente simples e qualquer um poderá ver que é tão fácil destruir a fonte do terrorismo Islâmico para fora da face da terra.

Uma vez que essa fé for enfraquecida, criando uma enorme dúvida na mente de um grande número de Muçulmanos sobre a fé e as realidades sociais durante todos esses séculos, e todos os aspectos dela, já será meio caminho andado (testemunhar todo o tipo de ameaças feitas para matar Muçulmanos escritores, intelectuais que exprimem dúvidas sobre um preceito do Islã: são sinais seguros de temor, o temor de não poder defender as posições ideológicas se as pessoas críticas a elas não forem ameaçadas), a desintegração de organizações terroristas seria uma mera formalidade. Eles não têm mais nada para sustentar, exceto a ideia de jihad e a recompensa no paraíso, a única recompensa no Islã. Por favor, observe os depoimentos dos terroristas Islâmicos e jihadistas, todos quase sem exceções, foram exaltados pela fé nesse credo e na recompensa.

O credo, portanto, deve ser desafiado com ousadia e desinteresse. Depois disso os jihadistas não saberiam o que fazer! Depois de completamente feito, conseguirá a vitória da liberdade de expressão/pensamento sobre dogmas Islâmicos sem qualquer derramamento de sangue. Isso também aliviará ipso facto milhões de Muçulmanos que vivem em escravidão pela ulemá, os guardiões do “partido do Islã”.

O Ocidente e o mundo livre não têm nada a perder se decidir fazer uma guerra contra os princípios sociopolíticos e jurídicos Islâmicos. Por favor note: será um ato civil, não militar. Portanto, nenhum derramamento de sangue estará envolvido. As ameaças iniciais de assassinato e violência por parte dos grupos Islâmicos, e regimes para estancar tal escrutínio ideológico aberto, seria totalmente insignificante em comparação ao que temos visto desde o Afeganistão, Paquistão até a Síria.

É também um direito humano básico bem reconhecido desde a época dos grandes Upanishads até Sócrates e a Reforma na Europa, onde todos estão satisfeitos com o seu direito de criticar um pensamento, uma ideologia, incluindo uma ideologia político-religiosa. Isto é mais válido no caso Islâmico, porque as proclamações Islâmicas nunca deixam os outros, os “infiéis” sozinhos. Então por que os outros não deveriam retribuir com veemência?

Por exemplo, por que um Hindu não deve dizer que a maioria das coisas pregadas em livros Islâmicos autoritários são simples ‘Adharma’, um monte de maldade, de acordo com o que os Hindus entendem por milênios? E, portanto, os Hindus e os Budistas, por exemplo, têm o direito de travar uma guerra contra as forças de asuri (demônio) representadas por todos os tipos de Islamistas. Da mesma forma, os liberais Ocidentais podem corretamente chamar os Islamistas de antidemocráticos, ditatoriais, desumanos e tratá-los com o desdém que merecem. Chegou a hora do Ocidente, bem como as outras sociedades não-Islâmicas ao redor do mundo, perceber o ponto crucial e evitar inibições. Tem sido contraproducente o tempo todo.

Dr. Shankar Sharan é Professor de Ciência Política no NCERT, Nova Delhi


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Uma opinião sobre “A Estupidez Americana: Será que o Ocidente Corrigirá Sua Resposta À Ameaça Islâmica?”

  1. Complementando, o silêncio das igrejas cristãs é simplesmente desolador…os pastores abandonaram seus rebanhos !

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